Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Maradona, poema de Mario Benedetti


 

Hoy tu tiempo es real, nadie lo inventa.
Y aunque otros olviden tus festejos,
las noches sin amor quedaron lejos
y lejos el pesar que desalienta.
Tu edad de otras edades se alimenta,
no importa lo que digan los espejos,
tus ojos todavía no están viejos
y miran sin mirar más de la cuenta.
Tu esperanza ya sabe su tamaño
y es por eso que no habrá quién la destruya.
Ya no te sentirás sólo ni extraño.
Vida tuya tendrás, y muerte tuya.
Ha pasado otro año y otro año le has ganado a tus sombras
¡Aleluya!

Mario Benedetti

sábado, 22 de julho de 2017

ALLENDE, poema de Mario Benedetti



Para matar o homem da paz
para golpear sua fronte limpa de pesadelos
tiveram que se converter em pesadelo
para vencer o homem da paz
tiveram que congregar todos os ódios
e também os aviões e os tanques
para derrotar o homem da paz
tiveram que bombardeá-lo fazê-lo chama
porque o homem da paz era uma fortaleza

para matar o homem da paz
tiveram que desencadear a guerra turva
para vencer o homem da paz
e calar sua voz modesta e perfurante
tiveram que empurrar o terror até o abismo
e matar mais para continuar matando
para derrotar o homem da paz
tiveram que assassiná-lo muitas vezes
porque o homem da paz era uma fortaleza

para matar o homem da paz
tiveram que imaginar que era uma tropa
uma armada uma legião uma brigada
tiveram que acreditar que era outro exército
mas o homem da paz era tão somente um povo
e tinha em suas mãos um fuzil e um mandato
e eram necessários mais tanques mais rancores
mais bombas mais aviões mais desonra
porque o homem da paz era uma fortaleza

para matar o homem da paz
para golpear sua fronte limpa de pesadelos
tiveram que se converter em pesadelo
para vencer o homem da paz
tiveram que se unir para sempre à morte
matar e matar mais para continuar matando
e condenar-se à blindada solidão
para matar o homem que era um povo
tiveram que ficar sem o povo

Mario Benedetti

Tradução de Lucas Bronzatto

terça-feira, 13 de junho de 2017

Te quero, poema de Mario Benedetti


Tuas mãos são minha carícia
Meus acordes cotidianos
Te quero porque tuas mãos
Trabalham pela justiça
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
Teus olhos são meu conjuro
Contra a má jornada
Te quero por teu olhar
Que olha e semeia futuro
Tua boca que é tua e minha
Tua boca não se equivoca
Te quero porque tua boca
Sabe gritar rebeldia
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
E por teu rosto sincero
E teu passo vagabundo
E teu pranto pelo mundo
Porque és povo te quero
E porque o amor não é auréola
Nem cândida moral
E porque somos casal
Que sabe que não está só
Te quero em meu paraíso
E dizer que em meu país
As pessoas vivem felizes
Embora não tenham permissão
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois.
Mario Benedetti
Tradução de Maria Teresa Almeida Pina

sábado, 17 de outubro de 2015

OBITUÁRIO COM HURRAS*, poema de Mario Benedetti

Resultado de imagem para Mario Benedetti

Vamos lá, vamos festejá-lo
estão todos convidados
os inocentes
as vítimas lesadas
os que gritam de noite
os que sonham de dia
os que sofrem no corpo
os que alojam fantasmas
os que pisam descalços
os que blasfemam e ardem
os pobres congelados
os que amam alguém
os que nunca se esquecem
vamos festejá-lo
estão todos convidados
o crápula morreu
acabou-se a alma negra
o ladrão
o porco
acabou-se para sempre
viva
estão todos convidados
vamos festejá-lo
para não dizer
que a morte
apaga sempre tudo
tudo purifica
num dia qualquer
a morte
não apaga nada
ficam
sempre as cicatrizes
viva
morreu o cretino
vamos festejá-lo
e não chorar como de hábito
que chorem os que são como ele
e que engulam suas lágrimas
foi-se embora o monstro magnata
acabou-se para sempre
vamos festejá-lo
sem ficar mornos
sem acreditar que este
é um morto qualquer
vamos festejá-lo
sem ficar frouxos
sem esquecer que este
é um morto de merda

Mario Benedetti

*A Ronald Reagan, a la muerte de un canalla
*A Carlos Alberto Brilhante Ustra, a la muerte de un canalla