Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

POÉTICA V



Quero a poesia que denuncie as injustiças,
mas que não deixe de cantar o amor.

Quero a poesia que grite
com a força das veias estouradas,
embora o poeta pare e ouça
o canto azul dos pássaros.

Quero a poesia como um balaço no cão que sofre
de uma dor de merda, inútil.

Quero a poesia como a mão que afaga,
que ampara o rosto que chora,
que trabalha a massa
e divide o pão.

Quero a poesia que subverta as cabeças,
que pregue a luta,
mas que esta luta
não se faça com as armas do poder
e da ordem.


Quero a poesia
pura como coração de menino,
graciosa como guerrilheira,
viril como pétala, cristal.

Por isso tudo a cabeça do poeta
é uma bomba-relógio.

Por isso o corpo do poeta é magro.

Por isso é que o poeta sonha com a justiça
embora não tenha fé.


O poeta, gente, é um ser desesperado.


(Itárcio Ferreira)