Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Saudade, poema de Da Costa e Silva



Saudade - olhar de minha mãe rezando 
e o pranto lento deslizando em fio.
Saudade amor da minha terra... o rio
cantiga de águas claras soluçando.

Noites de junho. O caboré com frio
ao luar sobre o arvoredo piando, piando
e a noite as folhas lívidas cantando
a saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade - asa de dor do pensamento!
gemidos vãos de canaviais ao vento...
Ai, mortalhas de neve sobre a serra.

Saudade - o Parnaíba - velho monge
as barbas brancas alongando e ao longe
o mugido dos bois da minha terra.

Da Costa e Silva

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A moenda, poema de Da Costa e Silva


Na remansosa paz da rústica fazenda,
À luz quente do sol e à fria luz do luar,
Vive, como a expiar uma culpa tremenda,
O engenho de madeira a gemer e a chorar,
Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda;
E ringindo e rangendo, a cana a triturar
parece que tem alma, adivinha e desvenda
A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar…
Movida pelos bois tardos e sonolentos
Geme, como a exprimir, em doridos lamentos,
Que as desgraças por vir, sabe-as todas de cor.
Ai! Dos teus tristes ais! Ai! Moenda arrependida!
— Álcool! para esquecer os tormentos da vida
E cavar, sabe Deus, um tormento maior!
Da Costa e Silva