Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

POEMA DA BUCETA CABELUDA


Publicado inicialmente em, 11 de julho de 2009, no CLAUDICANDO.

Notas Claudicantes:

Lendo no Amálgama a resenha de Juliana Dacoregio sobre o livro Buceta: Uma novela cor-de-rosa, de Luiz Biajone, lembrei de Bráulio Tavares e do seu “Poema da Buceta Cabeluda”.


Tinha esse poema em livro, que comprei numa apresentação de Bráulio, aqui em Recife, mas o danado sumiu das minhas estantes, só Deus sabe como.


(Livros têm pernas? Vontade própria? Desejo de ser lido e por isso fogem de casa, das estantes?)

Pesquisei na net e achei o belo poema de Bráulio, autor de Trupizupe, o Raio da Silibrina, que aqui posto em homenagem ao grande autor, aos leitores e, é claro, as bucetas: deliciosos fetiches, motos-contínuos do desejo.

(Itárcio)


A buceta da minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.

A buceta da minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.

A buceta da minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.

(Bráulio Tavares)