Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O vendedor de ostras, do Poeta Carlos Maia



          Costumava descer duas paradas antes, quando ia ao Recife Antigo, para atravessar andando as duas pontes e apreciar o rio iluminado pelas luzes da noite.


          O pai, poeta e desempregado, lhe dera 200 livros para ele vender, já que não podia lhe dar uma mesada. Aquela noite estava fraca, só tinha conseguido vender três livros. Estava sentado na calçada da Rua da Moeda tomando um Carreteiro quando um vendedor de ostras sentou-se ao seu lado e começou a se lamentar, pois vinha de Barra de Jangada a pé e não tinha conseguido vender quase nada.


          Ele disse para o vendedor:

          - Olha meu irmão, eu não gosto de lamentação não! Toma aí um copo de vinho pra relaxar...



          O vendedor o olhou admirado, parou um instante e retrucou:
          - Tu é um cara rochedo! Eu vou aceitar! Quer umas ostras?



          E assim eles ficaram bebendo a noite toda, e se despediram como os dois maiores amigos do mundo; para nunca mais se verem...