Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A leitora que fez o Luci se emocionar

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Flor da Idade - Chico Buarque



Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava 
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha.

Quadrilha, poema de Carlos Drummond de Andrade



João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Matador de Passarinho - Rogerio Skylab entrevista Tim Rescala

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dois poemas de Carlos Maia

Minha foto


A seriedade
Dos homens de plástico
Que leem jornais
E não vêem
Os Ipês roxos
Floridos
Da Agamenon Magalhães
Esmaga
Todo o cotidiano!

***

O homem com as suas
Máquinas posantes
Distancia-se
A cada dia mais
Do próprio homem
E anda perdido no facebook,
Orkut, E-mail's e internet
E não vê mais o amigo
Face a face!


"Modinha" de Sérgio Bittencourt, por Taiguara

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Aviso importante!

Imagem do projeto Yes, We Fuck

"Amor Marginal", por Johnny Hooker

A Flor e a Náusea, poema de Carlos Drummond de Andrade



Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

A arte de Júlio César

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domingo, 20 de setembro de 2015

Divina Comédia Humana



Trecho final: poema Via Láctea - Olavo Bilac.

Via Láctea (trecho XIII), poema de Olavo Bilac

 

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Olavo Bilac

Ora direis ouvir estrelas, de Olavo Bilac, por Juca de Oliveira

Como parecer inteligente numa palestra

sábado, 19 de setembro de 2015

Ilhas Seicheles 2, por Thomas P. Peschak


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Estas e outras fotos foram publicadas no site Momento Curioso, ilegalmente, sem a informação da fonte e do link para o original, ou seja, a página do autor Thomas P. Peschak.

O ANÚNCIO




Vi o anúncio. Foi uma grande tentação. Tremi. Olhei para trás. Minha esposa estava na sala. Novela com certeza. Certeza? Meu casamento já durava mais de dez anos. Somos mais amigos que amantes. Ou melhor, amigos, apenas. Mais cúmplices que marido e mulher. O encanto foi-se sem que percebêssemos. Minha barriga cresceu. A bunda dela murchou. Não há tesão que resista ao tempo. A rotina.

Todos os anúncios são tentadores. O consumo vicia. Como o açúcar. A internet. A televisão. Que o digam os seus templos. Sempre lotados. Os shoppings. Que detesto! Meus vícios são livros. Bebidas. À noite, vinho. Na praia, sob o sol, cerveja. Pode ser ao contrário, também. Mas as mulheres têm o seu espaço em minha vida. Ou tinham. Em minha imaginação. Em meus sonhos e fantasias. Obrigado, Deus, pelo viagra. Obrigado, pelo meu ateísmo.

O anúncio era tentador. Sigilo total. Como naquela música: “Sigilo total / sexo total / amante profissional.” O anúncio era melhor do que a música, com certeza. Como fui me lembrar desta porcaria. Ainda bem que hoje temos Anita. Gostosa! Vanessa popozuda. Gostosa! E não aquele gordinho sem camisa, cantado, "sexo total".

O casamento é a pior droga do mundo. Por que é liberado? E não a maconha? Acaba o amor. Destrói o sexo. Mas ficamos presos a ele. Não é fidelidade, sei. Mas, solidariedade. Será? Ou não? Só sei que nada sei, dizia o Zico. Concordo com ele. Por que não proíbem o casamento? E as cervejas da Ambev? Duas drogas!

Já paguei por sexo, não nego. Tive que tirar dinheiro da poupança. Estava juntando para algo grandioso. Ou uma emergência. Esse planos de saúde, só deus. Ou o Cunha? O que de grandioso já aconteceu na minha vida? Nada. Nem vai acontecer. Já estou beirando os sessenta. Por isso tirei o dinheiro da poupança. Era meu. Nem foi, assim, tão legal. Não foi O Gozo. Estava nervoso, feito adolescente. Um velho, babaca. Aposto que foi isto que pensou a garota. Ele sorria. Zombando, claro. Mas o gostoso não é só o sexo. Este pensamento me trazia certo conforto. Eu não era tão ridículo, então. A prenda maior: a conquista, fica sem sabor. O anúncio prometia isto: conquiste. Conquiste uma amante. Tenha uma aventura. “A vida é curta. Curta um caso!”

Eu precisava de um caso. Havia ainda dinheiro na conta de poupança. Alguém que me fizesse sonhar. Suar. Tremer. Esperar, ansiosamente por um encontro. Minha vidinha de funcionário público é um fardo. Passo mais tempo na internet do que tomando cafezinho. Cansa representar um servidor exemplar. Um pai exemplar. Um marido exemplar. Um cidadão de bem. Seja lá o que isto signifique. Mas, sempre leio na Veja. Eu estava prestar a explodir. Lembrei-me de Visioneers. Quem me dera, de fato, explodir. Jogar tudo pelos ares. Vida medíocre. Ainda bem que existe o viagra.

O anúncio seria minha salvação? Deus, onde estás que não respondes?. Lembrei-me, deus não fala com os ateus. Ainda bem que existe a internet. E o viagra. E um dinheirinho na conta de poupança. Da Caixa, vem!



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Rabiscos produzidos após a leitura do artigo Bordel Virtual, de Frei Betto.