Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

terça-feira, 4 de março de 2014

AMO CINEMA! Amanhã coloco o texto 'risos' (um Merlot e um Cabernet Sauvignon 'risos', cadê meus cigarros? 'risos' Minha prima Melissa pegou...)

 

Postado originalmente em 29 de dezembro de 2013, às 02h01min.
Atualizado em 04 de março de 2014, às 10h02min.
 
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Amo cinema!

A tela grande, o ritual de se arrumar e sair de casa para um compromisso delicioso.

O escuro, que conduz os nossos sentidos, capitaneados pela visão, tendo como coadjuvante a audição, o Sancho Pança da história, como em um tubo mágico, diretamente para o filme.

O filme, se por acaso não for bom, resta-nos o voyeurismo: casais de namorados, amassando-se; amigas que gritam histéricas diante de um beijo ou um susto na tela; jovens amigos que perturbam a sala no anonimato da noite artificial; um mundo a parte.

Com o advento do vídeo cassete e sua rápida substituição pelos DVDs, imaginava que as salas de projeção iriam acabar, e acabaram mesmo, infelizmente.

Não existem, pelo menos em minha cidade, salas de cinemas; mas, complexos, shoppings, onde as salas são inseridas como apenas mais um item de consumo, e os filmes, em sua maioria “comédias” românticas de quinta categoria, como só as sabem fazer os estadunidenses e os diretores-amebas das novelas globais, alçados, sem talento, ao mundo mágico e sagrado do cinema. Heresias!

Os bons filmes a casa não retornam? Claro que não, quando o sabemos, já não temos a oportunidade de vê-los.

Fico com os DVDs. Os canais por assinatura, um lixo.

Amo cinema! Nada de guaraná com pipocas; guaraná mesmo, gosto com açaí.

A sala, a minha sala, meu pequeno apartamento de dois quartos; oitenta metros quadrados. Um vinho, o filme escolhido.

Sempre fico com a esperança de que o protagonista, ou quem quer que seja não fume durante o meu devaneio pelicular. Mentirinha! Caso contrário, não resisto e busco um cigarrinho.

Um copo de uísque, um vinho, uma cerveja gelada, uma tequila, cachaça, vodka, tais personagem me trazem uma sede de álcool e melancolia.

Um cigarro, um charuto, tão irresistíveis, que tenho de parar a fita e sair para comprá-los, pois não os mantenho em casa, com medo de sermos promíscuos.

Amo cinema! Amo personagens que não são heróis, nem obrigatoriamente anti-heróis. Amo bebidas, cigarros, atrizes.

Por fim amo-me e me abro. Guarda sempre baixa em minhas confissões solitárias. Cercado de gingantes de concreto e seres de corações consumistas, que me enjoam e me fazem procurar um remédio, um antídoto para o meu mal estar.

Meu cachorro, um puro viralatês, chama-se Fellini.

Simples assim, amo cinema!

(Itárcio Ferreira)