Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

De que serve a bondade



De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
(Bertold Brecht)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Que livro é você?


João Cabral de Melo Neto

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria?



Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? 



Faça o teste e descubra.



Resultado deste blogueiro:

"Morte e vida severina", de
João Cabral de Melo Neto

Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo.

Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência?

Esta talvez seja a sua maior revolta.

Por isso, você tenta fazer a sua parte.

Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados.

De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.

Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e vida severina"(1966), poema dramático escrito pelo Pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.



Por: Cynthia Costa e Juliana Bernardin


MORADIA

 

(sem-tetos nos EUA)

Eterno Eldorado
dos homens desamparados.


(Itárcio Ferreira)

Embebede-se



“Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei:

embebede-se.

E se ele me disser que seu fígado sofre com isso, respondo:

o que é o seu fígado?

É uma coisa morta que vive enquanto você vive,

e os poemas que escrever vivem sem enquanto.”


(Fernando Pessoa).


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

UM BOM POEMA


Um bom poema é como uma cerveja gelada
quando você está mais a fim,
um bom poema é um sanduíche de presunto, quando você
está
faminto,
um bom poema é uma arma quando
os bandidos te cercam,
um bom poema é algo que
te permite andar pelas ruas
da morte,
um bom poema pode fazer a morte
derreter feito manteiga,
um bom poema pode enquadrar a agonia e
pendurá-la na parede,
um bom poema pode fazer seu pé tocar
a China,
um bom poema pode fazer você cumprimentar
Mozart,
um bom poema permite você competir
com o diabo
e ganhar,
um bom poema pode quase tudo,
isso sem dizer que
um bom poema sabe quando
parar.


Charles Bukowski


Tradução de Rodrigo Garcia Lopes

DOS MÚSICOS

(Um tocador de realejo em Paris , fotografado por Eugène Atget ca. 1898-1899)

Há artistas, caro amigo,
nestas terras de canção,
que devoram os instrumentos,
não por virtuose,
que também o são,
mas por necessidade,
como se fosse pão.


(Itárcio Ferreira)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Geni e o Zepelim

Soneto de tortura e desencanto - Ângelo Monteiro



Não sei que angústia me incomoda o peito
que não posso estar firme nem parado.
Com o pensamento sempre desvairado,
falta-me calma até quando me deito.

A noite vago as ruas, odeio o leito,
não durmo, não descanso, não me enfado,
não fujo, não me mato, e o rosto irado
até de rir perdeu a forma e o jeito.

Por isso não te admire, amiga minha,
que ternura hoje em dia me careça
na voz, que tantas vezes te acarinha.

Mas é que sofro de sentir diverso:
e onde repousarei minha cabeça,
se a dor humana não couber num verso?


Via Memória das Pedras, blog do Poeta Carlos Maia

Bom teste de suas posições políticas.

Clique neste link para fazer um teste e saber quais são as suas posições políticas.


O meu resultado está abaixo:




Nota Claudicante:
  • Meu resultado:
Você é um social-democrata (???, sou comunista). 
10 por cento dos participantes do teste estão na 
mesma categoria e 2 por cento são mais extremista 
do que você.



sábado, 16 de novembro de 2013

A Francisco Espinhara - Poema de Carlos Maia























A vida vencerá, Chico,
Tantas vezes
Desejando a morte
Tantas vezes sem sentido
Desbragadamente
Desprendido de tudo,
Pulando da ponte,
Dormindo com as putas,
Se afogando na maconha
E no álcool
Para mitigar um pouco
A dor
De não compreender
Tanta miséria
E desigualdade
Dançando ao som
Do maracatu em Rainha...
A vida vencerá, Chico,
A vida sempre vencerá,
Mesmo que um dia morramos.



Carlos Maia, em Memória das Pedras
20/09/06


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SER POETA, UMA MALDIÇÃO


Minha primeira paixão foi Liu,
Namoradinha de infância,
Tínhamos dez anos, mais ou menos,
Ela era a menina mais linda que eu já havia visto,
Jurava que nos casaríamos,
Mas não lembro como tudo acabou.

A segunda paixão veio através do tubo mágico
Que era a televisão,
Naquele momento da vida, apenas magia e diversão:
Betty Faria, encantadoramente linda
Na novela Cavalo de Aço.

Nunca perdia um capítulo!
Ela era a mulher mais linda que eu já havia visto,
E jurava que um dia nos conheceríamos e nos casaríamos
Sendo felizes para sempre.

Ser poeta é assim gente,
Se apaixonar diariamente por uma mulher,
Um novo amigo, uma flor, uma música, um sonho,
Vários desejos.

Ser poeta é não ser deste mundo,
Buscar a felicidade nas paixões e delas se alimentar;
Por isso o poeta é boêmio e adora a noite,
Quando bêbado canta e sorri, faz longas declarações de amor,
Que pela manhã, se esvai como a possibilidade de ser infinitamente feliz.

Ser poeta é buscar no mundo algo que não é deste mundo,
Coisas que não são possíveis,
Prazeres que não são duradouros, ou verdadeiros?
Viver sorvendo emoções a todos os momentos,
Insaciável,
Criar um novo mundo através da poesia
E fingir que é feliz.

Ser poeta é muita maldição.

(Itárcio Ferreira)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

5 POEMAS DE ERICKSON LUNA, O ÚLTIMO BEATNIK

tributo erickson luna
(Foto AQUI)

3 X NÃO
Não creia em mim
Não há futuro
Não me deixo pra depois


SEM TIC-TAC
Mesmo um relógio parado
consta certo as horas
duas vezes ao dia


UMA PRESENÇA
Vez por outra uma presença
me confunde a solidão
menos espero
e muito mais me vejo só
Não ter do que ter saudade
me deprime e reanima
se me constrange
também não me tira a calma
Além da dor que me embriaga
a lucidez
resiste ao dia, a esta cidade
e a vocês

MARIPOSA
Pra eu poder
e só
andar nas ruas
fez-se em volta uma cidade
Para se dar
mais colorido à noite
pôs-se acima um luminoso
E pra que eu
me sinta bem enfim
nesta cidade
há-se em mim um cidadão
Portanto livre
como o que é em noite
e que enche as ruas
perseguindo luzes
acordando
ainda que em sonhos
íntegro
ainda que meio-homem
plenamente meio
mariposa

CANTO DE AMOR E LAMA I
Choveu
e há lama em Santo Amaro
nas ruas
nas casas
vós contornais
eu não
a mim a lama não suja
em mim há lama não suja
eu sou a lama das chuvas
que caem em Santo Amaro
Vosso Scotch
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama
das chuvas que caem
em Santo Amaro das Salinas

Erickson Luna, poeta recifense, falecido em 2007, foi um dos destacados Poetas Marginais, conhecido por seu romantismo marginal e palavras sábias. Teve alguns poemas publicados na Coletânea poética I – marginal Recife (2002) e em fanzines. Em 2004 lançou o livro ‘Do moço e do bêbado’ (2004).


domingo, 10 de novembro de 2013

EM PRIMEIRO LUGAR O SEXO!


"É de se apostar que toda idéia pública, 
toda convenção aceita seja uma tolice, 
pois se tornou conveniente à maioria."
-- Edgar Allan Poe
Em primeiro lugar o sexo!
É para isso que existimos,
Legar a outro animal
O nosso código genético.


Mas através da moral
Fingimos não entender
Nosso simples destino
E criamos mitos.


O resto são costumes...

(Itárcio Ferreira)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O vendedor de ostras, do Poeta Carlos Maia



          Costumava descer duas paradas antes, quando ia ao Recife Antigo, para atravessar andando as duas pontes e apreciar o rio iluminado pelas luzes da noite.


          O pai, poeta e desempregado, lhe dera 200 livros para ele vender, já que não podia lhe dar uma mesada. Aquela noite estava fraca, só tinha conseguido vender três livros. Estava sentado na calçada da Rua da Moeda tomando um Carreteiro quando um vendedor de ostras sentou-se ao seu lado e começou a se lamentar, pois vinha de Barra de Jangada a pé e não tinha conseguido vender quase nada.


          Ele disse para o vendedor:

          - Olha meu irmão, eu não gosto de lamentação não! Toma aí um copo de vinho pra relaxar...



          O vendedor o olhou admirado, parou um instante e retrucou:
          - Tu é um cara rochedo! Eu vou aceitar! Quer umas ostras?



          E assim eles ficaram bebendo a noite toda, e se despediram como os dois maiores amigos do mundo; para nunca mais se verem...




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

FRUSTRAÇÕES, O POEMA

(Darcy Ribeiro)


                   “Fracassei em tudo o que sonhei na vida.” (Darcy Ribeiro)


Não ter nascido lindo feito Elvis Presley ou Marlon Brando
Não ter feito uma canção com Chico Buarque ou com Bob Dylan
Não ter as pernas da Isadora Duncan ou as do Maradona
Nem a habilidade de um Garricha, de um Heraldo do Monte.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ter namorado a Marilyn Monroe ou a Audrey Hepburn
Não ter sido amado pela Lucélia Santos ou pela Débora Bloch
Não ter a voz de Cauby Peixoto nem a de Elis Regina
Não ter a poesia de Manuel Bandeira, de Mario Quintana ou de Carlos Maia.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ter lutado na guerra civil espanhola
Nem ter morrido ao lado de Che na Bolívia
Não conseguir beber tanto quanto o Jaguar ou o Ericsson Luna
Não ter tanto amores e amigos como o Vinícius de Moraes
Ou o Adriel Evangelista.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ter o humor de um Groucho Marx ou de um JJ
Não ter a inteligência nem o conhecimento de Nietzsche ou de Chico Pena Branca
Não ter trabalhado em Hair ou em A Doce Vida
Não ter escrito Dom Casmurro nem Cem Anos de Solidão.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ter batido os recordes de João do Pulo ou de Usain Bolt, mesmo sem as pernas 
Nem ter sido um talento político à moda de Brizola ou de Darcy Ribeiro
Não ter sido um professor ou jornalista, mas apenas um pequeno burocrata de oitava categoria e enfadado
Nunca ter jogado uma pelada nas areias da praia de Gaibu ou dançado no Clube das Pás, sábado à noite, de sapato branco.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ter sido ignorado pelo vírus da pólio nem pelo terror da depressão
Não ter viajado a Cuba ou a Pasárgada
Não ter sido abortado ou nem mesmo concebido
Não ter nascido alienado, parvo, burro.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


Não ser um porco, um cavalo ou um passarinho
Não ter a defesa dos espinhos ou cheiro das flores
Nunca ter sido água, ar, terra ou fogo, cigano ou palestino
Não ter sido nada, nunca ter existido, nunca ter respirado.


“Fracassei em tudo o que sonhei na vida.”


(Itárcio Ferreira)


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

CEIA

Ceia do Senhor na Lagoa da Picada

Por que não sentamos à mesa
E dividimos o mesmo pão,
Ao invés de nos matarmos,
Cada vez mais, e cruelmente,
Por um punhado de ouro,
Por um poço de petróleo?