Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

10 aforismos de Confúcio para um relacionamento perfeito

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Por , via DCM
Três sílabas explicam o fenômeno da China. Con-fú-cio. Os chineses seguem os ensinamentos de Confúcio há 2500 anos. Confúcio é um semideus na China. Nunca escreveu um livro, mas discípulos atentos registraram o que viram e ouviram num pequeno livro chamado Analectos.
É fácil, prático, simples de entender. Não tem abstrações, não tem metafísica, não tem a enrolação pseudoerudita tão comum nos filósofos ocidentais, sobretudo os modernos e franceses. A China seguiu Confúcio e deu no que deu.
Pode dar certo com você também, por que não?
Adaptei alguns ensinamentos do Mestre, como o chamavam seus seguidores, às coisas do coração. Apenas para facilitar, vou escrever sob a perspectiva masculina, mas é claro que tudo serve também para as mulheres. Basta trocar o gênero nos aforismos.
Para ambos serve também uma frase específica de Confúcio, tão grande em estatura moral que seus contemporâneos lhe atribuíam fisicamente a altura improvável de 2 metros e 30, algo que 25 séculos depois faria o sábio chinês olhar de cima para baixo os grandalhões da NBA: “Nunca conheci ninguém que preferisse a sabedoria ao sexo.” Se sua altura parece francamente exagerada, é fato que Confúcio conheceu muita gente na China em que viveu.
1) Não lamente não ter uma mulher interessante e sim não se tornar digno dela; não sofra porque ela não reconhece você e sim porque não merece ser reconhecido;
2) Os defeitos da mulher a definem. É exatamente pelos defeitos que você pode avaliar as virtudes dela;
3) A mulher que se apressa demais no amor não vai longe; aquela que procura pequenas vantagens no relacionamento perde as grandes coisas;
4) Com uma mulher honesta, fale francamente e aja abertamente; com uma mulher perigosa, modere a língua;
5) Se você se dirige a uma mulher sem antes verificar se ela está prestando atenção em você, é cego;
6) Se você se envergonha de suas roupas, não merece ser escutado por ela;
7) O autocontrole raramente leva ao mau caminho; prefira as mulheres que o têm;
8 ) Mais importante do que o que a mulher diz é o que faz;
9) Não pense três vezes antes de agir em relação a uma mulher: duas são suficientes;
10) Não tenha esperança de encontrar uma mulher perfeita; fique feliz se achar uma que tenha princípios.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A internet é cruel como um cossaco russo para o amor

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Eu confesso. Uma vez, há uns quatro anos, escrevi um conto na revista Vip com outro nome: Maurice Bendrix. Bendriz é personagem do meu romance preferido entre todos, Fim de Caso, de meu escritor também preferido entre todos, Graham Greene.
Adorei saber que o livro foi transformado em filme por um famoso diretor cujo nome não me lembro. Lembro apenas que fez The Crying Game. Também esqueci o título em português do filme. Mas em compensação sei bem a letra inteira da música que deu nome ao filme. Ela fala tão suavemente, tão tristemente, tão lindamente de amor. “First there are kisses, then there are sighs, and then before you know where you are, you´re saying goodbye.” Primeiro os beijos, então suspiros, e logo o adeus. Detesto minhas digressões, mas não consigo me livrar delas. É como se estivesse num carro desgovernado. Bem, fim da digressão.
O pseudônimo foi meu tributo sincero, mesmo que barato, a Greene. No conto se fala de um casal prestes a se desintegrar. Uma última, desesperada e afinal vã tentativa de acertar as coisas é feita numa viagem a Portugal. Os dois vão certa noite ao cassino de Estoril e um deles – francamente já não me lembro qual, e bem pode ser nenhum deles, e sim o narrador – reflete que a única esperança para ambos é que a bola que girava na roleta jamais parasse, jamais parasse, jamais parasse.
Nas vezes em que fui a Portugal, sempre deixei algum dinheiro em Estoril. Na última, vi numa mesa de roleta José Saramago, ou pode ser que fosse um sósia.
Uma bola de roleta que se paralisa: falei do conto apenas porque queria divagar, sonhar com a possibilidade de congelar um romance no seu melhor momento. Na véspera da queda, algumas vezes abrupta, outras mais suave, quase todas com a peculiaridade de só serem notadas depois de já terem percorrido um bom trecho.
Olho para trás e penso em Constanza, meu primeiro amor. Eu queria ter parado todos os relógios do mundo quando dei, numa festa, o primeiro beijo nela. Ou melhor: os relógios parariam segundos antes, quando me dei conta de que ela queria que eu a beijasse. Poucas vezes, em toda a minha vida, experimentei um gosto tão intenso, tão duradouro de triunfo como quando percebi que os lábios de Constanza estavam ao alcance do adolescente desajeitado de olhos sonhadores que deixei para trás. (Tenho que admitir que em outras ocasiões eu congelaria o tempo em situações bem menos ingênuas.)
Meu ponto é que na correria desenfreada da vida moderna a gente não encontra tempo para congelar (e depois saborear lentamente como uma sobremesa de ovos nevados) os grandes momentos românticos que acabamos de ter. Você nem bem termina um beijo e já está pensando no trabalho, na carreira, na multidão de compromissos. (Isso quando o celular não interrompe o encontro das línguas.) A vida moderna é cruel como um cossaco russo para o romance.
Maravilhosas passagens da vida romântica acabam nos escorrendo pelas mãos no ritmo frenético da internet sem que, muitas vezes, sequer percebamos como foram boas.
Perdemos a capacidade de parar e não fazer nada senão sonhar com coisas singelas, como um beijo bem dado. Temos que ir para a frente, estar sempre em movimentos, celulares ligados ininterruptamente. Quando sinto que minhas atitudes estão se enquadrando exatamente na descrição infernal acima, ponho para tocar uma canção do meu compositor e cantor predileto entre todos, John Lennon. Ele fala no prazer de ver os pneus rolarem, e rolarem, e rolarem, e não fazer nada além disso. E então me sento numa calçada e apenas observo, em preguiçosa e muda contemplação, o movimento circular e reconfortante dos pneus que giram pela rua.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Será que algum dia os homens realmente crescem?

Por Lichtenstein
Por Lichtenstein

Você é um menino. Treze, catorze anos. Inseguro, tímido. Começa a se interessar pelas mulheres. E não vai demorar para perceber que mulheres e problemas aparecem juntos em sua vida. Você não sabe lidar com o mundo novo no qual está entrando.
Sua voz está mudando. Os pêlos estão aparecendo. O futebol já não é seu único interesse. Aparecem os primeiros bailes. Você não sabe direito que roupas escolher. As sugestões de sua mãe lhe parecem horríveis. Mãe nunca acerta na roupa do filho, uma lei tão velha e tão eterna quanto as estrelas no céu e as ondas no mar.
Ser criança era muito mais fácil. E então você olha para os garotos um pouco mais velhos. Eles estão nas classes um ou dois ou três anos mais adiantadas que a sua. Seu olhar mistura admiração e inveja. Eles parecem tão seguros. Tão confiantes. Alguns ameaçam um bigode, uma barba. A voz já está definida.
E as meninas da sua classe estão apaixonadas por eles, não por você. Eles são mais altos que você. Eles são melhores que você. Já devem até ter dormido com alguma menina. E você jamais viu uma mulher nua que não fosse sua mãe ou não estivesse numa revista. Eles se libertaram daqueles programas sem graça com a família.
Mas seu dia chegará.
Os dias hão de passar. Você vai crescer e seus problemas desaparecerão. Você será um homem firme, forte, como os caras mais velhos. E eis que você é como eles. Os caras maiores que você via de longe. Você imaginava que sua vida seria outra. Mas não foi bem assim. Você cresceu, sua voz engrossou. Você até viaja sozinho, sem os pais, com os amigos.
A virgindade ficou para trás, mas você já percebeu que o sexo não é o fenômeno extraterrestre que você pensava ser antes de experimentá-lo. É bom, às vezes muito bom, algumas vezes ótimo. Mas não é coisa do outro mundo. A terra não treme sempre ao fazer sexo, ao contrário do que você sonhava.
Você já é um homem. Ou quase um homem. E pensava que a segurança máscula viesse com o tempo, com a mesma naturalidade com que a terra se molha quando vem a chuva. Mas não. Seu dia chegará.
E então você olha para os homens feitos. Formados, empregados. Alguns casados. Eles, sim, são os típicos homens. Basta ver o andar seguro, o olhar firme. Eles não têm dúvidas, não têm medos como você. Os mais ricos têm carros chiques. Pagam com cartão de crédito, e não com o dinheiro pedido a seu pai, como você.
Uns vestem gravatas que devem valer duas mesadas suas. Alguns têm um cartão em que estão escritos o nome e o cargo. Nada parece ser capaz de abalá-los. Eles não sentem vontade, nas noites mais escuras, de pedir um refúgio na cama dos pais.
Você sente, às vezes. Seja honesto: você fez isso outro dia. Seu dia chegará. E chegou. Você se formou. Arrumou um emprego promissor. Tem um cartão profissional. O carro podia ser melhor, mas é bom. Tem ar-condicionado e som. O namoro é firme. Deve terminar em casamento. Seu armário tem até um blazer Armani que você comprou num momento de entusiasmo e desvario. Mil reais.
Você parece o cara mais seguro do mundo, como todos os seus colegas e amigos. Mas só parece. Lá dentro continua uma criança, como todos os seus colegas e amigos. Todos disfarçam bem. Todos aprenderam que ser homem é ser forte. Você queria gritar socorro, mas não convém demonstrar fraqueza. Você queria se abrigar no colo de seu pai, mas ele já não está lá. E então você ri, porque a vida é mesmo engraçada, repleta de crianças fingindo-se de homens até o último dos dias.
Sobre o Autor
O cubano Fabio Hernandez é, em sua autodefinição, um "escritor barato".

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Postagem programada - blogueiro de férias - 06/03 a 04/04/14.