Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Harpa XXXII, poema de Sousândrade



Dos rubros flancos do redondo oceano
Com suas asas de luz prendendo a terra
O sol eu vi nascer, jovem formoso
Desordenando pelos ombros de ouro
A perfumada luminosa coma,
Nas faces de um calor que amor acende 
Sorriso de coral deixava errante. 
Em torno de mim não tragas os teus raios, 
Suspende, sol de fogo! tu, que outrora 
Em cândidas canções eu te saudava 
Nesta hora d'esperança, ergue-te e passa 
Sem ouvir minha lira. Quando infante 
Nos pés do laranjal adormecido, 
Orvalhado das flores que choviam 
Cheirosas dentre o ramo e a bela fruta, 
Na terra de meus pais eu despertava,
Minhas irmãs sorrindo, e o canto e aromas, 
E o sussurrar da rúbida mangueira 
Eram teus raios que primeiro vinham 
Roçar-me as cordas do alaúde brando 
Nos meus joelhos tímidos vagindo.