Em entrevista a Eric Nepomuceno.
"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação." (Mário Quintana)
Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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quinta-feira, 7 de junho de 2018
segunda-feira, 15 de maio de 2017
O Mundo do Sertão, poema de Ariano Suassuna
(com tema do nosso armorial)
Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.
Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.
E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,
o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.
Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.
Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.
E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,
o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.
Ariano Suassuna
terça-feira, 26 de julho de 2016
AQUI MORAVA UM REI, poema de Ariano Suassuna
Aqui morava um rei quando eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão,
Pedra da Sorte sobre meu Destino,
Pulsava junto ao meu, seu coração.
Pulsava junto ao meu, seu coração.
Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.
Mas mataram meu pai. Desde esse dia
Eu me vi, como cego sem meu guia
Que se foi para o Sol, transfigurado.
Sua efígie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa
Espada de Ouro em pasto ensanguentado.
sábado, 24 de outubro de 2015
terça-feira, 16 de junho de 2015
NOTURNO, Poema de Ariano Suassuna

Tem
para mim
Chamados
de outro mundo
as
Noites perigosas e queimadas,
quando
a Lua aparece mais vermelha.
São
turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são
Ouropéis antigos e fantasmas
que,
nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam
tudo o que desejo Aqui.
Será que mais Alguém vê e escuta?
Sinto
o roçar das asas Amarelas
e
escuto essas Canções encantatórias
que
tento, em vão, em mim desapossar.
Diluídos
na velha Luz da lua,
a
Quem dirigem seus terríveis cantos?
Pressinto
um murmuroso esvoejar:
passaram-me
por cima da cabeça
e,
como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te
no fogo, como um Fruto ardente,
a
ventania me agitando em torno
esse
cheiro que sai de teus cabelos.
Que
vale a natureza sem teus Olhos,
ó
Aquela por quem meu Sangue pulsa?
Da
terra sai um cheiro bom de vida
e
nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa
que teu cabelo, solto ao vento,
abrase
fundamente as minhas mãos...
Mas
não: a luz Escura inda te envolve,
o
vento encrespa as Àguas dos dois rios
e
continua a ronda, o Som do fogo.
Ó
meu amor, por que te ligo à Morte?
(Ariano
Suassuna)
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