Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Para refletir (20)

Miguel de Unamuno

"Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos."

(Miguel de Unamuno, ensaísta e filósofo espanhol)

Canto de regresso à pátria, poema de Oswald de Andrade

 

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Oswald de Andrade

Amy Winehouse - "Back To Black"

terça-feira, 28 de junho de 2016

Atualize-se

E ASSIM EM NÍNIVE, poema de Ezra Pound


"Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas
E os homens, mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura.

"Veja! não cabe a mim
Nem a ti objetar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Mais de um cantor passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
Seu sono ou canto.
E mais de um cantou suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais de um agora sobrepassa
Com seu laurel de flores
Minha beleza combalida pelas ondas,
Mas eu sou poeta e sobre minha tumba
Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com sua espada azul.

"Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho."


Tradução de Augusto de Campos

Tom Waits - "Come On Up to the House"

A arte de Marc Figueras

Marc Figueras pinturas foto-realistas mulheres anônimas de costas bicicletas andando pela cidade

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

IGREJA

Remorso Póstumo, poema de Charles Baudelaire


Quando fores dormir, ó bela tenebrosa
Em fundo de uma cripta em mármore lavrada
Quando tiveres só por alcova e morada
O vazio abismal de carneira chuvosa;

Quando a pedra, a oprimir tua fronte medrosa
E teus flancos a arfar de exaustão encantada,
Mudar teu coração numa furna calada
Amarrando-te os pés na rota aventurosa,

A tumba, confidente do sonho infinito
(Pois toda a vida a tumba há de entender o poeta),
Pela noite imortal de que o sono é prescrito,

Te dirá: "De que serve, hetaira incompleta,
Não teres conhecido o que choram os mortos?"
E os vermes te roerão assim como os remorsos.

Liniker ‘versus’ Lineker o mesmo nome para duas vozes da cultura LGBT

Homo internets

Bebê da nova geração.

Registrando a ressurreição

Mais fácil ir para o facebook.

Diferenças dos pássaros

O mundo está aqui fora mas ninguém mais se lembra disso.

Pessoas hoje em dia.

Já é hora de sair da internet.

Cegos dos dias atuais

Precisa avisar?

Fotos das férias

domingo, 26 de junho de 2016

Elizeth Cardoso & Sérgio Bittencourt - Naquela mesa (1974)

Premonição (ou a Era do Facebook)


Vivendo, poema de Denise Levertov

 
A chama em folha e grama
tão verde parece
cada verão o ultimo verão.
_
O vento soprando, as folhas
estremecendo ao sol,
cada dia o último dia.
_
Uma salamandra vermelha
tão fria e tão
fácil de pegar, distraidamente
_
move suas patinhas delicadas
e sua cauda comprida. Deixei
a mão aberta para ela partir.
_
Cada minuto o último minuto.


Traduzido por Wagner Miranda

sábado, 25 de junho de 2016

A arte de Felipe Guga








O Vivo, poema de Augusto de Campos



Não queiras ser mais vivo do que és morto.
As sempre-vivas morrem diariamente
Pisadas por teus pés enquanto nasces.
Não queiras ser mais morto do que és vivo.
As mortas-vivas rompem as mortalhas
Miram-se umas nas outras e retornam
(Seus cabelos azuis, como arrastam o vento!)
Para amassar o pão da própria carne.
Ó vivo-morto que escarnecem as paredes,
Queres ouvir e falas.
Queres morrer e dormes.
Há muito que as espadas
Te atravessando lentamente lado a lado
Partiram tua voz. Sorris.
Queres morrer e morres.

Augusto de Campos 

Camila Garófalo - "Sobras"

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Luiza Lian - "Coroa de Flores"

Meu nome é Negrinha - por Sara Antunes

O Guesa errante canto I, poema de Sousândrade


Eia, imaginação divina! 
Os Andes 
Vulcânicos elevam cumes calvos, 
Circundados de gelos, mudos, alvos, 
Nuvens flutuando – que espetac’los grandes! 
Lá onde o ponto do condor negreja, 
Cintilando no espaço como brilhos 
D’olhos, e cai a prumo sobre os filhos 
Do lhama descuidado; onde deserto, 
O azul sertão, formoso e deslumbrante, 
Arde do sol o incêndio, delirante 
Coração vivo em céu profundo aberto! 
“Nos áureos tempos, nos jardins da América 
Infante adoração dobrando a crença 
Ante o belo sinal, nuvem ibérica 
Em sua noite a envolveu ruidosa e densa. 
“Cândidos Incas! Quando já campeiam 
Os hérois vencedores do inocente 
Índio nu; quando os templos s’incendeiam, 
Já sem virgens, sem ouro reluzente, 
“Sem as sombras dos reis filhos de Manco, 
Viu-se… (que tinham feito? e pouco havia 
A Fazer-se…) num leito puro e branco 
A corrupção, que os braços estendia! 
“E da existência meiga, afortunada, 
O róseo fio nesse albor ameno 
Foi destruído. Como ensaguentada 
A terra fez sorrir ao céu sereno! 
“Foi tal a maldição dos que caídos 
Morderam dessa mãe querida o seio, 
A contrair-se aos beijos, denegridos, 
O desespero se imprimi-los veio, - 
“Que ressentiu-se verdejante e válido, 
O floripôndio em flor; e quando o vento 
Mugindo estorce-o doloroso, pálido, 
Gemidos se ouvem no amplo firmamento! 
“E o sol, que resplandece na montanha 
As noivas não encontra, não se abraçam 
No puro amor; e os fanfarrões d’Espanha, 
Em sangue edêneo os pés lavando, passam.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Velho, poema de Cruz e Souza


Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado
Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,
Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.

Recado ao MPSP - por Inca Venusiano



Falando com Deus - Por Inca Venusiano


Piano Bar: Smooth Jazz Club at Midnight Buddha Café

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sobre os animais

Leonardo da Vinci crime contra os animais crime contra a humanidade

2000, poema de Haroldo de Campos

 
os portais do terceiro milênio
(do vestíbulo
do)

rodam sobre seus rodízios de três zeros 
 
acoplados em c a u d a de cometa 
a um dois redondo 
rodam os signos do zodíaco 
atiçando a cósmica 
esfagulhante 
tocha augural 

o princípio-esperança 
pilastra esquerda do portal 
e a moura-desespero 
pilastra à direita 
sustentam ambas 
(discordante concórdia) 
os portões que rangem 
sobre os três 
zeros esféricos 
onde o sûnya o 
vazio búdico 
esbranca 
como olho de águia 
absorto em redondos 
plenissóis: 
o olho e o astro 
se contrespelham 

um dois brônzeo 
dupla garra de gonzos 
articula os portais 
enquanto os rodízios cantam 
a música plangente dos batentes 
que se entreabrem 
no engaste dobradiço 
dos quícios bronzefúlgidos 

o anjo-esperança 
e a gárgula-desespero 
se confrontam 
no aprazado convergir do 
calendário 

ao longo do estepário 
do futuro que se entre- 
mostra vaziopleno de latentes 
acasos 
o anjo e a gárgula se defrontam 

do mais fundo 
dos séculos a voz do sábio melancólico 
soa ainda 
ressoa 
ainda 
como antes 
no entrecéu do porvir 
que sibila seu enigma: 
a voz velha do sabedor- 
-das-coisas repete 
seu refrão que o trânsito 
das centúrias só fez 
confirmar como caixa- 
-de ecos: 

"e eu me voltei 
eu / e vi / 
toda a opressão // 
que é feita / sob o 
sol /// 
e eis o choro dos oprimidos / 
e não há para eles / conforto // 
e da mão que os oprime / 
força // 
e não há para eles / 
conforto" 

o anjo-esperança recua 
em sua armadura de diamante 
a gárgula-desespero jubila 
no seu gótico esqueleto de pedra 
: "aquilo que já foi / 
é aquilo que será // 
e aquilo que será // 
e aquilo que foi feito // 
aquilo / 
se fará /// 
e não há nada de novo / 
sob o sol" - 
prossegue o-que-sabe 
por entre as névoas 
do nada 
o arcanjo-esperança 
tomado de sagrado 
furor 
flameja sua espada 
multicentelhante 
e rasga um claro 
no ob- 
nubilado 
horizonte onde 
se engendra o 
f u t u r o 

a gárgula guincha 
no seu nicho de pedra - 
na lâmina 
coruscante do gládio lê-se 
cravejado em estrelas : 
"a esperança existe 
por causa dos desesperados"


Notas do autor 

1 - O "sábio melancólico" é o autor anônimo do "Eclesiastes" ("Qohélet", em hebraico). Cito um excerto de minha recriação do capítulo 4 desse "poema sapiencial" bíblico (cf. "Qohélet / O-Que-Sabe / Eclesiastes", Perspectiva, São Paulo, 1990). 

2- Adaptei à conclusão de meu poema uma formulação extraída do ensaio de Walter Benjamin sobre "As Afinidades Eletivas", de Goethe, datado de 1925 (W.B., "Gesammelte Schriften, vol. 1, Suhrkamp, Frankfurt, 1974).

Mombojó - "Papapa"

A arte de Caras Ionut

Caras Ionut fotografia photoshop foto-manipulação onírico sonhos surreal

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Via Caras Ionut

terça-feira, 21 de junho de 2016

Biquini Cavadão - Tédio

O TÉDIO, poema de Itárcio Ferreira


Primeiro beijei tua boca
e acariciei tuas mãos,
nos tornamos amigos e amantes.

Uns tempos depois,
minhas mãos passeavam em teus seios,
macias elevações de carne, pele e desejos,
qual o viajante que percorre caminhos conhecidos.

Mas o tempo,
este destruidor de sonhos
e calmante dos desejos,
pôs em nossos destinos o tédio.

Hoje, tua boca, tuas mãos,
teus seios e meu desejo
são apenas lembranças enfadonhas.


Visitem o blog do poeta: Itárcio Ferreira, poemas

O tédio