Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sábado, 31 de outubro de 2015

CARLOS MAIA: O poeta prevê a SA: 16 bilhões e 500 milhões de anos Em poucos segundos.

Minha foto 
Os poetas sempre estão a frente do seu tempo

As eras passavam
Como fumaça
Diante dos seus
Olhos atônitos.
Toda a grandeza
Da evolução do cosmo
Se deparava
À sua frente
Numa sucessão
Estonteantemente rápida.
16 bilhões e
500 milhões de anos
Em poucos segundos.
Todo o processo
De evolução do homem
Se resumia a
Um milésimo de segundo.
Ele teve a sensação
Da profunda transitoriedade
Das coisas, das palavras
E dos sentimentos.
Só uma coisa pairava
Como uma névoa amorosa
Sobre todas essas coisas:
O Eterno!

Carlos Maia 08/09/15 

AMOR FEINHO, poema de Adélia Prado


Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.


Muddy Waters - "Manish Boy"

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

02 poemas de Olga Savary


Tranqüilidade na tarde
                    A Liene T. Eiten

Ah, derramar-me líquida sobre o mar
– ser onda indefinidamente –
esperar pela primeira estrela
e dela ser apenas
espelho.

*****

Liberdade
      A Carlos Scliar

Desligada
O vento morde meus cabelos sem medo:
Tenho todas as idades.


Cross Road Blues - Robert Johnson (1936)

O Atlas da Beleza, por Mihaela Noroc

AS FOTOS FORAM APAGADAS PELA AUTORA

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

eu sei cícero, um poema de regina azevedo

Ela

não sei como você se dobrava
pra aguar aquelas flores
nem quando começou a usar chapéu
não sei sua cor preferida
e talvez nem você soubesse
eu só sei que você sabia torcer o pescoço de uma galinha
como ninguém
e que quando tentavam assaltar sua granja
você fingia procurar uma arma de caça
eu sei que você jogava bola aos 90 anos
sei que você passava horas olhando
um prédio se erguer
eu sei que sua coluna era firme
seus ossos eram magros
e sua letra garranchuda
sei que você tinha olhos pretos
tinha catarata
sei que você dizia que a hora de almoço é hora de fazer silêncio
sei que a cor da sua pele quem pintou foi o sol
e sei que você era alto e quase não passava pela porta
é isso que eu diria
quando perguntassem
como você era antes de morrer

Uma história de um amor ordinário


A poesia entrou na minha vida, eu não a sabia, quando ainda menino. 

“Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho, voou, voou, voou, voou. E a menina que gostava tanto do bichinho, chorou, chorou, chorou, chorou”.

Por Sérgio Saraiva, na Oficina...
Quanta tristeza.
Mas nosso vizinho tinha muitos passarinhos engaiolados e eu não ficava triste quando eles fugiam, ficava alegre. Havia qualquer coisa na forma como aquela cena comum era descrita que me emocionava. Eu não sabia que o sabiá sabia assobiar.
A poesia voltou na escola.
Nos versos de Tomás Antônio Gonzaga e seus shakespearianos versos para Marílias e Dirceus, I-Juca Pirama, Gonçalves Dias, se se morre de amor. Não, não se morre de amor. Morre se da tuberculose escarrada em nossas bocas pelas bocas que beijamos. Casimiro de Abreu contado por Augusto dos Anjos.
Segunda geração romântica – mal do século. Depois de ti, só Cazuza e Renato Russo.
Arcadistas, simbolistas e parnasianos.
“Ora, direis, ouvir estrelas! Certo perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-las, muitas vezes, desperto e abro as janelas, pálido de espanto”.
Que alívio em saber que minha insônia e essas vozes não são coisas de louco. Pelo menos, não de um só louco só.
Depois vieram Cecilia Meireles e Vinícius de Moraes. Como românticos, uns cantando a pátria, outros o amor. Em uma época da minha vida em que era sempre prudente ter à mão um ou dois sonetos de Vinícius. A oportunidade é uma deusa que se agarra pelos cabelos.
Hoje, quando passa por mim um carro gritando por seus mil alto-falantes algo como: “vem cachorra, rebolar na minha rola”, esboço um sorriso sarcástico e recito: “oh, minha amada, que olhos os teus. São cais noturnos cheios de adeus”. Funk proibidão é coisa de punheteiro com a cara cheia de cerveja. Para não ir sozinho para cama, um homem tem que ter feito a lição de casa e estudado Vinícius. Os da minha geração, por certo.
Ninguém será condenado por roubar beijos, amores ou versos, trata-se de furto famélico.
Mas Cecilia e Vinícius, Gonzaga e Bilac tinham uma coisa que os unia, seus versos me emocionam, mentia-os para minhas amadas, mas não eram os versos que eu faria.
Foi quando fui atropelado por dois caminhões: Pablo Neruda e Carlos Drummond de Andrade. Não que eu não soubesse dos tais versos brancos, era que, até então, não havia entendido seu significado: poemas feitos de todas as palavras, sobretudo os barbarismos universais, de todas as construções, sobretudo as sintaxes de exceção.
Sim, era isso que eu escreveria, se pudesse.
Então vieram Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto e Jorge de Lima.
Se o que eles faziam era fazer poesia, estava acima das minhas forças. Eu deveria estudar a língua portuguesa por mil anos e tornar-me um fingidor como Pessoa e ser culto e formal como um diplomata se quisesse Cabral. Jorge de Lima e seus sortilégios construídos em forma de versos são coisas para ocultistas. Para os iniciados no oculto das palavras.
Tornei-me inseguro e assustadiço. Desisti de cometer versos. Não ofenderia os deuses. Não me condenaria ao opróbio público.
Já ia pelo estudo das primeiras fórmulas de um livro de termodinâmica quando eles apareceram – os preceptores. Sim, eles existem, tanto quanto as musas existem. E as bruxas, também.
O primeiro que chegou se a mim era um senhor extremamente magro, de cabelos todos brancos e grandes óculos. Apresentou-se: Ferreira Gullar. E passou-me um longo poema escrito de um só fôlego, “O poema sujo”.
– Dá uma lida nisso, garoto.
O título já era um verso. Rima rica, rima heroica, na circunstância em que foi escrito.
Não podia acreditar:
– Isso é o “Canto Geral”!
– É e também não é. É, se esse sentimento for despertado em você. São dois homens diferentes cantando suas mesmas épocas e seus mesmos lugares. Disse-me ele.
– Mas suas palavras são tão simples, comuns. Suas imagens tão cotidianas. São belíssimas e eu não havia ainda percebido sua beleza, apesar de já tê-las visto no meu dia-a-dia tantas vezes. Teu lindo simples é simples e é lindo, mas não é fácil. Conclui.
– Pois é. O simples é simples e você ainda o quer fácil? Então, vou te apresentar outra pessoa.
E trouxe- me uma senhora que parecia se com a minha avó. Ela era branca, minha avó era índia, mas todas as avós se parecem. Chamava-se Cora Coralina, já um verso aliterado no nome. Falou-me dos becos de Goiás e de outras histórias mais.
– Seus versos são saborosos, parecem ter sido feitos na cozinha, em fogão de lenha. Disse-lhe.
– Por que o espanto, menino? Poesia é para quem sabe cozinhar, para quem tem mão para o tempero e para o ponto dos versos, sem deixar desandá-lo.
Claro, por quantas vezes o caldo do feijão não teve, em minha boca, o gosto de poção? Como não havia pensado nisso? Em tal feitiço?
– O que você sabe de forno e fogão?
– Sei o trivial simples, frito um ovo sem me queimar… na maioria das vezes. Respondi.
– Já é o suficiente, para começar. O demais, você aprende fazendo e prestando atenção no que os outros fazem. Incentivou-me, como uma avó não deixaria de fazer.
– Mas, para você não achar que cozinha é coisa de mulher, vou te apresentar um gaúcho da simplicidade dos churrascos de fogo de chão.
E assim, conheci Mario Quintana. Li suas reticências e ele me contaminou com essa mania de dar nome aos poemas. Seus poemas curtos, de meia dúzia de versos. Construídos como alguém, que vendo uma folha voando ao vento, pelas ruas de Porto Alegre, decidisse descreve o efêmero balé da folha e do ar. Um inusitado pas de deux contemplado por olhos distraídos.
Ensinou-me da mesma forma econômica:
– Quem faz um poema abre uma janela. Por ela, teus versos passarão, se tu passarinho.
Estava eu pensando se o homem usara uma conjunção condicional ou o verbo ser na segunda pessoa do imperativo afirmativo, quando um senhor com ar de diretor de colégio público cortou meus pensamentos:
– Não racionalize, jovem, apenas sinta a frase como uma oração. Manuel Bandeira, ao seu dispor.
– O senhor usou de duplo sentido?
– Não resisti ao trocadilho, riu o mestre.
– Meu jovem, existe o pensar e o sentir. E existe o guardar consigo e o dizê-lo aos outros. A decisão de fazer um ou outro vai da tua ânsia ao teu egoísmo. Para dizer o que você pensa, há a prosa e suas orações principais, coordenadas e as suas subordinadas, como em um organograma. Para dizer o que se sente, há a poesia e sua anarquia. Para essa:
– apenas faça versos como quem morre.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

- AVE MARIA DI SCHUBERT - MARIA CALLAS -

É um garimpar de signos!


Eu creio que muitas vezes, na maioria das vezes, as palavras não traduzem bem o que nós estamos pensando. Principalmente a palavra escrita. A entonação, a pausa, são fatores às vezes mais importantes do que o próprio signo ali, escrito num papel ou na web. Um olhar então, ah, um olhar então nem se fala! Quantas vezes eu me perdi navegando num olhar! Linguagem de alma para alma! Intraduzível em palavras!

Por isso que o trabalho do poeta é muitas vezes tão árduo! É um garimpar de signos! Junto a outros signos! Mas quando achamos a pepita... Ah, quando achamos a pepita, o grande diamante azul, brincadeira... Tem poemas que valem toda uma vida!


BRINCANTE - O FILME

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

AUTORRETRATO, poema de Itárcio Ferreira



 Plagiando Bandeira

Interiorano,
Nascido na zona da mata pernambucana,
Nunca soube
Usar gravata:
- Apenas no casamento,
Quiçá na morte.
Cidadão do mundo
Odeia profundamente as fronteiras e ama os diferentes.
Poeta? Não sabe, não tem certeza...
Mas, insisti.
Funcionário público cheio de poeira,
Achou na poesia e no uísque,
Uma maneira,
De respirar sob os escombros,
Da dita sociedade capitalista.
Quis ser músico, não tinha talento;
Guerrilheiro, não pôde,
A pólio o acertou,
Qual mercenário estadunidense,
Numa esquina mal iluminada,
Numa certa manhã de novembro.
Acreditou um dia em Deus, no outro em Nietzsche.
Em matéria de sonho: um suicida profissional.


Retrato da família brasileira


Facebook é rede social para a família

http://www.malvados.com.br/

domingo, 25 de outubro de 2015

Cogito, poema de Torquato Neto




eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.



Torquato Neto

Cajuina, por Caetano Veloso

Nosferatu no Brasil (Ivan Cardoso, 1970)




Anteriormente, este vídeo continha uma faixa de áudio protegida por direitos autorais. Devido a uma reivindicação feita por um detentor de direitos autorais, a faixa de áudio foi permanentemente desativada. 

Budapeste, século XIX: Nosferatu (Torquato Neto) é morto por um príncipe. De férias no Brasil, agora em cores, vampiriza várias nativas. Mítica masterpiece superoitista. Da série "quotidianas kodaks".

Direção, fotografia e produção: Ivan Cardoso

Elenco: Torquato Neto, Scarlet Moon, Daniel Más, Helena Lustosa, Cristiny Nazareth, Zé Português, Ciça Afonso Pena, Ricardo Horta, Marcelino, Ana Araújo, Martha Flaskman e outros.

sábado, 24 de outubro de 2015

AFORISMO, poema de Itárcio Ferreira


Autor?


A amizade,
Tão necessária ao homem
Quanto à água e o pão.


As fronteiras da cosmologia: de Alexandria aos multiversos


Professor Thomas de Toledo, em seu blog

Neste fim de semana, dediquei-me a um estudo que é uma paixão de infância: a cosmologia. Entendo o cosmos como o conjunto integrado de tudo o que é, foi e será. O cosmos é o Todo e para entendê-lo, é preciso recordar como o ser humano o compreendeu ao longo dos milênios.

Falar sobre cosmologia remete-nos a Alexandria, que foi a maior escola de sabedoria da antiguidade: ela era uma ponte entre o conhecimento antigo do Egito com o novo dos gregos. Muitos dos conceitos que usamos até hoje na astronomia foram desenvolvidos lá, por gênios como Hiparco e Hipátia, e mesmo Ptolomeu, que por milênios foi a referência em seu modelo geocêntrico.

Até que vieram os cristãos, que incendiaram a biblioteca e proibiram seus estudos sob o pretexto de que o homem não pode buscar a verdade, pois ela "só reside em deus". Veio então a Idade das Trevas: cruzadas, inquisições, pestes por falta de higiene, etc. Mas eis que novamente em meio à escuridão do cristianismo, renasce a luz da cultura clássica grega: surgem pensadores como Galileu, Copérnico, Kepler e Giordano Bruno, que retomaram o conhecimento de Alexandria e corrigiram os erros da visão teológica e geocêntrica. Galileu provou que a Terra girava ao redor do sol e Bruno foi queimado pela inquisição por dizer que o universo era infinito e que as estrelas são sóis ao redor dos quais orbitam planetas como o nosso.

Em um momento seguinte, com Isaac Newton, foram reveladas as leis da física mecânica e o grande mistério acerca das órbitas planetárias foi finalmente esclarecido: a força que exerce esta atração chama-se gravidade. Mas a gravidade não é a única força existente. Logo, Maxwell descobriu a unidade entre eletricidade e magnetismo. Posteriormente, os físicos descobririam ainda a força nuclear forte (explosão atômica) e a força nuclear fraca (irradiação).

Por mais de dois séculos, a mecânica newtoniana parecia um ambiente funcional para a física, até que um jovem cientista chamado Albert Einstein descobre uma correlação entre espaço e tempo. Ou seja, quanto maior a massa de um corpo celeste, maior será sua força gravitacional. Isto incide em uma distorção do espaço-tempo, fazendo com que o tempo seja relativo. Ou seja, o passado e o futuro são apenas percepções de uma realidade que só acontece num eterno presente.

Ao mesmo tempo em que Einstein revolucionava a física do macrocosmo, um grupo de cientistas descobre novas leis da física no universo microscópico: a mecânica quântica. Neils Bohr descobriu que, diferente do movimento dos planetas ao redor do sol, os elétrons ao redor do núcleo atômico poderiam mudar sua órbita. Mas outros pesquisadores foram ainda mais longe: descobriram que partículas que atravessam uma fenda dupla comportam-se como onda, exceto quando obervado. O que? Seria uma ruptura definitiva com método empírico de Francis Bacon e com a visão sistemática de Descartes? Mais do que isto: a mecânica quântica quebrava a própria ideia de existência de um mundo material. Tudo é energia.

O debate entre Einstein e Bohr parecia retomar uma discussão filosófica entre Parmênides e Heráclito. Se por um lado, o universo parecia estático na visão da Relatividade Geral, por outro ele mostrava-se dinâmico com a Mecânica Quântica. Até que surgiu uma possibilidade de unificar tais visões com uma nova teoria: as Super Cordas.

O átomo é dividido em prótons, nêutrons e elétrons. Estes são formados por quarks, que são formados por quantas. Mas para unificar a física, foi necessário ousar em uma nova teoria: a de que no nível subatômico pequenos filamentos de cordas vibram e assim se forma toda a matéria e antimatéria existente. O problema é que surgiram várias teorias das cordas, com cada qual propondo um diferente caminho. Quando elas já estavam caindo em descrédito, eis que surge a Teoria M, capaz de unificar todas as teorias das cordas.

Mas a Teoria M exige quebrar ainda mais paradigmas: para entender como partículas separadas guardam uma ligação mesmo que à distância, foi necessário conceber outras dimensões. Hoje já se supõe a existência de até 11 dimensões. O que isto significa? Primeiro: que a nossa ideia de universo não mais é capaz de explicar o Todo. Além do universo que conhecemos, existem outros universos, paralelos ao nosso, com diferentes leis físicas e evoluindo para diferentes sentidos. Mais do que isto: estes universos interagem entre si e ao tempo todo novos universos são criados. A este conjunto de universos, deu-se o nome de multiversos.

Ou seja, o Big Bang de Stephan Hawking, ou a grande explosão que originou o nosso universo, é apenas um evento dentre infinitos outros e possivelmente vários Big Bangs estejam acontecendo aqui e agora. E é exatamente o que os cientistas do CERN buscam esclarecer com o acelerador de partículas. A descoberta do Boson de Higgs comprovou que toda realidade está conectada. Aliás, o que chamam de "particula de deus", é exatamente o que prova que o deus da bíblia não passa de que um delírio, uma criação humana usada para dominar as massas.

De qualquer forma, o que podemos dizer é que a mecânica quântica mostra que a configuração de nosso universo é apenas uma combinação de probabilidades. Nesta imensidão de probabilidades, surgiram galáxias onde sóis anãos vermelhos como o nosso existem aos bilhões. Orbitando tais sóis, existem planetas que podem por uma matemática probabilística desenvolver uma atmosfera necessária para o desenvolvimento da vida, a partir da combinação de moléculas de carbono. Mas podem existir outras formas de vida e a informação que conhecemos transmitida pelo DNA pode ser apenas uma de tantas outras existentes no cosmos.

E assim caminha a ciência. Ao contrário do pensamento religioso que é estático, dogmático e imutável, a ciência baseia-se em fatos, análises, experimentos e teorias. Ela pode sem dúvidas desviar-se pelo poder econômico ou por dogmas científicos que sustentam bolsas e projetos de pesquisas. Mas por mais que a ciência possa falhar, ela ainda é a melhor maneira de se ler o Livro da Natureza. 

Ariano Suassuna - Você foi a Disney?

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

AVISO PRÉVIO, poema de Alberto da Cunha Melo


Por motivos inconfessáveis,
antes de ajustar o papel
na máquina, o mundo me chama
(aos gritos) mas vou devagar.

Teus escravos têm outro jeito
de caminhar sobre o tapete,
e se curvam de outra maneira
às tuas novas injunções.

Não participo dessa urgência
com que te vestes para o fim,
e não me deves mais a casa
alta, diante dos nascentes.

Preciso apenas de um espaço
onde gravar uma palavra:
só não a gravo no teu corpo
porque ele dura muito pouco.

Ó terra, terra, que serias
sem teus poetas pequeninos,
que bebem tanto e cavam tantas
fontes na tua superfície?


Alberto da Cunha Melo

POLICHINELO, poema de Itárcio Ferreira



A alegria, a alegria mesmo,
Não existe,
Mas, insiste.

A violência humana - "Rattle"

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Poema do Sem-teto, poesia de Peu Azevedo



Conheço o céu mais que as estrelas,
Provo da chuva mais que alto mar.
Conheço a solidão mais que o deserto,
Durmo no chão, sem o direito de sonhar.

Sou sólido como rocha,
Mas invisível como o vento.
Meu futuro não é certo,
Certo é que perecerei no esquecimento...


Anjos Perdidos - Os sem teto nos EUA, por Lee Jeffries






segunda-feira, 19 de outubro de 2015

02 poemas de Carlos Maia

Minha foto

Sempre sonhou
Em se esvaziar
De toda a enxurrada
De pensamentos
Que assolavam a sua mente.
Claudicantemente cáustico
Após 16 bilhões e 500 milhões
De anos,
Iria destruir
A sua criação,
Para fazer outra mais perfeita,
Sem satanás e os seus anjos!

***

Têmis, Diana de Gabies,
Flora, Ceres, Diana, Juno,
Minerva, Níobes, Vesta.

Os deuses do Olimpo
desceram à Praça da República
rodeados por Nassau
E o anjo
da Revolução de 1817.


Carlos Maia