Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

terça-feira, 31 de maio de 2016

Perguntas de um Operário Letrado, poema de Bertolt Brecht


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertolt Brecht 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Lua Adversa, poema de Cecília Meireles


Tenho fases, como a lua, 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e que vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 

Não me encontro com ninguém 
(tenho fases, como a lua...). 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu... 

Cecília Meireles

A LUA

Milton Nascimento - "Lua Girou"

domingo, 29 de maio de 2016

Egberto Gismonti - "Bachiana nº 5" - Villa Lobos

Pingos nos is (i)




i

A única coisa que faço bem na vida são poemas. Para o resto sou um grande incompetente, especialista em porra nenhuma. Apesar da minha mediocridade consegui, estando no lugar certo e na hora certa – minhas grandes fortunas – sobreviver numa sociedade capitalista, individualista e violenta. Com certa dignidade quanto a alimentação, a abrigo e a saúde, e, indignamente, quanto a justiça e a vergonhosa desigualdade social.

I.F.

sábado, 28 de maio de 2016

Quatro poemas de Lívia Natália


QUADRILHAS

Maria não amava João.
Apenas idolatrava seus pés escuros.
Quando João morreu,
assassinado pela PM.
Maria guardou todos os seus sapatos.


ÁGUA NEGRA

Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.
Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.
A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:
a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.
                   

OSUN JANAÍNA

Descobri que, para mim,
ser mulher basta.
Para puxar véus,
levantar saias
pintar as unhas de vermelho feroz –
mesmo que seja só para dizer: para.
Ou para ver a dança des-contínua do seu corpo
sobre o meu (o meu oposto)
pelo espelho que se emancipa
das paredes deste quarto
e desta tarde delicada.
Mas sempre ser mulher basta:
posto que é inteiro e vão,
onda que bate na pedra e despedaça
apenas para voltar inteira
– afogada –
num mar de (in)diferenças
onde cada gota solitária e única
forma um discurso descomposto,
cambiante,
plural:          
mesmo quando me atiro sobre esta pedra,
que me rechaça.


ODISSEU

Seu corpo cresce em puro júbilo de ser.
E só.
Sobre a cabeça, dança uma juba arisca
alimentada pelo vento e pelos sonhos
com que embala o mundo.
Seus gestos firmes cortam o tempo,
inscrevendo,
na pele crua da memória,
seu rastro.
Sua voz,
saltando frenética sobre os átimos,
devassa as franjas silenciosas que embainham
o mundo.
Mas quando seu corpo ressona nos lençóis,
onde o espero,
é meu o seu silêncio
e a calma do depois.
É no meu corpo que escreves
sua narrativa mais primeira
e definitiva.


Lívia Natália

Cavalgando em um Fóton (Viaje na velocidade da Luz)



Faça uma viagem de 45 minutos em tempo e condições reais através desse vídeo que mostra condições reais do ponto de vista de um fóton de luz. O ponto de partida será a superfície do Sol. Os planetas desempenham a função de "estações" nesta jornada.

Mercúrio 3:14 
Vênus 5:59 
Terra 8:18 
Marte 12:38 
Júpiter 43:16

A METAMORFOSE DE KAFKA E O MONSTRO CHAMADO EGOÍSMO


"Naquela família assoberbada de trabalho e exausta, havia lá alguém que tivesse tempo para se preocupar com Gregor mais do que o estritamente necessário!" A Metamorfose, Franz Kafka.
"As coisas que nos assustam são em maior número do que as que efetivamente fazem mal, e afligimo-nos mais pelas aparências do que pelos fatos reais." A sabedoria de Sêneca, na citada frase, poderia ser uma bela sinopse do que Franz Kafka apresenta na obra "A Metamorfose", uma vez que o real parece não fazer sentido ante as aparências.

"Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto."

A novela do escritor tcheco inicia-se de forma incisiva, em que o protagonista da história - Gregor Samsa - encontra-se metamorfoseado num inseto gigante. Dessa forma, o início da novela já é o clímax, o que faz da obra extremamente profunda nas suas poucas páginas. Talvez, não haveria como ser diferente, pois o que pretende-se mostrar é a verdadeira face humana e esta parece demonstrar-se somente nos momentos de conflito.

Ao estar metamorfoseado em inseto, Gregor Samsa não é visto como de fato é, mas sim por aquilo que aparenta ser, isto é, um monstro, o qual todos tinham de suportar. Embora, continuasse sendo o mesmo Gregor, perante os outros isso não importava, pois o que enxergavam era um inseto gigante. O próprio protagonista chega, logo no início a questionar-se sobre a sua essência:

"Estarei agora menos sensível?"

Gregor Samsa, assim, era visto como um peso para a família, a qual deveria suportar. Kafka, aqui nos mostra a realidade da sociedade, sobretudo, capitalista que restringe o valor do ser humano ao que produz e às aparências, uma vez que, quando "normal", era Gregor o responsável pelo provimento da família. Contudo, ao metamorfosea-se em inseto, tornou-se impossibilitado de prover a sua família, de modo que, na medida em que Gregor não pode os prover, perde o seu valor.

A metamorfose de Gregor evidencia que as relações sociais são pautadas pelos interesses, pois, embora o protagonista seja uma pessoa altruísta, preocupada com o bem estar da família, ele passa a ser excluído pela mesma, dado que o que os interessava em Gregor não é possível naquela situação. Essa exclusão gera um sentimento de solidão em Gregor, a qual alimenta o seu sentimento de impotência e tristeza e, por conseguinte, diversos problemas psicológicos (típicos do homem contemporâneo).

Assim sendo, o que importa são os resultados, ou seja, somente relações que possam trazer benefícios são necessárias, de tal maneira que uma relação que traga apenas custo é vista como um peso que deve ser jogado fora na primeira oportunidade. Aquele inseto gigantesco, o qual Gregor acreditava que ainda fosse ele, para a família não passava de um peso que tinha que suportar:

"Não que eles desejassem que ele morresse de fome, claro está, mas talvez porque não pudessem suportar saber mais sobre as suas refeições do que aquilo que sabiam pela boca da irmã, e talvez ainda porque a irmã os quisesse poupar a todas as preocupações, por mais pequenas que fossem, visto o que eles tinham de suportar ser mais do que suficiente."

Como dito, o próprio Gregor se vê como um peso e senti-se na obrigação de poupar os outros daquela visão asquerosa que possuía, como se os sentimentos que o constitui não estivessem no mesmo lugar. Embora, fosse ele que estivesse naquela situação e, portanto, devesse receber ajuda para atravessar o infortúnio, em verdade, acontecia o contrário, em que ele deveria esconder-se para não assustar a sua família.

"Este acontecimento revelou a Gregor a repulsa que o seu aspecto provocava ainda à irmã e o esforço que devia custar-lhe não desatar a correr mal via a pequena porção do seu corpo que aparecia sob o sofá. Nestas condições, decidiu um dia poupá-la a tal visão e, à custa de quatro horas de trabalho, pôs um lençol pelas costas e dirigiu-se para o sofá, dispondo-o de modo a ocultar-lhe totalmente o corpo, mesmo que a irmã se baixasse para espreitar."

Essa repulsa que a família tinha ao seu aspecto representava a repulsa àquela condição que nada poderia oferecer além de trabalho. O medo já começara a transforma-se em ódio, já que, à proporção que o tempo passava, a família entendia que, naquele estado, Gregor era um peso desnecessário.

Aliás, aquilo não era Gregor, não possuía sentimentos, causava pânico e colocava em choque a tranquilidade da família. Assim, aquela criatura asquerosa só poderia ser tratada da mesma forma que se aparentava. Era necessário medidas violentas para provocar o entendimento de Gregor.

"Mas Gregor não podia arriscar-se a enfrentá-lo, pois desde o primeiro dia da sua nova vida se tinha apercebido de que o pai considerava que só se podia lidar com ele adotando as mais violentas medidas."

Esse ódio que a família passa a nutrir por Gregor é simbolicamente condensado na maçã que o pai o atirara. O inseto monstruoso merecia aquele ódio, pois para a família, naquele estado, Gregor era desprovido de virtudes. Gregor acreditava ser sua a obrigação de cuidar da família - e a família agia como se fosse - de tal maneira que a única virtude que ele possuía era garantir os proventos e, assim, quando metamorfoseado Gregor perde a sua única virtude, sendo merecedor do ódio da família. Afinal, o que restara?

Para a família, apenas trabalho, uma vez que agora (sem Gregor) deveriam cuidar dos seus proventos, fato o qual lhes custavam enorme energia. Ademais, tinha o "pesado" inseto gigantesco, o qual lhes consumia o resto da energia. Portanto, seria uma injustiça por parte de Gregor exigir mais do que faziam. Ora, ele mesmo deixou-os naquela situação de exaustão. Curioso é, que Gregor sozinho conseguia prover tudo que a família precisava, tendo que aguentar um trabalho que não suportava, mas, ainda assim, não reclamara da família. O Gregor, contudo, deveria receber de bom grado tudo sua família fazia por ele.

"Naquela família assoberbada de trabalho e exausta, havia lá alguém que tivesse tempo para se preocupar com Gregor mais do que o estritamente necessário!"

O tratamento que recebia, assim como o isolamento fazia Gregor entristecer e perder potência, pois já não era fácil estar naquela situação e ainda ser tratado da forma como aparentava não fazia sentido para ele, já que continuava o mesmo Gregor Samsa por dentro. Ou seja, como poderia ser tratado como um monstro se ainda sentia as mesmas coisas?

"Poderia ser realmente um animal, quando a música tinha sobre si tal efeito?"

É evidente que Gregor em nenhum momento foi visto como um ser com sentimentos e que precisava de ajuda, todos ao seu redor só conseguiam enxergar o superficial, o raso. Por medo? Talvez, sabemos que é preciso coragem para ter uma relação verdadeira e profunda. Mas, acima de tudo, Gregor Samsa perdera o seu valor. Não o valor que faz dele quem é, mas o valor simbólico que a sua família o atribuía e que restringia-se a provê-los.

Esse traço, hoje, parece ser ainda mais claro e nisso reside a genialidade de Kafka. As relações são líquidas e pautadas em resultados, esforçar-se por alguém está fora de questão. A sua família é incapaz de colocar-se em seu lugar, logo ele, que até ali carregava o peso da família sozinho, era visto com um fardo insuportável.

"Não pronunciarei o nome do meu irmão na presença desta criatura e, portanto, só digo isto: temos que ver-nos livres dela. Tentávamos cuidar desse bicho e suportá-lo até onde era humanamente possível, e acho que ninguém tem seja o que for a censurar-nos."

Há de se reconhecer que ter alguém naquela situação era difícil, contudo, os relacionamentos trazem peso, esforço e o que nos permite carregá-los é o amor, e este não existia em relação a Gregor. Além disso, a exclusão e a culpa que impunham a Gregor foram pouco a pouco tornando-o mais impotente, triste e sentido-se o monstro que todos achavam.

Diante disso, só restara um fim, a morte, que representou uma libertação para sua família. A causa da morte? Uma maçã podre que carregara no seu dorso, que o fazia pesado, embora estivesse vazio; uma maçã que representava o ódio que sua família o nutria; uma maçã que o levava ao chão, como um inseto. E assim:

"... a cabeça pendeu-lhe inevitavelmente para o chão e soltou-se-lhe pelas narinas um último e débil suspiro."

sexta-feira, 27 de maio de 2016

RIP Papete - "Boi da Lua"

Manhã, poema de Fernando Fiorese


na claridade do pátio 
nada se move.

apenas o mármore das colunas
duela com o vento.

todo o solo prenuncia a queda
a palavra que fenda a manhã.

emigrado da sombra
me entrego ao desgaste do vento.

ah o azul
o azul me desampara.


Fernando Fiorese

Para refletir (14)

Suzana Lisbôa: "Eu fui muito atacada e acusada de querer confrontar a ditadura, o que poderia prejudicar a transição para a democracia". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Suzana Lisbôa

“Eu fui muito atacada e acusada de querer confrontar a ditadura, o que poderia prejudicar a transição para a democracia”. 

“Em 1972, o Ico foi morto e eu fiquei clandestina até 1978. Desde aquela época eu comecei a participar dos movimentos de anistia”.

“Pelo projeto de anistia do Figueiredo, os desaparecidos teriam um atestado de morte presumida, de paradeiro ignorado, o que a gente já teria no Código Civil. A ideia deles era burocratizar esse tema”.

“Fizemos cartas ao presidente Lula que nunca foram respondidas. Ele nunca recebeu os familiares de mortos e desaparecidos em uma audiência”.

Eu sempre me perguntei porque acabamos ficando sozinhos nesta história. Por que entidades como as Madres acabaram tendo uma repercussão tão grande dentro do Brasil e nós não?” 

“O Brasil é o único país onde é um crime a gente buscar os responsáveis pelos crimes que foram cometidos na ditadura. É como se fôssemos leprosos ou criminosos”. 

“Quando a Brigada Militar age da forma que agiu com aquelas meninas, usando inclusive agentes infiltrados, e temos deputados na Assembleia agradecendo e engrandecendo a violência da Brigada, devemos ficar alertas”. 

(Suzana Lisbôa, militante política brasileira)

Em entrevista ao Sul 21

Bastidores do Teatro Real Dinamarquês

quinta-feira, 26 de maio de 2016

REFÚGIO, poema de Priscila Merizzio

Priscila Merizzio

os deuses protegem meu corpo
como o tapume circunscreve a catedral gótica

múmias apoteóticas
via régia de papiros a.C.
refúgio do bardo pagão

na abóbada
longe das trincheiras da revolução francesa
homens verdes urinam

de mármore, rezas, artilharia e gana
faz-se o caos

os deuses protegem meu corpo
irrevogavelmente politeísta
como os índios costuram
palmeiras nas ocas

espectros melífluos batizados no círculo mágico
desmistificação de aporias
jesuítas poluíram rios amazônicos com água benta
botos-cor-de-rosa engravidaram índias com sêmen europeu

os deuses protegem meu corpo
com o apetite irascível
dos elefantes africanos que
acossam as fêmeas

avançam com peso e presas
estraçalham carros e pessoas
trombas bramindo:
"afastem-se do que é meu".

Priscila Merizzio

"O Outro Mundo do Cacique Xicão" - Mundo Livre S/A


20 de maio: 18 anos do assassinato do Cacique Xicão.

Relembre 10 Filmes Brasileiros Premiados No Festival De Cannes



O sonho de todo cineasta brasileiro é ganhar os principais festivais no mundo e quem sabe um dia erguer a estatueta do Oscar. Mas enquanto isso não ocorre, vamos relembrar dos filme filmes brasileiros que participaram do Festival de Cannes e saíram dele premiados:


Divulgação 
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“O Cangaceiro” (1953)

Um dos produtos mais bem-sucedidos da Vera Cruz, o faroeste cangaceiro de Lima Barreto venceu o extinto prêmio de “melhor filme de aventura”. A escritora Rachel de Queiroz criou os diálogos que serviram de base para o roteiro de Barreto.


Reprodução 
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“O Pagador de Promessas” (1962)

Eis o curioso caso da única Palma de Ouro para o Brasil. Dirigido por um galã das chanchadas, Anselmo Duarte, o filme conquistou o festival, mas dividiu opiniões entre diretores do Cinema Novo e críticos. Era considerado um longa “datado” pelos detratores. Com dois astros do teatro no elenco, Leonardo Villar e Glória Menezes, recebeu indicação ao Oscar.


Reprodução 
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“Vidas Secas” (1963)

Ao lado de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, o filme de Nelson Pereira dos Santos representou um dos momentos mais significativos do cinema nacional no evento, em 1964. Adaptação do livro de Graciliano Ramos, ganhou o prêmio OCIC, honra eclesiástica conferida pela Igreja Católica.


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“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)

O matador de cangaceiros Antônio das Mortes retorna como protagonista na continuação de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Na terceira ida ao festival, o baiano Glauber Rocha levou seu prêmio mais importante: melhor diretor.


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“Di Cavalcanti” (1977)

Vencedor do prêmio do júri de melhor curta, o filme protagonizou um dos mais longos casos de censura artística no Brasil. Também intitulada “Di-Glauber”, a obra registra as filmagens de Glauber Rocha no velório e enterro do amigo pintor Di Cavalcanti, em 1976.

Filha adotiva do artista, Elizabeth considerou o trabalho uma falta de respeito e conseguiu proibi-lo. Anos mais tarde, o documentário foi disponibilizado na internet.


Reprodução 
Reprodução


“Meow” (1982)

Anos antes de “O Menino e o Mundo” se tornar a primeira animação nacional indicada ao Oscar, o curta de Marcos Magalhães venceu o prêmio de melhor filme pelo júri de curtas em Cannes. Na história, um gato esfomeado é atormentado pela globalização.


Reprodução/Adoro Cinema 
Reprodução/Adoro Cinema


“Memórias do Cárcere” (1984)

Relatados em livro homônimo, os meses em que Graciliano Ramos esteve preso em Ilha Grande, durante a era Vargas, ganharam a escala de grande produção nas mãos de Nelson Pereira dos Santos. Com Carlos Vereza e Glória Pires no elenco, o longa abriu a Quinzena dos Realizadores e venceu o prêmio da crítica internacional.


Divulgação/HB Filmes 
Divulgação/HB Filmes


“O Beijo da Mulher Aranha” (1985)

Na seara das coproduções, o filme francês “Orfeu Negro” (1959) adaptou a peça de Vinicius de Moraes e levou a Palma de Ouro.

Décadas depois, o argentino radicado no Brasil Hector Babenco visitou Cannes pela primeira vez com este produto Embrafilme recheado de atores de Hollywood e brasileiros (Sônia Braga, José Lewgoy, Milton Gonçalves). William Hurt venceu o prêmio de melhor ator no festival e no Oscar.


Reprodução/Adoro Cinema 
Reprodução/Adoro Cinema


“Eu Sei que Vou Te Amar” (1986)

Então com 20 anos, Fernanda Torres cativou o júri e levou o prêmio de melhor atriz. Ela dividiu a honra com a alemã Barbara Sukowa, protagonista de “Rosa Luxemburgo”. Especialista em filmar histórias de amor, Arnaldo Jabor acompanha as DRs de um jovem casal recém-separado.


Videofilmes/Divulgação 
Videofilmes/Divulgação


“Linha de Passe” (2008)

Ao narrar a história de uma família pobre na periferia de São Paulo, os diretores Walter Salles e Daniela Thomas consagraram a performance da atriz Sandra Corveloni, eleita melhor intérprete feminina entre todos os filmes que competiam pela Palma de Ouro.

Os cineastas foram ao palco receber o prêmio em nome da vencedora, que estava grávida e havia perdido seu bebê de seis meses antes do festival. Detalhe: com carreira no teatro, Sandra era estreante no cinema.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

terça-feira, 24 de maio de 2016

Para refletir (13)

Luiz Inácio Lula da Silva


"Não me senti confortável, estava muito triste. Não era apenas uma presidenta que estava deixando a Presidência de forma abrupta. Era um projeto de sonho, de inclusão social, que mostrou para o mundo que fica muito fácil você resolver os problemas do povo pobre quando você deixa de tratá-los como estatística ou problema social e trata como gente, como ser humano que tem direitos e deveres. Os pobres mal experimentaram conquistas sociais e já estão querendo tirar essas conquistas sociais dos pobres. Foi o dia da indignação pra mim".

(Luiz Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico, ex-presidente do Brasil, político e conferencista brasileiro)

Divã, poema de Viviane Barroso



Há um medo escondido
No papel que a Mulher carrega
Nas bordas do seu vestido.
Há um quase existir
Preso nas suas costuras malfeitas.
Há uma identidade inaudível
Ressoando lúcida
Pelas pregas amassadas da sua saia
Querendo virar poema.
Há a nula pretensão
Dilacerada pelo silêncio
Abrigado debaixo da sua nudez
Pura e retalhada,
Quase nada,
Árvore ainda
Antes de ser divã.
Há na Mulher poesia.
Essa brisa imatura
Que balança suas vestes
Até que o Tempo possa desaparecer
Porque há nela o trauma do espelho.
E seu ventre cansado implora sossego
Numa voz submissa
Que se esvai querendo virar palavra.
Mulher que cala.
E atravessa toda ponte
Para tocar a linha reta de um horizonte
Onde caibam os versos de eternidade
De suas sempre esquecidas promessas.


Viviane Barroso

Fotografias imaginárias

Frida com Maiakovscki



Frida com Maiakovscki e Dostoiévski

segunda-feira, 23 de maio de 2016

'Sê-lo-ia', Clotilde!



Ai, Clotilde, você viu como ele fala bem? Elegante. Outra postura, né? É, "adevogado". E aquela hora que ele falou assim, como é? Ah: "Sê-lo-ia"! "Sê-lo-ia", Clotilde! Imagina se o Lula ia falar uma coisa dessas? De improviso, ainda? Você viu os grampos do Lula?! Pra mim só aqueles palavrões já bastava pro Moro prender. Falta de educação, né? Não teve berço.

Não, eu, desde 2003 que eu tenho aquele adesivo da mão sem mindinho no carro! Eu tenho no meu, o Gilberto no dele, a Vanessa no dela e o Gilzinho no dele. Quer dizer, tinha no dele, né, que o Gilzinho bateu de novo. Ah, sabe como é, garoto, vai na festa, bebe, adianta falar? Mas tá lindo o meu Gilzinho, tem que ver! Forte! Não, saiu do jiu-jítsu, graças a Deus! Ele ia em festa, arrumava briga, cansei de ver o Gilberto saindo da cama de madrugada pra ir na delegacia molhar a mão de todo mundo. É, é da idade, eu sei.

O Gilberto falou que no tempo dele fazia igualzinho, mas o pai dele era general, né? Um telefonema e resolvia, agora não. Agora é essa corrupção horrorosa, tem que dar dinheiro pra todo mundo. Tá, a Vanessa tá bem, sim. Um pouco gorda, pra variar... Até falei pra ela, outro dia, minha filha, vem cá, corre, vem ver a Marcela na TV, olha essa mulher! Me diz, me diz se ela tivesse gorda que nem você quando o Temer apareceu lá em Paulínia? Imagina se o Temer ia se interessar por ela! Ela tava com 19, você já tá com 22, minha filha. Quando tinha passeata eu falava, Van, tem que ir! Só gente bonita! Assim de empresário! Assim de menino de família! Acha que ela me ouvia? Fazer o quê...

No mais tudo bem, sim. Quer dizer, médio. O Lu tá com aquela alergia de novo. As patas todas vermelhinhas, coitado. Não, troquei de veterinário, agora tô indo num que dá floral. É, floral. Ele falou que essa alergia do Lu podia ser psicossomática. Ele perguntou: "Cês tão com algum problema na família, alguma coisa assim?" Problema? Não... Aí eu matei! Era esse clima horroroso do país que o Lu tava somatizando! Ele ouvia a Dilma na televisão, o grampo do Lula, o Gilberto xingando, a gente batendo panela... Cachorro é muito sensível. Até isso o PT fez com a gente, Clotilde!

Mas parou, parou, vamos falar de coisa boa! Você foi na Francesca, ontem? Ah, nem me fala! Eu também! Meia hora parada esperando a polícia tirar aqueles vagabundos na rua, aí eu desisti. Ó lá, caímos no mesmo assunto! Clotilde, eu vi os baderneiros pelo vidro do carro: que gente feia! Tão diferente da nossa passeata! E você não vê nenhuma bandeira do Brasil ali no meio! Ninguém de verde e amarelo! Eles não têm orgulho de ser brasileiro? Sabe que é isso, Clotilde? É Lei Rouanet. É, eu li no Face. O governo roubava dinheiro da Petrobras e dava pros artistas, aí os artistas passavam direto pro MST, "black blocs", pra esses baderneiros. Chico Buarque, Leticia Sabatella... Aquele velho que gosta de mostrar a bunda... Isso! Zé Celso! Sério! Tava no Face! Mas acabou, Clotilde! Acabou a palhaçada! Derrubamos os petralhas, depois vamos prender o Lula, depois o Chico, depois a pentelha da Leticia Sabatella, depois o velho peladão e depois sabe o que, Clotilde? Sabe o quê? Depois vamos comemorar que a gente recuperou nosso Brasil de volta! Em Aspen!

Beijo, Clotilde! Amém!

TODA COLHEITA, livro de Itárcio Ferreira


Toda Colheita é uma coletânea de todos os meus 06 livros de poemas já escritos, com lançamento a cargo de Tarcísio Pereira Editor: "Se não canto, pelo menos grito" (1983), "Do amor, do prazer e da morte" (1988), "Apocalipse e outros poemas" (1989), "Sons e outros poemas" (1989), "Colheita" (2004) e "Manual do homem comum" (2015).

A festa de lançamento ocorrerá no Sarau da Boa Vista, no dia 24/09/16, na Rua do Hospício, no Bar Maremoto, em frente ao Teatro do Parque, em Recife.

Zé ramalho - "Eternas ondas"

Fagner - "Eternas Ondas"

domingo, 22 de maio de 2016

O messias reaça



Sonhei que saía uma nova versão da Bíblia e que nela o personagem principal era um messias reaça que ganhava seguidores no Twitter dizendo:

- Eu trabalhei pra conseguir esse pão e não preciso dividir com ninguém. Não to aqui pra sustentar vagabundo;

- Antes de multiplicar o peixe é preciso ensinar a pescar;

- Maria Madalena vai ser apedrejada? Mas também, andando sozinha a essa hora da noite, alguma coisa ela fez;

- Pai, seja feita a sua vontade. Vou cortar meu cabelo como homem;

- Vou transformar esse vinho em água. Não pense em festa, trabalhe. Gente festiva me irrita profundamente;

- Sou contra, aliás, a descriminalização do vinho;

- Amai-vos uns aos outros. Só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher;
- Eu apoio a terceirização dos apóstolos;

- Virar a outra face? Quero ver se fosse com alguém da sua família;

- Em verdade vos digo: um de vos irá me trair. MAS SEM VIADAGEM KKKK;

- Os fariseus e doutores da lei chegaram onde chegaram por ME-RI-TO-CRA-CIA;

- A César o que é de César; a Deus o que é de César;

- No meu governo vou dar um Ministério aos Vendilhões do Templo;

- Tá com dó de Barrabás? Leva pra casa.