Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ela vai usar todo o dinheiro que ganhar com seus desenhos para ajudar refugiados no Brasil


Por Larissa Baltazar, via Brasil Post

"Um dia eu vi umas cenas terríveis dos refugiados sírios atravessando o mar mediterrâneo. Eu me emocionei com a imagem de uma menina. Ela tinha mais ou menos a minha idade e fez a travessia de barco usando uma boia de brinquedo na cintura para salvar sua vida. Foi ela que inspirou o primeiro desenho da minha exposição"


É assim que Sophia Maia, a pequena pernambucana de nove anos, explica o motivo de voltar seu talento para retratar refugiados em seus desenhos

Após ver a crise dos refugiados tomar conta dos noticiários, a pequena artista decidiu que queria ajudá-los e contou com a ajuda dos pais e "pessoas bacanas que foi encontrando no caminho" para vender seus trabalhos em uma exposição e doar o dinheiro aos refugiados no Brasil. 

Segundo o Diário de Pernambuco, todo o dinheiro arrecadado será doado à ONG Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado - Brasil), sediada em São Paulo. 

O evento, que foi batizado como Imaginário, acontecerá nos dias 11 e 12 de dezembro na Galeria Suassuna, na zona norte do Recife. Serão 45 quadros que vão custar entre R$ 150 e R$ 200 cada. 

“Mal posso esperar para entregar a doação e, quem sabe, conhecer crianças sírias como as que me inspiraram”, disse Sophia ao jornal. Sobre o futuro, ela conta que ainda planeja ministrar cursos de desenho para crianças carentes do Recife.

Se liga em alguns trabalhos espetaculares de Sofia:










Serviço:
Galeria Suassuna, 454 - Praça de Casa Forte - Recife
11 e 12 de dezembro - 18 horas

De noite, sob as estrelas, poema de Carlos Maia

Resultado de imagem para POETA CARLOS MAIA



De noite, sob as estrelas
Cavalgar sem rédeas
À beira-mar...
Ah! Estrela-do-mar
Toma meus sonhos
Em teus braços
E conta pra tua
Amiga do céu,
Todos os meus desejos...
De caminhar com
Minha amada
Entre os girassóis,
De colher lírios
No campo...
E de noite, sob as estrelas
Dormir na praia deserta.
Desperta,
Na palma das nossas mãos.



domingo, 29 de novembro de 2015

10 Filmes sobre Transgêneros





Não imagino a angústia que é alguém se dar conta de que nasceu no corpo errado, no gênero errado.

Como temos dificuldade em sentir empatia pelas pessoas que trocam de sexo, tendemos a estigmatizá-las. E mais ainda as que vão às vias de fato, através de cirurgias.

Esta lista traz alguns filmes importantes sobre o tema, que, espero, poderão ajudar um pouco na compreensão das diferenças humanas.

  

1. Uma Garota Dinamarquesa - Na Copenhagen dos anos 1920, uma pintora faz o retrato de seu marido vestido de mulher. quando o quadro ganha notoriedade, ele - Eddie Redmayne, já favorito ao próximo Oscar - passa a assumir sua identidade feminina e torna-se o primeiro homem a fazer uma cirurgia de mudança de sexo.


 

2. Transamérica - Um transexual, prestes a fazer sua operação, descobre ser pai de um garoto de 17 anos, que precisa de sua ajuda. Por imposição de sua psicóloga, que não quer que ele seja operado antes de resolver esse assunto, ele vai até Nova York buscar o rapaz e o traz para São Francisco numa viagem de mútuo conhecimento. Grande atuação de Felicity Huffman, indicada ao Oscar.


  

3. XXY - Alex é um hermafrodita, nasceu com as características de ambos os sexos, o que para um adolescente não é nada fácil. sua família não quer que ele/ela retire os órgão masculinos e decide viver num vilarejo remoto do Uruguai. um dia, um amigo do casal, cirurgião plástico vai visitá-los, interessado no caso e leva junto seu filho de 16 anos, que acaba se envolvendo com Alex. um filme bonito e delicado.


  

4. Tomboy - Uma menina de 10 anos sempre se sentiu como um garoto. ao mudar-se para um novo bairro, passa a fingir ser um menino. por ser diferente dos outros garotos, acaba despertando a paixão de uma menina do grupo. Um pequeno e poderoso filme francês sobre a identidade sexual de uma criança, que está crescendo e ainda não sabe como se comportar. É angustiante acompanhar sua mentira, pois é apenas questão de tempo para que seja descoberta.


  

5. Minha Vida em Cor-de-Rosa Ludovic é um garotinho que acredita ser uma menina, veste-se de menina, apaixona-se pelo vizinho e se refugia num mundo cor-de-rosa. Para ele é difícil entender o constrangimento dos pais em aceitar sua diferença e o estranhamento da sociedade. Um filme tocante, mas que deixa um sorriso nos lábios.


  

6. Beautiful Boxer - A incrível história real de um rapaz tailandês que sempre sentiu-se uma mulher aprisionada no corpo de um homem. Para conseguir dinheiro e realizar seu sonho de fazer a cirurgia de mudança de sexo, dedica-se ao esporte e torna-se campeão nacional de muay-thai. Ótima interpretação de Asanee Suwan no papel central.


  

7. Tangerine - Na véspera de natal, uma travesti sai da cadeia depois de 28 dias e descobre que seu namorado e cafetão está com outra. Uma divertida visita ao submundo das travestis de Los Angeles. O filme será lembrado por ter sido inteiramente filmado com um iPhone 5, mas é bem mais que isso.


  

8. Meninos Não Choram - Baseado na história real de Teena Brandon, uma garota, que para viver sua sexualidade, se passa por um rapaz. Até ser descoberta, condenada pela comunidade e vítima de um crime terrível. Incrível atuação de Hilary Swank, que lhe deu o primeiro Oscar.


  

9. Café da Manhã em Plutão - Conta a história de um travesti, numa pequena cidade da Irlanda nos anos 1970. Filho do relacionamento de uma doméstica e do padre local, foi abandonado e criado por uma tia, que não suporta seu jeito afeminado. Expulso de casa, ele vai para Londres, onde consegue encontrar sua própria identidade. Lá se relaciona com um político, que acaba morto pelo IRA. Direção segura de Neil Jordan e uma grande interpretação de Cilliam Murphy.


  

10. She's a Boy I Knew - A cineasta Gwen Haworth começa o filme mostrando o processo de sua própria cirurgia de mudança de sexo aos 23 anos de idade. Ela tem uma namorada, que ama e de quem não quer se separar depois de tornar-se uma mulher. O filme então explora as origens de sua sexualidade e o impacto de sua decisão na sua família. Um documentário corajoso e bem humorado, sobre o amor.


  

Extra. Transparent - Série produzida pela Amazon, sobre uma família de Los Angeles com sérios problemas de relacionamento. O pai - Jeffrey Tambor ótimo - de três filhos já adultos os reúne para revelar que deseja se assumir como transgênero. Original e bem escrita.


Outros filmes: Meu Nome é Ray, Hedwig - Rock Amor e Traição, Orlando - A Mulher Imortal, Traídos pelo Desejo, Tudo Sobre a Minha Mãe, I Am Jazz: A family in Transition, Um Amor na Trincheira, The Rocky Horror Picture Show, O Mundo Segundo Garp, Glen ou Glenda?, Normal...

Marilyn Monroe, por Earl Moran

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

George Harrison - "All Things Must Pass"

02 poemas de Dom Hélder Câmara


Esperança sem risco

Esperança sem risco
não é esperança...
Esperança é crer na aventura do Amor,
jogar nos homens,
pular no escuro,
confiando em Deus.


Até o fim

Não, não pares.
É graça divina
começar bem.
Graça maior,
persistir na caminhada certa.
manter o ritmo...
Mas graça das graças
é não desistir.
Podendo ou não podendo,
caindo, embora, aos pedaços,
chegar até o fim...


Dom Hélder Câmara
 

Redemption Song, por Bob Marley


Liberte-se da escravidão mental.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Escutatória, crônica de Rubem Alves




Sempre vejo anunciados cursos de oratória.

Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. 

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma"

Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução golpe de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.

(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou"

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. 

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.


Rubem Alves

"She Used To Love Me A Lot" - Johnny Cash

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Canção de Outono, poema de Cecília Meireles


Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Be Bop A Lula - David Cassidy

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Cê ôvi rock?

O blogueiro em uma feira de livros usados


Itárcio Ferreira

03 poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade




O poema das mãos soluçantes, que se erguem num desejo e numa súplica

Como são belas as tuas mãos, como são belas as tuas mãos pálidas como uma canção em surdina...
As tuas mãos dançam a dança incerta do desejo, e afagam, e beijam e apertam...
As tuas mãos procuram no alto a lâmpada invisível, a lâmpada que nunca será tocada...
As tuas mãos procuram no alto a flor silenciosa, a flor que nunca será colhida...
Como é bela a volúpia inútil de teus dedos...



O poema das mãos que não terão outras mãos numa tarde fria de Junho

Pobres das mãos viúvas, mãos compridas e desoladas, que procuram em vão, desejam em vão...
Há em torno a elas a tristeza infinita de qualquer coisa que se perdeu para sempre...
E as mãos viúvas se encarquilham, trêmulas, cheias de rugas, vazias de outras mãos...
E as mãos viúvas tateiam, insones, as friorentas mãos viúvas...



O poema dos olhos que adormeceram vendo a beleza da terra

Tudo eles viram, viram as águas quietas e suaves, as águas inquietas e sombrias...
E viram a alma das paisagens sob o outono, o voo dos pássaros vadios, e os crepúsculos sanguejantes...
E viram toda a beleza da terra, esparsa nas flores e nas nuvens, nos recantos de sombra e no dorso voluptuoso das colinas...
E a beleza da terra se fechou sobre eles e adormeceram vendo a beleza da terra... 





Via AQUI

"Acontece" - Cartola

domingo, 22 de novembro de 2015

aposentadoria

mecenato eu dei

Por Alex Castro, em seu blog
metrô de buenos aires, estação pueyrredón.
um velho está sentado em um banquinho, costas apoiadas contra a parede azulejada. cabeça pendendo para frente. em seu colo, um radinho de pilha tocando tangos.
deixo o equivalente a cinco reais em uma caneca de metal aos seus pés. quero conversar, entabular algum diálogo, mas ele não se mexe. por longos minutos, permanece imóvel. a cabeleira branca encobre seu rosto. poderia nem mesmo ter um rosto. poderia até estar morto.
minutos depois, na plataforma, sou abordado por uma senhora. disse que viu minha confusão mas não quis falar nada diante do velho.
durante anos, o velho tocara sanfona nos corredores do metrô pueyrredón. um dia, ficou doente. perdeu a saúde. perdeu os movimentos nos dedos. perdeu até a sanfona, vendida para pagar remédios.
sem ter como se sustentar, sem ter como trabalhar, ele continua na mesma estação, no mesmo banquinho, tocando os mesmos tangos. só que agora no rádio.
e nós, disse a senhora, que passamos por aqui todos os dias, que usufruímos de sua música por tanto tempo, continuamos pagando.
pois, afinal, até os músicos do metrô merecem se aposentar, não?