Aos Mestres, com carinho!

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Café da Manhã, por Caio Fernando Abreu


"E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente."

(Carta ao Zézim, 22 de dezembro de 1979)

domingo, 10 de abril de 2016

Se me perguntarem como estou, poema de Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu

Se me perguntarem como estou, eis a resposta:
Estou indo. Sem muita bagagem.
Pesos desnecessários causam sempre dores
desnecessárias. Esvaziei a mala,
olhei no fundo dela, limpei, e estou indo...
preenchê-la com coisas novas.
Sensações novas, situações novas,
pessoas novas.
Tudo novo.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Para refletir (5)

Caio Fernando Abreu


"Só que homossexualidade não existe, nunca existiu. Existe sexualidade - voltada para um objeto qualquer de desejo. Que pode ou não ter genitália igual, e isso é detalhe. Mas não determina maior ou menor grau de moral ou integridade."

(Caiu Fernando Abreu, jornalista e escritor brasileiro)