Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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terça-feira, 20 de setembro de 2016

colírio da Argélia, poema de Priscila Merizzio

Resultado de imagem para Priscila Merizzio

ressona um leão 
lambendo as esporas 
de meus olhos que tilintam 
fugas
e como um bicho 
geográfico alinhava meu monte 
de Vênus às suas patas
encardidas, puxando
um títere no clitóris 

eco de rugido 
nos canos da mansão
vaginal, roçando na glande 
cor de antúrio

caninos esfumados de vinho
arroxeando minhas 
saboneteiras

me enrolo em pele
de carneiro no táxi
saio do flat 
ao abraço gélido 
da vodca: meu bafo
contra o espelho cantando
Riders on the Storm

quinta-feira, 26 de maio de 2016

REFÚGIO, poema de Priscila Merizzio

Priscila Merizzio

os deuses protegem meu corpo
como o tapume circunscreve a catedral gótica

múmias apoteóticas
via régia de papiros a.C.
refúgio do bardo pagão

na abóbada
longe das trincheiras da revolução francesa
homens verdes urinam

de mármore, rezas, artilharia e gana
faz-se o caos

os deuses protegem meu corpo
irrevogavelmente politeísta
como os índios costuram
palmeiras nas ocas

espectros melífluos batizados no círculo mágico
desmistificação de aporias
jesuítas poluíram rios amazônicos com água benta
botos-cor-de-rosa engravidaram índias com sêmen europeu

os deuses protegem meu corpo
com o apetite irascível
dos elefantes africanos que
acossam as fêmeas

avançam com peso e presas
estraçalham carros e pessoas
trombas bramindo:
"afastem-se do que é meu".

Priscila Merizzio