Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 28 de maio de 2010

EXISTIMOS OU SOMOS APENAS SONHOS?



Existimos ou somos apenas sonhos

de um deus adormecido?


A dor que ora sentimentos

é mais forte aqui e agora

ou nos persegue com a mesma intensidade

quando sonhamos?


Mas sonhar é fundamental.

Mas viver é fundamental,

embora nem a todos a vida seja permitida.


Não sonhássemos e não existiriam

os gigantes;

não sonhássemos e não existiriam

Cervantes e seu Dom Quixote;

não sonhássemos e a vida não teria o sabor da aventura:

descer das árvores e andar ereto;

a roda;

enfrentar os mares e suas serpentes;

voar com Santos Dumont

ou nos poemas de Bandeira.


Não sonhássemos,

e o desespero nos abateria,

como nas guerras uns homens abatem outros.


Não sonhássemos,

não haveria a esperança da liberdade.


Liberdade! Não em uma democracia que se fundamenta no consumismo

(Homens, consumam e eu vos devorarei!),

mas em uma sociedade em que houvesse justiça,

sem rótulo, sem etiqueta,

(Ouves, Poeta?)

uma sociedade que talvez seja apenas sonho,

mas o sonho é matéria-prima da realidade,

sendo o contrário também verdadeiro.


Sonhar,

com um mundo sem fome e sem dores,

onde as eleições e as sentenças não sejam mercadorias,

onde as classes sociais não existam,

onde negros, brancos, amarelos, vermelhos,

qualquer outra cor que exista formem um arco-íris;

sonhar

um mundo sem guerras, um mundo sem ódios,

um mundo sem Bush, sem Ariel Sharon,

sem Fujimori ou FHC:

um mundo sem a poliomielite!

Sonhar, enfim, com a flor azul de Novalis

e uma imensidão de mulheres nuas.


(Itárcio Ferreira)