Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Documentário: "Escolarizando o Mundo"

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA, poema de Manoel de Barros

manoel

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Para refletir (36)

Albert Einstein

"(...) O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos." (in Porquê o Socialismo?, Monthly Review Maio de 1944)

(Albert Einstein, físico teórico alemão)

Sissel Kyrkjebø - "Pie Jesu"

domingo, 25 de setembro de 2016

Uma epidemia de depressão

depressão
Ale Kalko



Por André Biernath

Ela já atinge praticamente 10% da população mundial e a projeção aponta um triste crescimento. Entenda por que a doença é considerada o mal deste século.

Em 1911, o então almirante Winston Churchill escreveu para sua esposa: "Acho que um médico pode ser útil para mim se o cachorro negro voltar. Ele parece estar distante agora, o que é um alívio. Todas as cores voltam à vida". Estaria o futuro primeiro-ministro britânico falando em códigos sobre uma missão ultrassecreta? Não! Ele apenas popularizara o termo "cachorro negro" como uma metáfora para depressão, da qual sofria longas e duras crises. Aliás, Churchill é só um nome de uma longa lista de personalidades com um ponto comum em suas biografias: Vincent Van Gogh, Abraham Lincoln, Albert Einstein e Charles Darwin também penaram com esse transtorno em algum momento da vida.

Mas a depressão não é uma má companhia apenas para os gênios das artes, das ciências e da política: ela atinge pessoas de todas as cores, classes sociais e faixas etárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apostava que o problema seria responsável por 9,8% do total de anos saudáveis desperdiçados pela humanidade lá em 2030. Pois não é que essa estimativa foi alcançada já em 2010, duas décadas antes do previsto? Atualmente, 400 milhões de pessoas convivem com o distúrbio no planeta. Além de liderar a lista das doenças mais incapacitantes, a melancolia sem fim gera gastos na casa dos 800 bilhões de dólares por ano — o equivalente ao Produto Interno Bruto da Turquia.

A situação em nosso país é particularmente ruim: um levantamento realizado pela americana Universidade Harvard em 18 localidades mostra que a prevalência de depressão no Brasil é a maior entre as nações em desenvolvimento, com um total de 10,4% de indivíduos atingidos. E a taxa de mortes relacionada a episódios depressivos (incluindo suicídios) aumentou 705% por aqui nos últimos 16 anos, segundo pesquisa realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Convém deixar clara a diferença entre depressão e tristeza. A primeira é uma doença, marcada por sentimentos de prostração, perda de interesse e prazer, culpa, baixa autoestima, distúrbios de sono e na alimentação, cansaço e déficit de concentração. Embora os médicos não conheçam em detalhes os motivos do início de uma crise — tampouco o que acontece direito no cérebro deprimido —, o quadro tem diagnóstico e tratamento. Portanto, não dá para caracterizá-lo como falha de caráter ou falta do que se preocupar. "Ainda há muito estigma, e isso só prejudica a melhora do paciente", diz o psiquiatra Táki Cordás, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP).

Na contramão, a tristeza faz parte da natureza humana. "Ela é uma das formas como expressamos o colorido das emoções", define o psiquiatra Luis Felipe Costa, consultor da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O problema começa quando esse sentimento paralisa e impede que a vida siga em frente. Aí é preciso procurar ajuda. O escritor americano Andrew Solomon, autor de O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras), obra que faz um grande retrato do transtorno, resume bem esse conceito: "O contrário da depressão não é a alegria, mas, sim, a vitalidade".

Mas como explicar essa explosão de casos nas últimas décadas? Os especialistas entrevistados por SAÚDE foram unânimes em apontar o melhor diagnóstico da doença como fator principal. "Talvez ela atingisse muita gente no passado, mas, por falta de informação, ficava escondida", avalia o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais interesse sobre o tema e médicos preparados justificariam, então, boa parte da epidemia.

Outro ingrediente de peso é uma palavra que acompanha a rotina de quase todo cidadão: estresse. "Em estudos com ratos jovens, vemos que ele é um desencadeador de depressão na vida adulta", observa a biomédica Deborah Suchecki, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em humanos, a tensão e o nervosismo além da conta fazem o cortisol decolar. Quando esse hormônio se mantém alto por um longo tempo, provoca uma bagunça cerebral. Que tristeza!

Nesse sentido, o fato de boa parte da população viver em cidades assoladas por trânsito, filas, violência e risco de ataques terroristas e catástrofes naturais faz o tal do cortisol chegar à estratosfera. O individualismo e a sobrecarga de informações que bombardeiam a cachola teriam efeito similar. "O estresse afeta a saúde mental na mesma medida que o tabagismo é prejudicial ao coração", compara o psiquiatra Gerard Sanacora, da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Pegando um gancho na fala do médico, um terceiro personagem importante dessa história é o abuso em álcool, tabaco e outras drogas. Dados de um levantamento da Unifesp de 2013 apontam um crescimento de 20% no consumo frequente de bebidas no Brasil, tendência que se repete no planeta inteiro. "A dependência química é uma das principais promotoras do transtorno", afirma o psiquiatra André Astete, que hoje atua na Secretaria Municipal de Saúde de São José dos Pinhais, no Paraná.

Cabe esclarecer que a depressão depende de uma predisposição genética para se manifestar. Em outras palavras, nem estresse nem drinques a mais conseguem, sozinhos, acordar o cachorro negro. "Eles funcionam como gatilhos para o surgimento do distúrbio", diz o médico Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. O problema é que, na sociedade moderna, o número de fatores prontos para deflagrar uma crise parece só aumentar.

Assim como acontece na maioria das doenças, flagrar a melancolia em seus estágios iniciais está relacionado a um tratamento mais efetivo e menos penoso. Além disso, quanto mais o quadro se prolonga, piores são suas repercussões. "Nosso desafio é encontrar os casos leves, uma vez que os moderados e graves são fáceis de perceber", atesta Cordás. Por ora, o diagnóstico é feito no consultório, com o relato do paciente e seu histórico familiar — a ciência ainda não descobriu uma molécula no sangue que denuncia a condição com assertividade.

Nesse sentido, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), uma comissão de estudiosos que elabora as políticas de saúde pública para o governo dos Estados Unidos, alterou a sua recomendação sobre a forma de detectar a depressão. Desde o começo de 2016, eles passaram a sugerir que os médicos — independentemente da especialidade — realizem testes de rastreamento em todos os pacientes acima de 18 anos. "Nos baseamos nos estudos em que pessoas identificadas previamente e tratadas com antidepressivos e psicoterapia obtêm uma melhora significativa dos sintomas", justifica o epidemiologista Michael Pignone, membro do USPSTF e professor da Universidade da Carolina do Norte.

O exame é composto de um questionário simples, com poucas perguntas. As respostas dão um indicativo de como anda a saúde mental do indivíduo. "É importante salientar que o rastreamento é só o primeiro passo. Caso o resultado inicial seja positivo, um psiquiatra realizará uma avaliação criteriosa", completa Pignone. Infelizmente, o Brasil não possui programas do tipo e não há uma discussão sólida para que se estabeleça algo nesse mesmo modelo. "Nosso país conta com apenas 5 500 psiquiatras para um número gigantesco de queixas", lamenta o neurocientista José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Só é necessário tomar cuidado para não enxergar um cachorro negro onde há apenas tristeza passageira. "Também precisamos fazer diagnósticos criteriosos e não confundir depressão com uma série de transtornos com características parecidas, como a bipolaridade", lembra o psiquiatra Pedro do Prado Lima, de Porto Alegre. Cada distúrbio pede uma tática diferente de combate — embaralhá-los, portanto, só atrapalha a recuperação.

Esqueça a história de que a depressão é uma doença exclusiva da mente. Pesquisas começam a comprovar que seus efeitos físicos vão muito além. Podem atingir, sem exageros, o corpo inteiro. O primeiro prejudicado é o próprio órgão do pensamento. "Conforme o quadro avança, ocorre uma diminuição em estruturas cerebrais importantes, como o hipocampo, relacionado à memória e às emoções", cita Sanacora. E essa é apenas uma de suas repercussões: o coração, as articulações e o sistema imunológico sofrem quando a melancolia se instaura de vez.

Pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, reuniram dados de 29 estudos com cerca de 3 900 pacientes para entender a fundo essas ligações perigosas. Após a análise, ficou claro que os sujeitos deprimidos carregam mais radicais livres no organismo — em excesso, esses elementos prejudicam o funcionamento das células saudáveis e abrem alas para uma coleção de encrencas. Por outro lado, substâncias antioxidantes, de efeito benéfico, se encontram em menor número. A notícia boa é que o tratamento correto traria de volta o equilíbrio a essa equação.

O drama para o corpo é que a depressão provoca um intenso estado inflamatório. Lembra da história do cortisol nas alturas? Pois ele volta a incomodar aqui. "Junto a uma série de fatores, altos níveis do hormônio baixam a imunidade e aumentam a propensão a artrite reumatoide, problemas cardiovasculares e até câncer", alerta Costa. O risco sobe nos casos em que o transtorno se desenvolve por anos a fio, sem nenhum contra-ataque adequado. Segundo Costa, médicos australianos testam inclusive o uso de anti-inflamatórios em parceria com os antidepressivos como uma forma de abreviar o tempo de resposta ao tratamento.

A relação entre melancolia e males cardiovasculares é particularmente forte. Uma investigação realizada pela Universidade de Bordeaux e sete outras instituições francesas acompanhou 7 313 indivíduos entre 1999 e 2001. Todos eles foram avaliados em quatro oportunidades distintas ao longo desse período. Aqueles que apresentavam altos índices de sintomas depressivos em todas as ocasiões tinham um risco 75% maior de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral, o AVC.

E olha que o caminho contrário também pode ocorrer: uma desordem qualquer pode ser o gatilho para um abalo psíquico. "Grupos com algum problema crônico se apresentam mais deprimidos que a população geral", afirma Astete. Foi o caso do escritor Andrew Solomon: após a morte de sua mãe e o fim de um relacionamento amoroso, uma crise de pedra nos rins foi a gota d'água para que o transtorno emergisse. "Senti o controle de minha própria vida escorregar das mãos. `Se essa dor não parar' disse para um amigo, `vou me matar'. Eu nunca tinha dito isso antes", escreveu.

Os tratamentos para depressão mudaram muito ao longo da história. Capacete de chumbo, couve-flor, gengibre, hidromel, mirra, banana-da-terra, masturbação e até um cano pingando água ao lado do doente já foram prescritos. É curioso notar também que os remédios surgiram há menos de 70 anos. Em geral, eles agem no cérebro e aumentam a presença de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar. "As classes medicamentosas prescritas atualmente partem do princípio de que há menos substâncias essenciais, como a serotonina, para o bom funcionamento dos neurônios", resume Deborah Suchecki.

A recuperação pode levar alguns meses ou até mesmo ser contínua. Nesses casos, o paciente toma uma dose de manutenção pelo resto da vida, para se certificar de que a depressão não voltará. "Quem teve uma primeira crise possui 50% de chance de sofrer outra no futuro", calcula Crippa. Caso o segundo episódio ocorra, a probabilidade de um terceiro sobe para 70%. Se o terceiro acontecer, o risco de um quarto chega a 90%. O sujeito que já passou por quatro momentos depressivos com certeza terá um quinto se nada for feito.

Isso só aumenta a importância de não abandonar a terapia pela metade. "Há um grande perigo de retorno, e com maior gravidade, se o paciente desistir no caminho", alerta o psiquiatra Fernando Fernandes, do Programa de Transtornos Afetivos do IPq-USP. Os comprimidos demoram três semanas para trazer melhoras. Porém, os pequenos ganhos iniciais não significam cura. É preciso seguir direitinho a orientação do especialista para não sofrer recaídas.

Nessas horas, é usual pedir apoio à psicoterapia, que se vale de técnicas de expressão dos sentimentos e orientações para trazer alívio. Nos casos leves, ela chega a dar conta do recado sozinha e até dispensa fármacos. "E, mesmo em situações avançadas, esse tipo de tratamento é um aliado primordial da terapia medicamentosa", ressalta Silva.

Em breve, novas opções reforçarão o arsenal terapêutico. É o caso do neuropeptídeo Y e da ocitocina, duas substâncias que mostraram eficácia no combate à depressão em testes iniciais. "A vantagem desses candidatos é uma ação rápida em relação às drogas disponíveis hoje, destaca Deborah. Nos estudos, elas foram administradas por meio de um spray nasal: a mucosa do nariz está cheia de terminações nervosas, o que faz a droga alcançar o cérebro com maior velocidade.

Contudo, de nada adianta apelar para novos medicamentos sem o suporte de familiares e amigos. "A certeza de apoio em um momento de extrema dificuldade é a chama de esperança para muita gente", reflete Nardi. Afinal, o tratamento não vai matar o cachorro negro. O objetivo é ensinar o paciente a lidar e conviver com ele diante das situações difíceis que aparecem pela frente. Amor e carinho são essenciais para que tudo dê certo. Com eles, o cão negro amansa e a vida se desvencilha da depressão para abraçar a vitalidade.

Via SAÚDE

Leia também: 

sábado, 24 de setembro de 2016

As mulheres mudarão o mundo


 
EUA

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Brasil

Suécia

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Brasil

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Turquia

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Brasil

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Palestina ocupada

GEOGRAFIA ÍNTIMA DO DESERTO, poema de Micheliny Verunschk

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I - O corpo amoroso do deserto

Teu corpo
branco e morno
(que eu deveria dizer sereno)
é para mim suave e doloroso
como as areias cortantes
dos desertos.

Que importa
que ignores minha sede
se tua miragem
é água cristalina?

E a miragem
eu firo com mil línguas
e cada uma
é um pássaro a bebê-la.

Ferroam minha pele
escorpiões de sol
com seu veneno
e vejo,
magoada de desejo
os grãos tão leves
indo embora ao vento. 

II - A presença dolorosa do deserto

Teu nome
é meu deserto
e posso senti-lo
incrustado
no meu próprio
território
como uma pérola
ou um gesto no vazio
como o amargo azul
e tudo quanto
há de ilusório.
Teu nome
é meu deserto
e ele é tão vasto,
seus dentes tão agudos,
seus sóis raivosos
e suas letras
(setas de ouro e prata
dos meus lábios)
são meu terço
de mistérios dolorosos.

6 aulas virtuais incríveis e gratuitas de literatura. De Homero a William Faulkner, você pode descobrir muito sobre vários autores com uma visita ao YouTube.

 (Foto: Pixabay/Domínio Público)

Bruno Vaiano*, na Galileu
Não tenha medo. A literatura não é o bicho de sete cabeças que o colégio te fez pensar que era. Ela está nos alicerces da nossa cultura e sua influência está por todos os cantos. Ela está tão impregnada na nossa formação, na verdade, que é bem provável que você já goste de literatura e só não saiba disso ainda. A GALILEU selecionou aulas, palestras e entrevistas com grandes professores e críticos literários do Brasil e do exterior que te farão ir correndo para a livraria.
É bom começar pelo começo. Paul Fry é especialista em poesia romântica britânica, mas aqui ele dá os alicerces para qualquer um que queira se aprofundar no uso estético da palavra. Seu curso, ministrado em Yale, passa por questões básicas, como “O que é literatura?”, e dá um panorama da história, das tendências e das linhas de pensamento da teoria literária. Perfeito para quem não quer fazer feio na mesa do bar — ou para quem quer chegar afiado a aulas, palestras e entrevistas sobre autores específicos como as que vem abaixo.
Depois das densas aulas de nível universitário de Fry, você pode respirar vendo uma palestra de um dos mestres da crítica literária contemporânea, o norte-americano Stephen Burt, no TED. Ele fala de sua relação com a poesia com tanto amor que é fácil se esquecer de que ele é um acadêmico. Mas sua palestra é uma resposta curta e concisa a todos os céticos que perguntam qual é a importância dos versos.
15.693 versos escritos há mais de 2 mil anos. É difícil imaginar um estudante que optaria espontaneamente pela Ilíada como leitura de final de semana. Mas o professor da Universidade de São Paulo (USP) André Malta não mede esforços em transformar o poema épico na coisa mais legal de que você ouviu falar hoje.
O estilo de Guimarães Rosa é desafiador. Ele conhece a língua portuguesa tão bem que inclusive criou suas próprias palavras em incontáveis ocasiões (fizeram um dicionário só para ele). Suas obras são tão detalhadas e ricas em possibilidades de interpretação quanto seu uso do português, e elas podem ir de um pesadelo a uma experiência reveladora pelas mãos de José Miguel Wisnik, músico crítico literário e professor brasileiro. Wisnik te pega pela mão e vai revelando cada cantinho do conto central da obra Corpo de Baile. E você ficará impressionado com quanta coisa cabe em tão poucas páginas — ignore o cenário.
Quem tenta ler as primeiras páginas de O Som e a Fúria cai da cadeira. Um fluxo de pensamento interminável e impenetrável, com pontuação no mínimo ousada, introduz o leitor à mente de uma personagem autista. É por meio de seus olhos que começamos a assistir ao declínio de uma família aristocrática do sul dos EUA no início do século 20. A obra é incrível, e pode ficar melhor com uma ajudinha da professora Munira Mutran.
Nosso último vídeo não é sobre um livro específico. Mas sobre quantos livros ainda há para ler por aí. Ann Morgan, escritora e editora de livros britânica, resolveu ler uma obra literária de cada país do mundo para saber o que estava perdendo. E descobriu que era muita coisa. Um estímulo para você continuar atrás de cada vez mais aulas.
*Com supervisão de Isabela Moreira

Alcione - "Sufoco"

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Onde está meu filho! poema de Bertolt Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Mateus Alves - "As duas estações nordestinas" - Trilha sonora do filme AQUARIUS - Direção: Kleber Mendonça Filho (10)

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USP oferece 8 cursos online e gratuitos de ciências humanas na plataforma Veduca

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História

  1. Visões do Brasil, Século XIX;
  2. História do Brasil Colonial II
  3. Aristocracia e Igreja na Idade Média
  4. Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda

Filosofia

  1. Filosofia e Intuição Poética na Modernidade;
  2. Tópicos de Epistemologia e Didática;
  3. Empirismo e Pragmatismo Contemporâneos;

Política

  1. Ciência Política: Qualidade da Democracia

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Beleza Feminina


Bebendo Sozinho com a Lua, poema de Li T'ai Po

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De um pote de vinho entre as flores,
Bebo solitário. Ninguém me acompanha...
Até que, erguendo minha taça, pedi à lua brilhante
Para trazer-me minha sombra e para que fizéssemos três.
Ai de mim, a lua era incapaz de beber
E minha sombra me acompanhava despreocupada;
Mas ainda por um momento tive dois amigos
Para me alegrarem já no fim da primavera...
Cantei. A lua me encorajava.
Dancei. Minha sombra espojava-se no chão.
Tanto quanto me lembro fomos bons companheiros.
E depois fiquei bêbado e nos perdemos um do outro.
... A boa vontade deverá ser sempre mantida?
Fiquei olhando a longa estrada do Rio das Estrelas.

Li T'ai Po

Para refletir (35)


Ave Sangria - "Dois Navegantes" - Trilha sonora do filme AQUARIUS - Direção: Kleber Mendonça Filho (8)

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A história da maconha, a droga mais polêmica do mundo. Conheça a origem, a evolução, o que a marginalizou e proibiu, o significado de 4:20 e muito mais.


Via Psicodelia.org

Escrevendo sobre a pesquisa que diz que quem ouve música alta tem mais chances de fumar maconha, acabei lendo coisas sobre a história da Cannabis sativa, e acabei me inspirando para escrever este conteúdo. Esta pesquisa não tem intenção de fazer apologia ao uso de drogas, mas de uma análise historiográfica em torno da origem da maconha no Brasil e no mundo.

A História

Maconha, a droga mais polêmica do mundo possuí seu primeiro registro em 27.000 a.C. A planta tem origem no Afeganistão e era também utilizada na Índia em rituais religiosos ou como medicamento. Na mitologia, a Cannabis era a comida preferida do deus Shiva, portanto, tomar bhang, uma bebida que contém maconha, seria uma forma de se aproximar da divindade. Na tradição Mahayana do budismo, fala-se que antes de Buda alcançar a iluminação, ficou seis dias comendo apenas uma semente de maconha por dia e nada mais. Como medicamento a planta era usada para curar prisão de ventre, cólicas menstruais, malária, reumatismos e até dores de ouvido. 

Há quem negue a história do Buda, mas há quem afirme.
Romanos e gregos usavam-na para a fabricação de tecidos, papéis, cordas, palitos e óleo. Heródoto, o pai da História, menciona a utilização do cânhamo (presente no caule da maconha), para fazer cordas e velas de navios. Inclusive, é bom mencionar o quão presente esta planta esteve na formação do Brasil, pois as velas e cordas das caravelas portuguesas que aqui chegaram também eram feitas de cânhamo, assim como muitas vestimentas dos portugueses. 
O cultivo da maconha se expandiu da Índia para a Mesopotâmia, depois Oriente Médio, Ásia, Europa e África. Na renascença a maconha tornou-se um dos principais produtos agrícolas europeus, sendo pouco usada como entorpecenteJohannes Gutemberg, inventor e gráfico alemão, teve sua maior e mais famosa obra A Bíblia de Gutemberg, a primeira Bília impressa, feita com papel de cânhamo. Ironico, né?! Com a "Santa Inquisição", os católicos passaram a condenar o uso medicinal da maconha feito por "bruxas", estas por sua vez foram queimadas por usarem a planta no feitio de remédios. 
A primeira Bília impressa da história usou Cannabis como matéria prima.
Na Bélle Époque (final do século XIX), a maconha virou moda entre os artistas e escritores franceses, mas era também utilizada como fármaco para dilatar bronquios e curar dores. Dentre os intelectuais quechapavam o coco, podemos citar: Eugene Delacroix, Victor Hugo, Charles Buadelaire, Honoré de Balzac e Alexandre Dumas. Eles se reuniam para fumar haxixe e pesquisavam sobre o efeito da droga no tratamento de doenças mentais. Nessa época o Brasil vendia cigarros de maconha em farmácias! 
OK, a marca não era Marlboro, isso é só uma montagem.
A maconha foi trazida para a América do Sul pelos colonizadores e as primeiras plantações foram feitas no Chile, por espanhóis. No Brasil, como já citei, além das caravelas, durante o século XVI os escravos africanos traziam-na escondida na barra dos vestidos e das tangas, para que fossem usadas em rituais de Candomblé. Outra possibilidade da cannabis ter chego até o nosso país é através dos marinheiros portugueses. Vale lembrar que a afirmativa de que a planta tenha sido trazida por africanos muitas vezes repercutiu como forma de preconceito, e nada prova que ela não possa ter sido trazida por marinheiros portugueses. Inclusive o uso de cachimbos d'àgua, principal técnica utilizada para fumar a erva até a primeira metade do século XX, teria sido introduzida pelos portugueses, estes por sua vez haviam trazido o hábito das culturas canábicas com as quais tiveram contato na Índia, principalmente na nossa boa e velha Goa
Cachimbo de água.
Em 1783, o Império Lusitano instalou no Brasil a Real Feitoria do Linho-cânhamo (RFLC), uma importante iniciativa oficial de cultivo de cannabis com fins comerciais por causa da demanda de produtos a base de fibras. Segundo historiadores e pesquisadores estudiosos da área, há inúmeros indícios de que Portugal investiu alto na plantação de marijuana no Brasil. Para que isso ocorresse, a Coroa financiou não só a introdução, mas também a adaptação climática da espécie em Hortos de estados como o Pará, Amazônia, Maranhão, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. 

O que aconteceu para que a maconha se tornasse tão repudiada?

No século XX, a maconha ainda era uma droga lícita e economicamente positiva, mas se tornou pouco aceita por representar as baixas classes sociais, pois a erva representava as raízes culturais do continente africano. Vale destacar que até então, colonizadores, senhores de engenho e Agentes do Império Lusitano já estavam habituados com o cultivo e uso da erva, mas o preconceito foi mais forte.
O primeiro documento proibindo o uso da maconha foi da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 1830. Este documento penalizava o uso da erva, mas não houve repercussão sobre o assunto. Porém, no inicio do século XX, com a industrialização e urbanização, o hábito de "puxar um" ganha adeptos, além de ex-escravos, mestiços, índios e imigrantes rurais, os moradores do meios urbanos passaram a utilizar a Cannabis, e é aí que autoridades começam a se preocupar com a repercussão da droga. 
Apesar da planta ser utilizada como matéria-prima para fibra textil principalmente da elite, sua imagem ficou marcada e associada pelos pobres, negros e indígenas. No final do século XIX e inicio do XX, o processo de urbanização fez com que a população imigrante fosse vista como fonte de problema sanitário. Grupos higienistas e médicos  passaram a estudar e controlar a população através de instituições específicas. Criaram-se delegacias, Inspetoria de Entorpecentes, Tóxicos e Mistificações, que era responsável por reprimir práticas religiosas africanas ou indígenas, em geral, consideradas como feitiçaria, candomblé ou magia negra. A capital brasileira tinha que servir de modelo, e desta forma a população pobre que vivia nos centros urbanos passaram e ser perseguidas, tiveram suas casas e cortiços destruidos, passaram assim dos centros para as margens da cidade, formando as famosas favelas do Rio de Janeiro.
"Eu não fumo maconha, é coisa de preto"
Um fato curioso não confirmado: em 1924 o repudio contra a maconha piorou, e querem saber o pior? O culpado disso tudo foi um brasileiro! Durante uma reunião da Liga das Nações (antecessora da ONU), governantes estavam reunidos para discutir sobre o ópio, porém, o colega brasileiro aproveitou o momento para fazer um discurso sobre a maconha, afirmando que a droga matava mais que o ópio.Pode isso?! E foi desta forma que a maconha entrou na lista das substâncias passíveis de punição. Já com a ONU formada, em 1961, a maconha, junto com a heroína, foram consideradas as drogas mais perigosas e nocivas. Porém, são justamente os anos 60, do Movimento Hippie, que fizeram as drogas serem mais difundidas e vistas como combustível criativo.
Algo me diz que não é um cigarro comum...
Atualmente há inúmeras polêmicas e discussões em torno do assunto. De um lado, pessoas que apoiam sua liberação para uso terapêutico, assim como já é feito em lugares como Holanda, Bélgica, Espanha, Itália, França, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca, Australia, Ásia, Oriente Médio, África, Estados Unidos, Canadá. Dentre movimentos representativos a favor, podemos citar o mais famoso deles: a Marcha da Maconha. De outro lado, pessoas mais conservadoras que alegam que a maconha além de ser prejudicial, pois aumenta a propensão à esquizofrenia e a doenças bronquio pulmonares, é uma porta para o uso de outras drogas.
Nos EUA, o dia 20 de abril é comemorado como o Weed Day, ou Dia da Erva, em português. A data foi criada por estudantes da San Rafael High School em 1971, e acabou evoluindo para um feriado da contracultura, sendo dia para manifestações e eventos favoráveis à legalização. É desta data que surgiu a brincadeira de 4:20, que inunda nossos Facebooks atualmente: é uma referência à data 4/20 (nos EUA o mês vem antes do dia na data).
E agora? Sua mãe vai saber o significado do 4:20 
e você não poderá mandar mais no Facebook :(
Diante disso, voltamos à eterna reflexão: ela deveria mesmo ser proíbida? Os danos à saúde existem, mas é claro que a proibição é uma decisão muito mais apoiada em política e sociedade do que em saúde. As comparações com os danos e efeitos da nicotina e do álcool já estão banalizadas, mas são pertinentes. Será que mesmo um século depois, ainda precisamos marginalizar uma substância como uma forma de segregar a baixa sociedade? Qual a sua opinião?

EXTRA: 15 coisas que você deveria saber sobre a maconha

*Imagens retiradas do Hempadão.
*Para quem gostou e quer se aprofundar no assunto, referências na internet é o que não faltam. Nesse link aqui tem um documentário completo em forma de vídeo do History Channel, contando detalhadamente a História da Maconha.