Aos Mestres, com carinho!

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sábado, 24 de janeiro de 2015

Eu não tenho facebook



Por Laíse Moura, em seu blog

Vez ou outra eu assumo algumas escolhas que as pessoas não conseguem entender. Uma dessas escolhas é não ter uma conta no facebook. O mais engraçado disso tudo é a indignação das pessoas ao saber desse detalhe sobre mim.

A verdade é que não faço isso para chamar atenção, ou para pagar de diferente. Eu não tenho facebook. Poderia listar aqui muitos motivos para essa decisão.

Não vou negar que muito se ganhou com o advento da internet, mas também muito se perdeu na vida. Coisas simples como por exemplo as brincadeiras de criança tomaram rumos que, analisando amplamente, somos culpados por ter extinguido a infância verdadeira. Privamos nossas crianças de banalidades que antes, todos nós passávamos.

Subir numa árvore, fazer seu próprio brinquedo, imaginar. Serão as crianças de hoje, adultos incapazes de passar meses, horas, longe da grande rede de computadores? Ontem foi no Orkut, hoje, no Facebook. A exposição a que estamos nos submetendo também é um dos fatores que mais me preocupam.

O que quero dizer é que não preciso expor todos os detalhes do meu dia para ser mais ou menos legal, e digo mais: o ser humano está ficando mais exibicionista. Queremos provar que a nossa grama é mais verde que a dos nossos vizinhos. E não é culpa do senhor Zuckerberg, isso só ficou pior ultimamente, mas sempre nos acompanhou.

Não preciso dar bom dia todos os dias para os meus amigos para que eles saibam que eu realmente desejo isso para eles. E mais: não preciso do facebook para isso também. Não preciso encher a página inicial dos meus amigos com as minhas atividades recentes (leia-se: bebedeiras, romances, viagens, objetos de desejo) para que meus amigos lembrem que eu existo!

Amigos de verdade sabem que às vezes é preciso sentir um pouco de saudade, dar um certo espaço para manter uma relação saudável. Acredito que, para piorar, ao expor todos os detalhes felizes da minha vida, eu posso também atrair vibrações negativas, porque, nem sempre as pessoas que nos adicionam nas redes sociais são amigos e querem o seu bem. A inveja é uma consequência do exibicionismo.

Além do mais, se meus amigos quiserem compartilhar comigo o que eles estão curtindo no momento, eles podem e vão vir naturalmente me dizer.

Não consigo citar nenhuma pessoa que eu acredite que tenha mais que 10 amigos de verdade. No entanto, posso citar muita gente que tem mais de 100 amigos no facebook. Na verdade, as pessoas com as quais convivemos podem até não nos querer mal, mas também não significa que isso as faz delas amigas.

São colegas, que, apesar de estarem presentes na nossa vida, não precisam saber de muita coisa para termos uma relação bacana. Deste modo, não preciso ter um número exorbitante de amigos. Basta que eu tenha um, e este seja amigo de verdade.

Outro motivo pelo qual não tenho facebook é o respeito à minha singularidade. Desde que me conheço por gente não preciso seguir tendências para me afirmar "igual" aos outros. Eu ainda não senti necessidade de estar no facebook, e essa é uma decisão só minha. Associar-me ao facebook por pura pressão social não me parece respeitoso comigo mesma. Compreende?

Aí é que entra o respeito. Não é minha intenção aqui, criticar quem possui um perfil no facebook. Graças a Deus temos liberdade de expressão e somos diferentes! Eu quero é justificar porque eu não tenho uma conta na rede. Desta forma, ao respeitar a escolha das pessoas de terem facebook, eu espero somente que respeitem a minha escolha de não ter.

Quando me perguntam por que eu não tenho facebook, eu procuro responder "eu não ainda não preciso dele, sempre que acontece algo realmente interessante lá, as pessoas vêm me contar!". E sinceramente? Acho isso ótimo! Assim não fico tão por fora do que acontece por lá, e atrevo-me a dizer que, com essa simples atitude, venho conversando com muitas pessoas que antes não conversava. Quer saber? Talvez essa seja a minha estratégia para socializar. Só que eu socializo pessoalmente, e as outras pessoas, virtualmente.

Aos amigos distantes, vocês sabem meu e-mail, celular e endereço. Sintam-se livres para entrar em contato!

Não vou dizer que nunca vou ter um perfil no facebook. Vou dizer apenas: ainda não.

Fiquem à vontade para comentar.