Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Nalgum lugar em que eu nunca estive, poema de e. e. cummings


nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto


teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa


ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;


nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira


(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


e. e. Cummings


Tradução de Augusto de Campos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

eu levo o seu coração comigo, poema de e. e. cummings


eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

                                                    tenho medo

que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)




Tradução: Regina Werneck

domingo, 29 de dezembro de 2013

em algum lugar que eu nunca visitei



somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands
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EN ALGUN LLOC QUE MAI HE VISITAT
(Versió d'Isabel Robles i Jaume Pérez Montaner)
en algun lloc que mai he visitat, alegrement més enllà
de tota experiència, els teus ulls tenen el teu silenci;
en el teu gest més fràgil hi ha coses que m'encerclen
o que no puc tocar perquè estan massa pròximes
el teu més lleu esguard fàcilment m'obrirà
encara que com dits m'haja tancat,
m'obris sempre pètal a pètal com obri la Primavera
(hàbilment tocant i misteriosa) la seua primera rosa
o si el teu desig és tancar-me, jo i
la meua vida ens tancarem molt bellament, de sobte,
com quan el cor d'aquesta flor imagina
la neu que amb cura cau pertot arreu;
res que pugam copsar en aquest món iguala
el poder de la teua immensa fragilitat: el teixit de la qual
em sotmet amb el color dels seus païssos,
rendint la mort i per sempre amb cada batec
(no sé qui hi ha en tu que tanca
i obri; només alguna cosa en mi comprén
que la veu dels teus ulls és més profunda que totes les roses)
ningú, ni tan sols la pluja, té unes mans tan petites.

ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas


nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

( tradução:  Augusto de Campos )