Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Poema para Galeano


Releio, depois dos anos,
‘As Caras e as Máscaras’ de Galeano.

A memória do fogo me vem,
salta pelos poros
e depois reentranha-se nas hospedarias
da imensa madrugada.

Aqui estamos,
aos teus pés, América!

Quem tocará
a índole do condor?

Romperá o tigre azul,
entre céus andinos,
por toda a cordilheira?

Qual dos teus pais, filhos da terra malsã,
te acolherá quando a zombaria
arrancar de teus braços
a tenra idade e o ouro,
depois de te condenar à sífilis e a fome,
quem nascerá com espadas nas mãos?

Vento em ti, canto de flechas,
rios do centro do mundo, irmãos da igualdade,
perdão e castigo.

Vento em ti, capitães do medo,
ataúdes e os sudários das mãos infantis,
dores em quatro ventos
e as selvas aquecidas por úmidas árvores gigantes.

Crescerá em teu ventre os mares revoltosos, o cais,
o sangue e o destino.

Em noites puras,
o sol será trazido pelo mais velho dos pássaros.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"Os Rebeldes", Poema de Paulo Fonteles, 1976.



"Quem serão os rebeldes
dentro do Pelotão de Investigações Criminais?
Que demônios os possuem
a impregná-los da coragem dos loucos furiosos?
Que lanças reluzem
dentro das celas escuras
plenas de sol e fogo e terra?
Que bestas selvagens
cavalgam
nas vertentes de cada batalha?
Que espíritos
os levam para fora do imenso mausoléu?
Que paixão os domina
cantando a mulher amada entre tempestades
e madrigais?
Que armas possuem
para que suas resistências se façam infinitas?"


domingo, 12 de janeiro de 2014

Poema para Galeano





Releio, depois dos anos, 
‘As Caras e as Máscaras’ de Galeano. 

A memória do fogo me vem, 
salta pelos poros
e depois reentranha-se nas hospedarias
da imensa madrugada.
Aqui estamos,
aos teus pés, América! 
Quem tocará
a índole do condor?
Romperá o tigre azul,
entre céus andinos,
por toda a cordilheira?
Qual dos teus pais, filhos da terra malsã,
te acolherá quando a zombaria
arrancar de teus braços
a tenra idade e o ouro,
depois de te condenar à sífilis e a fome,
quem nascerá com espadas nas mãos?
Vento em ti, canto de flechas,
rios do centro do mundo, irmãos da igualdade,
perdão e castigo.
Vento em ti, capitães do medo,
ataúdes e os sudários das mãos infantis,
dores em quatro ventos
e as selvas aquecidas por árvores gigantes.
Crescerá em teu ventre os mares revoltosos, o cais,
o sangue e o destino.
Em noites puras,
o sol será trazido pelo mais velho dos pássaros.