Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Entra pra dentro, minino!

Foto:

VOCÊ ME MOSTRA UM ÁS, poema de Itárcio Ferreira

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Você me mostra um ás,
a maior carta do jogo. 
Fico sem saber o que fazer.

Fosse um jogo de xadrez,
seria xeque-mate,
mas não é um jogo,
e sim apenas a vida.

Ficamos trocando cartas,
enquanto a morte não vem.
(Está pronto, seu lobo?)


Visitem o blog do poeta: Itárcio Ferreira, poemas

Itárcio Ferreira por Eduardo Garcia

livros


Nasceu em Carpina, cidade da zona da mata de Pernambuco, em 1962. Com um ano de idade a poliomielite o abraçou como uma camisa de força a um louco, deixando sequelas no seu corpo e na sua alma, mas também matéria para a poesia.
Publicou seu primeiro livro de poemas em 1983 – “Se Não Canto, Pelo Menos Grito”.
Também escreve  contos e teve um livro editado em 1981 – “A Construção e Outros Contos”. Em 2002 gravou um CD – “Maracatu Prá Ela” – via Sistema de Incentivo à Cultura do Estado (FUNCULTURA).
Em breve estreará um canal de música no YOUTUBE onde interpretará canções autorais.
Está lançando agora “Toda Colheita” com toda sua produção de poemas escritos desde 1979 até o final de 2015, seis livros em um só volume.


O poema caiu de mim-árvore,
madurado,
na época certa da colheita.

Tinha no gosto
o acre de alguns momentos
de desencanto e tédio,
e o doce açúcar de outros,
como um beijo
na boca da amada
ou um amanhecer cor de fogo
com uma leve brisa
que tudo anuncia.

Havia ainda
a leve embriaguez
do álcool ou do sexo.

Ofereço-vos este fruto.

Que a sua polpa dê forças
ao vosso corpo
e suas sementes,
após secas e plantadas,
floresçam,
e que, enfim, a beleza
faça parte de vosso pomar.

Poema Acolhimento

A poesia está para Itárcio como a música, talento assim distribuído em poemas de amor, de conflitos existenciais, amor ao próximo, contra todo tipo de preconceito, humanidade e o carinho pela natureza. Enfim Itárcio Ferreira.

Texto Pesquisa Comentários
Luis Eduardo Garcia Aguiar
Escritor – Jornalista – Diretor de Comunicação da UBE

Para refletir (53)

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Asoka


"Respeitando-se todas as crenças - pois sempre há algo a ser apreciado nelas por essa ou aquela razão - glorificamos nossa própria crença e prestamos serviços as demais." 

(Asoka, Imperador da Índia) 

Para refletir (52)

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“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro, como há de haver certa quantidade de luz. Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros que têm em si o decoro de muitos homens. Estes são os que se rebelam com força terrível contra os que roubam aos povos sua liberdade, que é roubar-lhes seu decoro. Nesses homens vão milhares de homens, vai um povo inteiro, vai a dignidade humana…"

(José Martí,  intelectual, jornalista, filósofo, poeta cubano)

Sérgio Sampaio - "Bloco Na Rua"

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Para Belchior, com amor… pelos seus 70 anos de rapaz latino-americano.

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Prezado amigo Afonsinho



Morreu Carlos Alberto Torres, capitão da seleção brasileira de futebol, campeã mundial em 1970. Time considerado o melhor do Brasil em todos os tempos. Há quem discorde, e eleja a seleção de Telê Santana de 1982, mesmo não tendo sido campeã. Nunca soube nada da vida e do pensamento do “Capita”, apenas uma vez o vi comentar a final da copa do mundo de 1986, entre a Argentina de Maradona e a Alemanha. Declarou que torcia pela Alemanha. A Argentina venceu por 3X2. Pensei, na época: “Como um negro latino-americano torce pela Alemanha em vez de torcer pelos nossos irmãos argentinos.” Ele tinha os seus motivos e eu os meus. Ídolos futebolísticos tenho pouquíssimos: Afonsinho, Dr. Sócrates e Dom Diego Maradona. 

I.F.

A Marte, poema de Eunápio Mário


Espalharam-se os humanos pela Terra
Como praga que se alastra em feridas
Afastando-se da própria natureza
Sendo presas de guerras não vencidas

Seguiram sem saber líderes loucos
No afã de lucro fácil e vil riqueza
Abundantes títeres, pensantes poucos
De Évora e Cipriano fizeram suas rezas

O intuito agora é habitar novo planeta
Como se este aqui estivesse por encerrar
E a humanidade não passasse de um delírio

Já puseram a Arca de Noé em um gameta
E preparam-se para ao infinito arremessar
Até que o mundo fique prenhe de martírios


ORTOPOEMA , poema de João Francisco Lima Santos



Tenho
dentes tortos,

corrigi-los:

Custa
o marfim dos elefantes.

Não vou satisfazer
a tola
estética do mundo.

Quem me ama,
ama e goza
inteira
até com meus dentes tortos.

São tortos,
sim,
como minha infância
torta.

Como torta é a pobreza
que ninguém olha
e segue ela
mastigando a vida.

Iam eles
desalinhando
à medida
que me mandavam engolir
o choro
quente,
pois quentinho já estava
o meu couro.

Antes
de engolir,
eu mastigava com toda raiva
todas as palavras.
que não podiam ser ditas.

Só ditas,
bem ditas,
no baixinho do confessionário.

Lá,
longe do inferno do lar,
eu as vomitava
com medo de viver
dois infernos
paralelos:
o do céu
e o da Terra.

A nudez dos atletas paralímpicos (2010)

Hermes Aquino - "Machu Picchu"

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A saga de Lulampião e Marisa Bonita

you are welcome to elsinore, poema de Mário Cesariny

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Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte   violar-nos   tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas   portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny

Homens, perdoai-lhe, prosa de José Saramago

 

Jesus morre, morre, e já o vai deixando a vida, quando de súbito o céu por cima da sua cabeça se abre de par em par e Deus aparece, vestido como estivera na barca, e a sua voz ressoa por toda a terra, dizendo, Tu és o meu filho amado, em ti pus toda a minha complacência. Então Jesus compreendeu que viera trazido ao engano como se leva o cordeiro ao sacrifício, que a sua vida fora traçada para morrer assim desde o princípio dos princípios, e, subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e de sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez.

"O Evangelho Segundo Jesus Cristo"

José Saramago

A arte de Natumi Hayashi

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Tanga de Sereia - "O homem do gás"