Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

OS DEZ MELHORES FILMES QUE ASSITI NA VIDA, por Itárcio Ferreira

 


I

CINEMA PARADISO (1988), GIUSEPPE TORNATORE

HAIR (1979), MILOŠ FORMAN

A DOCE VIDA (1960), DE FEDERICO FELLINI

O PODEROSO CHEFÃO (1872), FRANCIS FORD COPPOLA

OS SETE SAMURAIS (1954) AKIRA KUROSAWA


II


AMARELO MANGA (2002), DE CLÁUDIO ASSIS

ELES NÃO USAM BLACK-TIE (1981), LEON HIRSZMAN

MACUNAÍMA (1969), JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE

LAVOURA ARCAICA (2001), JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE

BACURAU (2019) ,KLEBER MENDONÇA


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

MAIS DE 300 FILMES ALTERNATIVOS LEGENDADOS PARA ASSISTIR ONLINE



A Filmoteca Online foi criada há quase três anos com o objetivo de facilitar o acesso a filmes que estão fora do circuito comercial.

“Sempre assisti muitos filmes e tenho um espírito um pouco arqueológico para o cinema, gosto de desenterrar coisas raras e pesquisar sobre filmes que caíram no esquecimento. “

Um catálogo riquíssimo e com uma curadoria primorosa, com filmes de mais de 40 países. Porém, para conseguir ver os filmes você precisa criar um perfil no VK, uma espécie de Facebook russo (é rápido e vale a pena pelo catálogo de filmes) ou consultar outras formas alternativas de assistir aqui.

As imagens do início do post são filme "Suspiria", do italiano Dario Argento. Um filme de terror com um visual que vai encanta qualquer fã do Wes Anderson.

Para explorar o catálogo, clique aqui. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Cena Do Filme Que Marcou Época




Um jovem, filho de um amigo meu, considera essa cena brochante. Reclama que a calcinha que Kelly LeBrock usa é tipo calcinha da vovó (ou do vovô). Sorrio. Antes da era da internet a única maneira de consumirmos erotismo era através de revistas - lembro da revista Homem, a primeira que tive acesso com fotos de mulheres nuas, tipo Playboy, fora os catecismo de Carlos Zéfiro, que eram desenhados - ou em filmes assistidos em cinema ou na TV aberta. Ver um seio desnudo ou as coxas de uma mulher era motivo suficiente para se ficar excitado. Tive o meu primeiro computador pessoal em 1999, já na era da internet a partir daí um catálogo extenso de erotismo e pornografia tornou-se acessível a qualquer garoto de 10 anos. Na minha época não era assim. Considero a cena - inspirada em "O Pecado Mora ao Lado", com o mito Marilyn Monroe,  bastante excitante, mas, sou um velho. Grande Kelly LeBrock. Grande Gene Wilder, o eterno Willy Wonka.

I.F.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Relembre 10 Filmes Brasileiros Premiados No Festival De Cannes



O sonho de todo cineasta brasileiro é ganhar os principais festivais no mundo e quem sabe um dia erguer a estatueta do Oscar. Mas enquanto isso não ocorre, vamos relembrar dos filme filmes brasileiros que participaram do Festival de Cannes e saíram dele premiados:


Divulgação 
Divulgação


“O Cangaceiro” (1953)

Um dos produtos mais bem-sucedidos da Vera Cruz, o faroeste cangaceiro de Lima Barreto venceu o extinto prêmio de “melhor filme de aventura”. A escritora Rachel de Queiroz criou os diálogos que serviram de base para o roteiro de Barreto.


Reprodução 
Reprodução


“O Pagador de Promessas” (1962)

Eis o curioso caso da única Palma de Ouro para o Brasil. Dirigido por um galã das chanchadas, Anselmo Duarte, o filme conquistou o festival, mas dividiu opiniões entre diretores do Cinema Novo e críticos. Era considerado um longa “datado” pelos detratores. Com dois astros do teatro no elenco, Leonardo Villar e Glória Menezes, recebeu indicação ao Oscar.


Reprodução 
Reprodução


“Vidas Secas” (1963)

Ao lado de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, o filme de Nelson Pereira dos Santos representou um dos momentos mais significativos do cinema nacional no evento, em 1964. Adaptação do livro de Graciliano Ramos, ganhou o prêmio OCIC, honra eclesiástica conferida pela Igreja Católica.


Reprodução 
Reprodução


“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)

O matador de cangaceiros Antônio das Mortes retorna como protagonista na continuação de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Na terceira ida ao festival, o baiano Glauber Rocha levou seu prêmio mais importante: melhor diretor.


Divulgação 
Divulgação


“Di Cavalcanti” (1977)

Vencedor do prêmio do júri de melhor curta, o filme protagonizou um dos mais longos casos de censura artística no Brasil. Também intitulada “Di-Glauber”, a obra registra as filmagens de Glauber Rocha no velório e enterro do amigo pintor Di Cavalcanti, em 1976.

Filha adotiva do artista, Elizabeth considerou o trabalho uma falta de respeito e conseguiu proibi-lo. Anos mais tarde, o documentário foi disponibilizado na internet.


Reprodução 
Reprodução


“Meow” (1982)

Anos antes de “O Menino e o Mundo” se tornar a primeira animação nacional indicada ao Oscar, o curta de Marcos Magalhães venceu o prêmio de melhor filme pelo júri de curtas em Cannes. Na história, um gato esfomeado é atormentado pela globalização.


Reprodução/Adoro Cinema 
Reprodução/Adoro Cinema


“Memórias do Cárcere” (1984)

Relatados em livro homônimo, os meses em que Graciliano Ramos esteve preso em Ilha Grande, durante a era Vargas, ganharam a escala de grande produção nas mãos de Nelson Pereira dos Santos. Com Carlos Vereza e Glória Pires no elenco, o longa abriu a Quinzena dos Realizadores e venceu o prêmio da crítica internacional.


Divulgação/HB Filmes 
Divulgação/HB Filmes


“O Beijo da Mulher Aranha” (1985)

Na seara das coproduções, o filme francês “Orfeu Negro” (1959) adaptou a peça de Vinicius de Moraes e levou a Palma de Ouro.

Décadas depois, o argentino radicado no Brasil Hector Babenco visitou Cannes pela primeira vez com este produto Embrafilme recheado de atores de Hollywood e brasileiros (Sônia Braga, José Lewgoy, Milton Gonçalves). William Hurt venceu o prêmio de melhor ator no festival e no Oscar.


Reprodução/Adoro Cinema 
Reprodução/Adoro Cinema


“Eu Sei que Vou Te Amar” (1986)

Então com 20 anos, Fernanda Torres cativou o júri e levou o prêmio de melhor atriz. Ela dividiu a honra com a alemã Barbara Sukowa, protagonista de “Rosa Luxemburgo”. Especialista em filmar histórias de amor, Arnaldo Jabor acompanha as DRs de um jovem casal recém-separado.


Videofilmes/Divulgação 
Videofilmes/Divulgação


“Linha de Passe” (2008)

Ao narrar a história de uma família pobre na periferia de São Paulo, os diretores Walter Salles e Daniela Thomas consagraram a performance da atriz Sandra Corveloni, eleita melhor intérprete feminina entre todos os filmes que competiam pela Palma de Ouro.

Os cineastas foram ao palco receber o prêmio em nome da vencedora, que estava grávida e havia perdido seu bebê de seis meses antes do festival. Detalhe: com carreira no teatro, Sandra era estreante no cinema.

segunda-feira, 7 de março de 2016

20 filmes perfeitos escondidos no Netflix

 


1. Os Excêntricos Tenenbaum
Quem conhece o trabalho de Wes Anderson, o diretor do filme, pode esperar por duas coisas: personagens encantadores e figurinos fabulosos. Em “Os Excêntricos Tenenbaum” não é diferente, e aí que reside toda a magia do longa, já que a história não é lá um poço de originalidade. Royal (Gene Hackman) é um vigarista e só causa problemas para sua família, até o dia que é expulso de casa. Anos depois, arrependido, inventa estar morrendo para se aproximar dos filhos, todos eles gênios, diga-se. Humor refinado e um monte de ator bacana, não perca essa joia!

2. Um Conto Chinês
O que acontece quando um imigrante chinês sem falar uma palavra sequer de espanhol acaba em Buenos Aires, na Argentina, e cruza o caminho de um mau humorado comerciante? O resultado dessa incomum amizade pode ser visto no delicado “Um Conto Chinês”! É cinema argentino da melhor qualidade e mais uma performance muito boa de Ricardo Darín!

3. Thelma & Louise
Clássico dos anos 1990, “Thelma & Louise” é um daqueles filmes que não tem como ficar indiferente, principalmente quando conhecemos o drama de Thelma (Geena Davis). Vítima de um relacionamento abusivo, ela topa fugir de seu opressor ao lado da amiga Louise (Susan Sarandon). O problema é que no meio do caminho elas acabam se envolvendo no meio de um assassinato e começa uma busca alucinante da polícia por essas duas. Uma história incrível sobre amizade que, veja só, traz como bônus o jovem Brad Pitt. Longa obrigatório para cinéfilos!

4. Kramer vs. Kramer
Joanna Kramer (Meryl Streep) não verbalizava, mas estava em depressão e exausta. Exausta de ser a esposa-troféu com uma existência baseada em cuidar do filho e esperar o marido voltar de seu emprego. Até que um dia ela cansa e, simplesmente, vai embora. E é aí que começa o filme, já que Ted (Dustin Hoffman) se vê obrigado a cuidar sozinho do pequeno Billy (Justin Henry), algo antes impensável. Ele vai ter que aprender a cozinhar, ajustar seus horários, enfim, tudo o que implica criar uma criança. Até o dia que Joanna volta – trabalhando e ganhando muito mais dinheiro do que ele – e entra na Justiça pela guarda do garotinho. Pelo papel, Meryl ganhou seu primeiro Oscar.

5. Sentidos do Amor
Como seria viver num mundo onde as pessoas perderam os sentidos? Tato, olfato, audição, visão… O fim dos tempos, parece, está próximo e essa curiosa – e terrível – doença não para de avançar e acometer mais e mais pessoas. No meio do furacão está o casal Susan (Eva Green) e Michael (Ewan McGregor), que tenta equilibrar a relação com a iminente (será?) destruição da raça humana.

6. Manhattan
Um dos melhores filmes de Woody Allen, “Manhattan” invoca os pontos fortes do diretor: diálogos maravilhosos, humor ácido, crítica da sociedade afiada e, claro, Nova York. Para quem quer se aprofundar no trabalho do diretor e entender o legado dele, o longa é fundamental.

7. Loucamente Apaixonados
O título em português é muito ruim, mas vai pela gente: o filme é ótimo. E bem fácil de se relacionar. Anna (Felicity Jones), uma inglesa em intercâmbio nos Estados Unidos, conhece Jacob (Anton Yelchin) e logo se apaixona, ela fica tão “louca de amor” que ignora a validade do seu visto e é deportada do país. Longe do amado, ela tenta fazer durar essa relação à distância. J. Law está no elenco também.

8. Paris, Texas
Dirigido pelo aclamado diretor alemão Win Wenders, “Paris, Texas”, a gente já avisa, é um filme lento, muito lento! Mas nem por isso deixa de ser genial. Aliás, é essa lentidão o seu charme. Parece que o longa consegue captar toda a melancolia e culpa do protagonista, Travis (Harry Dean Stanton), que, quatro anos após abandonar esposa e filho, é encontrado sem memória num hospital. Apenas assistam essa joia!

9. Oranges and Sunshine
Baseado em fatos reais, “Oranges and Sunshine” emociona demais. E só de ler a sinopse dá para entender! Margaret Humphreys (Emily Watson) é uma assistente social e descobre um dos maiores escândalos do Reino Unido, o tráfico de crianças pobres para trabalhar em países como a Austrália. Prepare o lencinho, tá?

10. Perdidos na Noite
O grande vencedor do Oscar de 1970 (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado), “Perdidos na Noite” é tudo isso aí mesmo. O jovem Joe Buck (John Voight) vai embora do Texas para tentar a vida na cidade grande. Em Nova York, vestido como cowboy, ele começa a ganhar dinheiro como garoto de programa. Já desiludido, encontra “nos braços” de Ratso (Dustin Hoffman), um “mendigo” coxo e mau humorado, alguém para lhe fazer companhia na big apple. E, bem, a relação criada pelos dois é nada menos do que apaixonante. Reflexo da sociedade da época, o longa é bastante competente em captar o espírito de seu tempo e, principalmente, abrir espaço em hollywood para temas mais polêmicos.

11. O Abrigo
Eles eram uma família feliz e tranquila até Curtis (Michael Shannon), o patriarca, começar a ter perturbadores pesadelos com uma tempestade apocalíptica. Obssessivo, o cara constrói um abrigo dentro de casa e o espectador não sabe se ele está falando a verdade ou, se devido seu histórico familiar, está sofrendo de esquizofrenia. E essa a graça do filme, tentar desvendar esse “mistério”, já que o final é, digamos, controverso. Jessica Chastain está no elenco também.

12. Uma Boa Mentira
Choque cultural é o que define esse longa! Emocionante, conta a história dos três sudaneses Mamere (Arnold Oceng), Jeremiah (Ger Duany) e Paul (Emmanuel Jal) que, após sofrer horrores em seu país de origem, conseguem a oportunidade de ter uma vida melhor nos Estados Unidos. E é quando conhecem Carrie (Reese Witherspoon), uma assistente social, que eles se deparam com um novo universo.

13. Deus da Carnificina
Baseado na peça homônima da francesa Yasmina Reza, “Deus da Carnificina” é um filme baseado em diálogos. Por isso, não espere grandes efeitos especiais ou reviravoltas malucas. Agora, espere por excelentes atuações de Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly.

14. White Elephant
Quando dois padres resolvem comprar briga para ajudar os mais pobres na periferia de Buenos Aires. Se à primeira vista a história do longa pode parecer clichê, não se engane: o olhar do diretor Pablo Trapero faz toda a diferença. Ah, e Ricardo Darín, como sempre, dá um show.

15. Depois de Lúcia
“Depois de Lucia”, dirigido pelo mexicano Michel Franco, é violento, muito violento. Acompanha a vida de Roberto(Gonzalo Vega Jr.) que, após a morte da esposa, ao lado de sua filha Alejandra (Tessa Ia), decide mudar para a Cidade do México. E é lá onde toda a ação do filme acontece. Espere para sentir muito ódio por todas situações de abusos físicos e emocionais pelos quais a garota irá sofrer em seu colégio. Um filme contundente, crítico e de extrema importância.

16. Ginger & Rosa
São os anos 1960, a revolução sexual está aí, assim como a ameaça de uma bomba nuclear. E é nesse cenário, de uma efervescente Londres, que o espectador é convidado a conhecer a fascinante amizade de Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert), duas garotas muito espertas que desejam ardentemente não “acabar” como as mães. Mas, né, sempre tem uma pedra no caminho e a relação das duas vai passar por uma grande prova. Talvez ela acabe…

17. Um Santo Vizinho
Vincent (Bill Murray) não é exemplo para ninguém. Fumante, alcoolatra, viciado em corridas de cavalo e sem dinheiro, ele é o retrato de uma pessoa decadente. Mas, né, o destino, esse danado que adora aparecer pelos lados de Hollywood, resolve colocar Maggie (Melissa McCarthy), acompanhada de seu filho Oliver (Jaeden Lieberher), em seu caminho. O resultado é uma incomum amizade e um festival de lágrimas. É clichê, mas não tem como não se emocionar.

18 – Cães de Aluguel
No filme de estreia de Quentin Tarantino, o fracasso de um roubo expõe a existência de um informante na gangue. Aqui o diretor apresenta ao mundo duas marcas registradas de suas obras: diálogos longos e magnéticos e baldes de sangue jorrando na câmera.

19 – Desconstruindo Harry
Um romancista alienado (Woody Allen) se complica ao publicar histórias verídicas de conhecidos, ofendendo, irritando e afastando todos à sua volta. O diretor ainda assina outros títulos clássicos do catálogo, como: Celebridades, Simplesmente Alice e Tiros na Broadway.

20 – Platoon
A perspectiva de um ingênuo soldado (Charlie Sheen) na Guerra do Vietnã começa a mudar quando ele vê seus compatriotas cometendo assassinatos e estupros. Esse clássico de guerra rendeu quatros Oscar para a equipe dirigida por Oliver Stone.

domingo, 24 de maio de 2015

Capitão Falcão (Trailer 2015)


Capitão Falcão conta a história de um super-herói Português ao serviço do Estado Novo. Juntamente com o seu parceiro, Puto Perdiz, Falcão combate todas as ameaças à Nação Lusitana, respondendo a um homem apenas, António de Oliveira Salazar. Mas estranhos acontecimentos e uma ameaça democrática começam a invadir a capital. Conseguirá Capitão Falcão salvar o dia?

domingo, 17 de maio de 2015

Os melhores filmes de todos os tempos, segundo críticos e cineastas




Por Jessica Soares, via Super Interessante

A cada dez anos, críticos e cineastas de todo o mundo são convocados pela revista de cinema Sight and Sound para uma grande e arriscada missão: responder à uma pesquisa que irá determinar os melhores filmes já produzidos.
A lista da crítica especializada, produzida a partir das opiniões de pelo menos 800 profissionais, é um dos rankings mais importantes e respeitados do meio. De 1952, ano em que começou a ser realizada, até 2012, a honra de estar no topo foi do clássico de Orson Welles, Cidadão Kane (1941) – que foi desbancado por Um corpo que cai (1958), de Alfred Hitchcock, filme que mantém, pelo menos até 2022 (quando uma nova pesquisa será conduzida), o título de melhor filme segundo os críticos.
Já o ranking dos melhores filmes segundo 328 cineastas, realizado desde 1992, lista outro longa como #1 em sua versão atual: Era uma Vez em Tóquio (1953), do diretor Yasujirô Ozu – filme descrito como sutil e sensível que “permite que o público experimente as tensões e exigências da vida moderna”.
Abaixo você vê a lista completa de filmes citados no top 10 de críticos e diretores e suas colocações sem cada uma das listas:
01_vertigo
Um corpo que cai (1958), de Alfred Hitchcock
#1 no ranking da crítica // #7 no ranking dos cineastas

02_kane
Cidadão Kane (1941), de Orson Welles
#2 no ranking da crítica // #2 no ranking dos cineastas

03_tokyo
Era uma Vez em Tóquio(1953), Yasujirô Ozu
#3 no ranking da crítica // #1 no ranking dos cineastas

04_regradojogo
A regra do jogo (1939), de Jean Renoir
#4 no ranking da crítica // #22 no ranking dos cineastas

05_Aurora
Aurora (1927), de F. W. Murnau
#5 no ranking da crítica // #22 no ranking dos cineastas

06_Odisseia
2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick
#6 no ranking da crítica // #2 no ranking dos cineastas

07_Rastro de odio
Rastros de Ódio (1956), de John Ford
#7 no ranking da crítica // #48 no ranking dos cineastas

08_homemcamera
Um Homem com uma Câmera (1929), de Dziga Vertov
#8 no ranking da crítica // #48 no ranking dos cineastas

09_joana
O Martírio de Joana D’Arc (1928), de Carl Theodor Dreyer
#9 no ranking da crítica // #37 no ranking dos cineastas

10_8 e meio
8 ½ (1963), de Federico Fellini
#10 no ranking da crítica // #4 no ranking dos cineastas

11_AN
Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola
#14 no ranking da crítica // #6 no ranking dos cineastas

12_espelho
O Espelho (1974), de Andrei Tarkovsky
#19 no ranking da crítica // #9 no ranking dos cineastas

13_godfather
O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola
#21 no ranking da crítica // #7 no ranking dos cineastas

14_taxi driver
Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese
#31 no ranking da crítica // #5 no ranking dos cineastas

15_taxi driver
Ladrões de Bicicletas (1949), de Vittorio De Sica
#33 no ranking da crítica // #10 no ranking dos cineastas

[via Open Culture]

domingo, 8 de março de 2015

CRÍTICA: GOD BLESS AMERICA – ABENÇOE LOGO, POR FAVOR

746 Crítica: God Bless America   Abençoe logo, por favor

Por Vinícius Salazar, via Via Taxi Café

Pobre Frank, só estava tentando ser gentil com uma colega de trabalho. Foi demitido por suspeita de assédio sexual. Talvez não seja de todo ruim, afinal não aguentava mais as conversas vazias que aconteciam nos corredores de seu trabalho. Em compensação, terá que aturar seus vizinhos barulhentos e adeptos de uma péssima programação televisiva. Sem falar que é difícil lidar com a ex-esposa e sua filha mimada, que aparentemente o odeia. A cereja do bolo, um câncer gravíssimo acaba de ser descoberto em sua cabeça. O que você faria no lugar dele?
God Bless America é uma comédia de humor negro que foi lançada em 2011, em um circuíto extremamente restrito, tanto que só chegou em terras tupiniquins via vídeo on demand. Ela acompanha o tal Frank que eu citei acima, um solitário homem divorciado de meia idade, que despreza grande parte das características entranhadas no american way of life. Todo o descarrilhamento de sua vida pessoal culminam em uma epifania onde, a beira do suicídio, ele decide com suas próprias mãos dar uma limpada na sociedade. Contando com a companhia de Roxie, uma adolescente igualmente chateada com o mundo, ele parte em uma estrada sanguinária e libertadora, mas que claramente não terminará bem.
GBA Crítica: God Bless America   Abençoe logo, por favor
Combinando aspectos de grandes filmes que criticam o “americanismo”, como Um Dia de Fúria e Beleza Americana, God Bless America se solta mais ao satirizar as incoerências ocidentais e o faz de maneira incisiva, violenta e bem distante de sutilezas. Grande parte da crítica vai para a superficialidade cultural das pessoas, exposta pela popularidade exacerbada de reality shows idiotas, apresentadores fascistas de programas sensacionalistas, fanáticos religiosos que pregam o ódio e a reverberação de todas essas ideias nas rodas de conversa, comportamento bem descrito em um diálogo de Frank: “Ninguém diz nada. Apenas regurgitam o que assistem na TV, ouvem no rádio ou veem na internet”.
Personas populares na cultura pop americana e mundial também não escapam dos comentários verborrágicos da dupla, como Diablo Cody e Alice Cooper. Cenas memoráveis onde Roxy e Frank fazem uma crítica dentro da crítica, principalmente relacionadas a politica armamentista dos EUA. Comportamentos simples também se tornam motivo para a reação extremista da dupla de anti-heróis, como pessoas conversando e mexendo no celular no cinema, pessoas que te fecham no trânsito. Reações que você sempre pensou em ter. Toda essa identificação com a indignação e chateação dos protagonistas, torna ainda mais compensatória e catártica a rajada de balas que se sucede.
14127572 ori Crítica: God Bless America   Abençoe logo, por favor
Tecnicamente bem executado, com uma trilha sonora excelente e atuações cativantes de Joel Murray e Tara Lynne Barr, o diretor e roteirista Bobcat Goldthwait entrega um filme violento, catártico e libertador, que escancara o que muita gente está cansada de saber, mas que não consegue evitar. Com um grande potencial para se tornar cult. Ao subir dos créditos fica a sensação de que só mesmo uma benção divina seja capaz de nos tirar desse buraco onde nos enfiamos. Oremos, então. E que Deus abençoe a América.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"O Espírito de 1945 hoje", um documentário de Kenneth Loach


Por Léa Maria Aarão Reis, via Carta Maior

Kenneth Loach, de 77 anos, é filho de operários de Nuneaton, no Reino Unido, pequena cidade próxima de Coventry, uma das mais arrasadas pela blitzkrieg de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

Sua idade e sua origem são duas chaves para entender a coerência e a profunda humanidade presentes na filmografia desse cineasta socialista, um dos grandes mestres do cinema. Sua realidade vem contida nos perfis afetuosos da classe operária inglesa e das suas lutas, na memória da experiência da guerra vivida na própria carne e nos difíceis anos do pós-guerra imediato, na Inglaterra. “Venho de um meio operário,” costuma dizer Loach. “É o mundo que conheço e que me interessa retratar.”

O seu mais recente longa-metragem, O Espírito de 45, exibido no Festival do Rio, é mais um documentário do alentado pacote de 148 documentários apresentados, este ano, entre as 380 produções da mostra.

O filme é objeto de comemoração especial. Marca o retorno do mestre inglês ao gênero do filme doc do qual se afastara há décadas e no qual é inigualável. Apresenta emocionantes imagens de época, pérolas históricas, que Loach e sua equipe garimparam em diversos depósitos esquecidos, no Reino Unido. Documentos tratados com tal apuro técnico que se assemelham a imagens produzidas hoje. Um deles mostra Churchill discursando na praça, em campanha para Primeiro Ministro pelos conservadores (acabou derrotado pelos trabalhistas) e, surpreso e constrangido, sendo vaiado. Imagem rara. “Com a vitória socialista começa uma época triunfante”, diz uma mulher em entrevista. “Na educação, por exemplo, as escolas formavam cidadãos porque as crianças aprendiam a pensar por elas próprias.” Naquele tempo, depõe outro homem, “tínhamos o controle sobre nossas vidas.” 

A miséria extrema da população nos meses subsequentes ao armistício, o estado falido e exaurido pelo esforço de guerra, o desemprego, a fome, crianças andrajosas brincando nas ruas, e tocantes entrevistas com trabalhadores, homens e mulheres hoje idosos, mineiros, estivadores, ferroviários, enfermeiras, médicos e professores todos se lembram da época de agonia. 

A montagem de cenas e sequências capta com vivacidade (uma das marcas do cinema de Loach) e intenso realismo a atmosfera de 1945 quando centenas de milhares de pessoas viviam em favelas. “Às vezes”, comenta um velho, “eu e mais oito crianças, meninos e meninas, dormíamos na mesma cama convivendo com pulgas, percevejos e ratos. A comida ainda era racionada e comia-se pão e geléia dias a fio.” 

A narrativa do filme começa com uma imagem ícone da época, a jovem radiante nas festas populares da vitória, em Piccaddily. Em seguida, a energia e o entusiasmo das pessoas construindo o estado de Bem-Estar Social britânico e a consciência de união e solidariedade que tomaram conta do Reino Unido - o espírito de 1945. Uma nova Londres é construída, com moradias dignas para os trabalhadores. Casas com banheiros também no andar térreo (antes, só no andar superior) e um pequeno quintal, o tão caro backyard dos ingleses.

A partir de então se seguem as nacionalizações. Keynes participa do governo como conselheiro informal. Em 1946 o Ministro da Saúde Anerin Bevan cria um Serviço Nacional de Saúde, o célebre NHS (National Health Service). Parte do princípio que é inadmissível o elemento comercial interferir na relação entre médico e paciente. “Meu avô“, diz uma mulher, “só começou a usar óculos aos 70 anos, com a criação do NHS. Antes, sem dinheiro, lia usando um pedaço de vidro de fundo de garrafa à maneira de lupa.” Outro trabalhador aposentado comenta com orgulho: “Eu ficaria envergonhado de ser cidadão de um país tão rico como os Estados Unidos, sem um sistema de saúde semelhante ao nosso.”

O filme vai seguindo passo a passo os anos seguintes. Em 1947, nacionalização das minas. Os mineiros passam a trabalhar em condições seguras. Dos portos - até 47 os estivadores não contavam com salário fixo. Um ano depois chega a vez das ferrovias, outro acontecimento histórico. Em 1949 o gás é nacionalizado e, em 1951, o ápice do estado de Bem-Estar Social é celebrado com o Festival da Inglaterra.

No terço final do filme, Loach apresenta o desastre tatcheriano dos anos 70. Uma única imagem marca a aparição da Primeira Ministra em um dos seus primeiros discursos em praça pública no qual invoca São Francisco de Assis (!). É vaiada.

Começa o desmonte do estado de Bem-Estar Social e das suas estruturas. Redução dos salários, demissões em massa, o enfraquecimento dos sindicatos e a repressão policial. Em 1984 a água é privatizada, em 86 o gás, em 87 a aviação comercial e em 88 as grandes manifestações de rua são reprimidas violentamente pela polícia de ferro. Em 1989 é a vez das docas e a volta do trabalho informal dos estivadores. No mesmo ano a eletricidade é privatizada, em 94 é a vez dos portos. Um milhão de jovens ingleses engrossava, então, as fileiras dos desempregados. Em 2011 foi a vez dos correios. As imagens são desalentadoras.

Vemos empresas terceirizadas contratadas, hoje, para atuar no serviço público, em especial nos hospitais. ”Não há mais nenhum país para os pobres”, diz uma idosa para a câmera de Loach. “E estaremos acabados se o governo conseguir terminar com o Serviço Nacional de Saúde.” Será a última fronteira.

Por que Kenneth Loach fez este filme? Os jornalistas que cobriram o Festival de Cannes – onde ele foi premiado seis vezes; duas com a Palma de Ouro -, em maio passado, perguntavam. Ele respondeu ao jornal La Repubblica de Roma: “Porque a sociedade hoje não funciona; é um caos. E para que as pessoas pensem no que pode ser feito, outra vez, na promoção do bem-estar social. Meu filme é para lembrar o que foi conseguido no passado.” E aproveitou para lamentar: “Não há mais esquerda na Europa. Ela se desmanchou na social-democracia e foi devastada pelas divisões internas.”

O Espírito de 45 é um filme esférico. Depois das sequencias otimistas com imagens das festas do Labour Party, nas ruas, tratadas em tecnicolor, ele volta à mesma imagem do início. A moça de Piccadilly no meio de uma multidão exultante e a trilha musical insinuando o que pode ser transformado, novamente, hoje. É uma daquelas músicas das bandas dançantes de época pinçadas por George Fenton, compositor e colaborador de Loach em onze filmes do mestre. 

Mas uma ponta de tristeza vem do trompete de Harry James.