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domingo, 8 de março de 2015

CRÍTICA: GOD BLESS AMERICA – ABENÇOE LOGO, POR FAVOR

746 Crítica: God Bless America   Abençoe logo, por favor

Por Vinícius Salazar, via Via Taxi Café

Pobre Frank, só estava tentando ser gentil com uma colega de trabalho. Foi demitido por suspeita de assédio sexual. Talvez não seja de todo ruim, afinal não aguentava mais as conversas vazias que aconteciam nos corredores de seu trabalho. Em compensação, terá que aturar seus vizinhos barulhentos e adeptos de uma péssima programação televisiva. Sem falar que é difícil lidar com a ex-esposa e sua filha mimada, que aparentemente o odeia. A cereja do bolo, um câncer gravíssimo acaba de ser descoberto em sua cabeça. O que você faria no lugar dele?
God Bless America é uma comédia de humor negro que foi lançada em 2011, em um circuíto extremamente restrito, tanto que só chegou em terras tupiniquins via vídeo on demand. Ela acompanha o tal Frank que eu citei acima, um solitário homem divorciado de meia idade, que despreza grande parte das características entranhadas no american way of life. Todo o descarrilhamento de sua vida pessoal culminam em uma epifania onde, a beira do suicídio, ele decide com suas próprias mãos dar uma limpada na sociedade. Contando com a companhia de Roxie, uma adolescente igualmente chateada com o mundo, ele parte em uma estrada sanguinária e libertadora, mas que claramente não terminará bem.
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Combinando aspectos de grandes filmes que criticam o “americanismo”, como Um Dia de Fúria e Beleza Americana, God Bless America se solta mais ao satirizar as incoerências ocidentais e o faz de maneira incisiva, violenta e bem distante de sutilezas. Grande parte da crítica vai para a superficialidade cultural das pessoas, exposta pela popularidade exacerbada de reality shows idiotas, apresentadores fascistas de programas sensacionalistas, fanáticos religiosos que pregam o ódio e a reverberação de todas essas ideias nas rodas de conversa, comportamento bem descrito em um diálogo de Frank: “Ninguém diz nada. Apenas regurgitam o que assistem na TV, ouvem no rádio ou veem na internet”.
Personas populares na cultura pop americana e mundial também não escapam dos comentários verborrágicos da dupla, como Diablo Cody e Alice Cooper. Cenas memoráveis onde Roxy e Frank fazem uma crítica dentro da crítica, principalmente relacionadas a politica armamentista dos EUA. Comportamentos simples também se tornam motivo para a reação extremista da dupla de anti-heróis, como pessoas conversando e mexendo no celular no cinema, pessoas que te fecham no trânsito. Reações que você sempre pensou em ter. Toda essa identificação com a indignação e chateação dos protagonistas, torna ainda mais compensatória e catártica a rajada de balas que se sucede.
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Tecnicamente bem executado, com uma trilha sonora excelente e atuações cativantes de Joel Murray e Tara Lynne Barr, o diretor e roteirista Bobcat Goldthwait entrega um filme violento, catártico e libertador, que escancara o que muita gente está cansada de saber, mas que não consegue evitar. Com um grande potencial para se tornar cult. Ao subir dos créditos fica a sensação de que só mesmo uma benção divina seja capaz de nos tirar desse buraco onde nos enfiamos. Oremos, então. E que Deus abençoe a América.