
A
Manuel Bandeira
Quando
eu estiver mais triste
mas
triste de não ter jeito,
quando
atormentados morcegos
– um
no cérebro outro no peito –
me
apunhalarem de asas
e
me cobrirem de cinza,
vem
ensaiando de leve
leve
linguagem de flores.
Traze-me
a cor arroxeada
daquela
montanha – lembra?
que
cantaste num poema.
Traze-me
um pouco de mar
ensaiando-se
em acalanto
na
líquida ternura
que
tanto já me embalou.
Meu
velho poeta canta
um
canto que me adormeça
nem
que seja de mentira.
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