"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação." (Mário Quintana)
Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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quarta-feira, 9 de novembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
colírio da Argélia, poema de Priscila Merizzio

ressona
um leão
lambendo as esporas
de meus olhos que tilintam
fugas
e como um bicho
geográfico alinhava meu monte
de Vênus às suas patas
encardidas, puxando
um títere no clitóris
eco de rugido
nos canos da mansão
vaginal, roçando na glande
cor de antúrio
caninos esfumados de vinho
arroxeando minhas
saboneteiras
me enrolo em pele
de carneiro no táxi
saio do flat
ao abraço gélido
da vodca: meu bafo
contra o espelho cantando
Riders on the Storm
lambendo as esporas
de meus olhos que tilintam
fugas
e como um bicho
geográfico alinhava meu monte
de Vênus às suas patas
encardidas, puxando
um títere no clitóris
eco de rugido
nos canos da mansão
vaginal, roçando na glande
cor de antúrio
caninos esfumados de vinho
arroxeando minhas
saboneteiras
me enrolo em pele
de carneiro no táxi
saio do flat
ao abraço gélido
da vodca: meu bafo
contra o espelho cantando
Riders on the Storm
quinta-feira, 26 de maio de 2016
REFÚGIO, poema de Priscila Merizzio

os
deuses protegem meu corpo
como
o tapume circunscreve a catedral gótica
múmias
apoteóticas
via
régia de papiros a.C.
refúgio
do bardo pagão
na
abóbada
longe
das trincheiras da revolução francesa
homens
verdes urinam
de
mármore, rezas, artilharia e gana
faz-se
o caos
os
deuses protegem meu corpo
irrevogavelmente
politeísta
como
os índios costuram
palmeiras
nas ocas
espectros
melífluos batizados no círculo mágico
desmistificação
de aporias
jesuítas
poluíram rios amazônicos com água benta
botos-cor-de-rosa
engravidaram índias com sêmen europeu
os
deuses protegem meu corpo
com
o apetite irascível
dos
elefantes africanos que
acossam
as fêmeas
avançam
com peso e presas
estraçalham
carros e pessoas
trombas
bramindo:
"afastem-se
do que é meu".
Priscila
Merizzio
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