Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

As 100 Maiores Obras-primas da Literatura Mundial (segundo os grandes autores da atualidade em 2002)

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O único brasileiro da lista

Os editores do Norwegian Book Clubs, juntamente com o Norwegian Nobel Institute divulgaram o resultado da votação, realizada (em 2002) pelos 100 dos maiores autores da atualidade de 54 países, no qual estes consideraram a mais contundente e acertada obra de literatura mundial. 


Entre os autores selecionados para está votação, estão Milan Kundera, Doris Lessing, Seamus Heaney, Salman Rushdie, Wole Soyinka, John Irving, Nadine Gordimer, e Carlos Fuentes.

A lista dos 100 livros mais votados aparecem em ordem alfabética, embora os livros não estejam ranqueado,os editores revelaram que Dom Quixote recebeu mais de 50% dos votos do que qualquer outro livro.


• Chinua Achebe - O Mundo se Despedaça - Nigéria


• Hans Christian Andersen - Histórias e contos encantados- Dinamarca


• Jane Austen - Orgulho e Preconceito - Inglaterra


• Honore de Balzac - O pai Goriot - França


• Samuel Beckett - Trilogy: Molloy, Malone Morre, O indomável - Irlanda


• Giovanni Boccaccio - Decamerão - Itália


• Jorge Luis Borges - Ficções - Argentina


• Emily Bronte - O Morro dos Ventos Uivantes – Inglaterra


• Albert Camus - O Estrangeiro - França


• Paul Celan - Poemas - Romênia


• Louis-Ferdinand Celine - A Viagem ao Fim da Noite - França


• Miguel de Cervantes - Dom Quixote - Espanha


• Geoffrey Chaucer - Contos da Cantuária - Inglaterra


• Anton Chekhov - Contos escolhidos - Rússia


• Joseph Conrad - Nostromo- Inglaterra


• Dante Alighieri - A Divina Comédia - Itália


• Charles Dickens, Grandes Esperanças - Inglaterra


• Denis Diderot - Jacques o Fatalista e seu Amo - França


• Alfred Doblin - Berlin Alexanderplatz - Alemão


• Fyodor Dostoyevsky - Crime e Castigo, O idiota; Os Demônios, Os irmãos Karamazov - Rússia


• George Eliot - Middlemarch: Um Estudo da Vida Provinciana - Inglaterra


• Ralph Ellison- O Homem Invisível – Estados Unidos


• Eurípides - Medeia - Grécia


• William Faulkner - Absalão, Absalão - O som da fúria – Estados Unidos


• Gustave Flaubert - Madame Bovary - A Educação Sentimental - França


• Federico Garcia Lorca - Gypsy Ballads - Espanha


• Gabriel Garcia Marquez, Cem anos de Solidão; Amor em Tempo de Cólera - Colômbia


• Anon - Epopeia de Gilgamesh – Mesopotâmia 


• Johann Wolfgang von Goethe - Fausto - Alemanha


• Nikolai Gogol - Almas Mortas - Ucrânia


• Günter Grass, O Tambor - Alemanha


• João Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas - Brasil


• Knut Hamsun - Fome - Noruega


• Ernest Hemingway - O Velho e o Mar – Estados Unidos


• Homero - Ilíada - Odisseia - Grécia


• Henrik Ibsen - Casa de Bonecas - Noruega


• Anon - The Book of Job - Israel


• James Joyce - Ulisses - Irlanda


• Franz Kafka - O processo - O Castelo - Praga


• Kalidasa - The Recognition of Sakuntala - Índia


• Yasunari Kawabata - O Som da Montanha - Japão


• Nikos Kazantzakis - Zorba o Grego - Grécia


• D. H. Lawrence - Filhos e Amantes - Inglês


• Halldor K. Laxness - Independent People - Islândia


• Giacomo Leopardi - Complete Poems - Itália


• Doris Lessing - O caderno Dourado - Inglaterra


• Astrid Lindgren - Píppi Meialonga - Suécia


• Lu Xun - Diary of a Madman and Other Stories - China


• Anon - Mahabharata - Índia


• Naguib Mahfouz- Os filhos de Gebelawi - Egito


• Thomas Mann - Os BuddenbrookS - A montanha mágica -Alemanha


• Herman Melville - Moby Dick – Estados Unidos


• Michel de Montaigne - Os Ensaios- França


• Elsa Morante - História – Itália 


• Toni Morrison - Amada - Estados Unidos


• Murasaki Shikibu - A História de Genji - Japão


• Robert Musil - O Homem sem Qualidades - Áustria


• Vladimir Nabokov - Lolita - Rússia


• A Saga de Njal - Islândia


• George Orwell - 1984 - Inglaterra


• Ovid - Metamorfoses - Itália


• Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego - Portugal


• Edgar Allan Poe - Histórias extraordinárias – Estados Unidos


• Marcel Proust - Em Busca do Tempo Perdido - França


• Francois Rabelais - Gargantua e Pantagruel - França


• Juan Rulfo - Pedro Paramo - México


• Jalalu'l-Din Rumi - The Mathnawi - Irã


• Salman Rushdie - Os Filhos da Meia-Noite -Índia


• Sheikh Saadi of Shiraz - The Bostan of Saadi (The Orchard) - Irã


• Tayeb Salih - A Season of Migration to the North - Sudão


• Jose Saramago, Memória de Convento - Portugal


• William Shakespeare, Hamlet; Rei Lear; Othello - Inglaterra


• Socrátes - Rei Édipo - Grécia


• Stendhal - O Vermelho e o Negro - França


• Laurence Sterne - Vida e Opiniões de Tristram Shandy – Irlanda


• Italo Svevo - A consciência de Zeno - Itália


• Jonathan Swift - As viagens de Gulliver - Irlanda


• Leo Tolstoy - Guerra e Paz; Anna Karenina; A Morte de Ivan Ilyich e outras histórias.- Rússia


• Mark Twain - As Aventuras de Huckleberry Finn – Estados Unidos


• Valmiki - Ramayana - Índia


• Virgil - A Eneida - Itália


• Walt Whitman - Folhas da Relva – Estados Unidos


• Virginia Woolf - Mrs Dalloway - A casa assombrada - Inglaterra


• Marguerite Yourcenar - Memórias de Adriano - Bélgica



Via: NTLC

*****

Nota do blog:
Toda lista é polêmica. Para mim faltou "Dom Casmurro", de Machado de Assis.

O inferno


Como esmagar sua misantropia, por Ray Cruz




1. pare de comparar suas qualidades com os defeitos alheios.

2. ignore todos os aspectos em comum nos seres humanos.

3. mantenha o máximo de distância possível da sua família.

4. nunca saia de casa sem antes tomar um litro de vodca.

5. aceite todos os panfletos das igrejas e santinhos e use pra enrolar baseados ou acender seus molotovs.

6. visite grupos de apoio para doentes terminais.

7. só fique em casa no horário das refeições, mas sempre que sair de sua casa, leve-a consigo.

8. venda afrodisíacos em praias de nudismo.

9. tenha amigos imaginários, mas só fale com eles em Libras.

10. crie sua sociedade secreta para conquistar o mundo e pare de usar o ponto final

11. diariamente cometa o pior erro da sua vida ou faça a coisa mais idiota que conseguir imaginar

12. entre para o clube dos niilistas alegres

13. organize filas, ame ou odeie uma pessoa de cada vez


Para refletir (30)

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Leandro Karnal

"Temos um longo caminho pela frente. Aprender a ser crítico sem destruir, aprender a ser policial sem cegar, aprender a discordar sem apoiar violência e, acima de tudo, aprender a dialogar."

(Leandro Karnal, pensador e historiador brasileiro)

Oswaldo Montenegro - "A Lista"

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Fuga, poema de Aglaja Veteranyi



A criança põe a boneca na mala.
A mãe põe a criança na mala.
O pai põe a mãe e a casa na mala.

O exterior põe o pai com a mala na mala.
E envia tudo de volta.

Escondem-se na floresta:

1 boneca
1 criança
1 mãe
1 pai
1 casa
2 malas
1 fuga.


Tradução de Fabiana Macchi

#ForaTemer - 4


POEMINHA DE LOUVOR AO "STRIP-TEASE" SECULAR, poema de Millôr Fernandes


Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!

A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!

As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.

E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.

E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.

Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

Maíra Freitas - "Cravo e Canela"

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Viva o socialismo!

A QUEM INTERESSAR POSSA, poema de Itárcio Ferreira


Com o mesmo esforço
de pôr meu corpo sobre as pernas,
diariamente luto
por uma revolução.

Tento subverter as cabeças,
mas as novelas, a roupa da moda,
o novo modelo de geladeira,
o superávit na balança comercial
ou a mulher boa e o futebol
são moinhos gigantes;
e, como não sou Dom Quixote,
a minha luta
nem graça tem.

Pink Floyd - "Another Brick In The Wall"

Uma mulher chocante

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Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Nietzsche

A russa Lou Andreas Salomé chocou a sociedade europeia do início do século XX por ser, ao mesmo tempo, bela, sexy, inteligente, culta e livre. Reconhecida como grande pensadora em uma época marcada por ilustres nomes, ela se relacionou, de um modo ou de outro, com muitos deles – e deles recebeu admiração, paixão e respeito intelectual.
Manteve, por décadas, um casamento aberto e inúmeros relacionamentos, incluindo Nietzsche (que literalmente enlouqueceu por ela), Freud, Rilke e uma longa lista.
Lou Andreas Salomé (ou Luisa Gustavovna Salomé) nasceu em São Petersburgo (1861), e viveu, estudou, escreveu e exerceu a psicanálise – foi uma das primeiras e principais discípulas e correspondentes de Freud – em Paris, Roma, Berlim, Zurique e outras cidades europeias.
Quinze anos mais velha do que Rilke, foi a “grande mulher” atrás do grande poeta alemão. Ensinou-lhe russo e o introduziu na obra de Tolstói e Púchkin, além de apresentá-lo a parte importante da intelligensia europeia.
Em sua obra, destacam-se estudos sobre Nietzsche, Rilke e sobre sua própria vida, além de ensaios pioneiros sobre a sexualidade feminina.
Lou Andreas Salomé faleceu em 1937, pouco antes de a Gestapo emitir uma ordem de prisão contra ela.
Via hedra

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Antídoto para impossibilidades e paralisias, poema de Yasmin Nigri

yasmin-nigri


Estamos pisando sobre os restos
Única maneira de não esquecer



Irina bebe às vezes respira
Hoje é o último capítulo da novela
Rastreador ligado
Por livre e espontânea assinatura
Vai pro futuro, Olga,
Um carro de dois lugares
Quantos morreram na Liberdade
Em nome da Ordem
Macha não sabe aonde quer chegar
Andrei se entregou a um ponto fixo
Rompe uma luz perdida
Eles não sabem por onde pisam
Fios de sangue varridos
Massacres Esquecidos
Uma prisão chamada entretenimento
Uma prisão de classes
Subindo pela língua
Os rostos refletidos no asfalto
As lanternas da Liberdade estão
Queimadas afogadas sem vestígio
Como é o olhar dos motoristas
De caminhão pipa
Que não têm água em casa
Que não têm água em casa

ante um poema morno, poema de Juliana Meira


ante um poema morno
ergui grande fogo
e dancei

uivei como só ousam
os lobos
transmudei versos em
incenso

por isso este silêncio
pavoroso
estas mãos ardendo

Visitem o blog da poeta: tempoema

Saia da Matrix

A casa, poema de Aglaja Veteranyi

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Um estrangeiro de nascimento havia perdido seus sapatos. Ele os havia deixado em sua casa e jogado a casa fora, em um rio. Ou havia a casa se jogado a si mesma fora?


O estrangeiro de nascimento foi de rio em rio.

Certa vez ele encontrou um velho debaixo d´água com uma placa ao redor do pescoço: CÉU AQUI.
O estrangeiro perguntou: Como, céu?
O velho coçou as axilas e apontou para a placa.

A casa então apareceu de novo, mas num local completamente diferente. E talvez fosse uma outra, pois ela não conseguia lembrar-se dos sapatos do estrangeiro.

Mais tarde perdeu a casa sua porta.


tradução de Ricardo Domeneck 

O meu testamento, poema de Joe Hill


O meu testamento é fácil de decidir
porque não há nada a dividir.
O meu povo não precisa de choro nem lamento
que o musgo não cresce numa pedra em movimento.

Joe Hill 

(Sindicalista estadunidense fuzilado em 1915)

Dominguinhos - "Fulô de Araçá"

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Problema?

A pantera, poema de Rainer Maria Rilke


(No Jardin des Plantes, Paris)

Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.

O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.

Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. – Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha –
e se apaga quando chega ao coração.

Rainer Maria Rilke

Tradução de José Paulo Paes
 

Para refletir (29)

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Mikhail Bakunin

"As pessoa vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para se estupefazerem, para se esquecerem de sua miséria, para se imaginarem, de algum modo, livres e felizes."

(Mikhail Bakunin, teórico político anarquista russo)

sábado, 3 de setembro de 2016

Conselho anárquico

Mar português, poema de Fernando Pessoa


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Estrela Leminski e Téo Ruiz - "Parecer"

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

ando com aqueles, poema de Juliana Meira


Casamento moderno

Não sou poeta, poema de João Francisco Lima Santos

Não sou poeta
fichado
emoldurado
com carteira de identificação.

Não tenho assento em academias
onde legendas literárias
discutem
a poesia local, universal
e a nova teoria do verso hermético.

Que sabe eu do ABC de Pound?
Que sabe eu do anjo terrível de Rilke?
Que sabe eu da estação no inferno de Rimbaud?
Que sabe eu da flauta atravessada no pulmão de Maiakovski?
Que sabe eu do cheiro das flores do mal de Baudelaire?
Que sabe eu do rio invisível de Neruda?
Que sabe eu dos filhos de barro de Otávio Paz?
Que sabe eu de quantas pessoas há em Pessoa?
Que sabe eu do verde que te quero verde de Lorca?

Confesso que nada
Vivi!
Nadinha mesmo!
Eu não sou nada,
a não ser sonho!

Não fui alfabetizado na arte de versejar
nem velejar por esse mar...

A poesia não sentou praça
nos velhos bancos escolares
onde torrei neurônios com fórmulas...
onde torrei neurônios com regras gramaticais...

Tudo tão estúpido
quanto o eu de Betinho...
Tudo tão sexo dos anjos
sem o Augusto delírio...
Tudo tão sem Clara
na escuridão escolar...
Tudo tão Ateneu
como Roma incendiada...

Já que a injustiça nunca se resolve,
resolvi
diante das intempéries da vida
desenhar palavras na perspectiva do verso
sem consciência
métrica...
homérica...
dantesca...
longe
longe da educação pela pedra...
Desembarquei
no lugar comum
sem inovações
concretas
pirâmide de palavras...
Meu verso é lugar comum
no comum dos dias
e lida apenas com o comum
Sei que meu verso
aqui descrito
não baterá na porta
da crítica
sofisticada
higienizada
via mensageiros de Apolo...

Meu verso tem pés no chão
redigo:
do lugar
comum onde se nutre
e sabe por osmose
que há fome no seio do povo
que há presos em cadeias imundas
que há negros ofendidos
que há mulheres espancadas
que há crianças em escola sem futuro
que há fronteiras e seus tristes muros
que há guerras fraticidas
que há canalhas tomando o poder de assalto
que há muita coisa debaixo do sol
e sabe
também
que as elites olímpicas
não leem
a poesia marginal
ponto final

Mas
escreverei meu verso
com ritmo
dos bêbados
dos loucos
até que um dia chegue
à mesa
dos deserdados
a palavra concreta:
justiça
e concretizada
se realize
no tempo e no espaço
de nossas vidas.

Quando o sol governará
enfim
para todos
na igualdade fraternal.

Bruce Springsteen - "I Want You"

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Qual é o segredo da felicidade?

Para refletir (28)

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Platão

"O bom juiz não deve ser jovem, mas ancião, alguém que aprendeu tarde o que é a injustiça, sem tê-la sentido como experiência pessoal e ínsita na sua alma; mas por tê-la estudado, como uma qualidade alheia, nas almas alheias."

(Platão, filósofo e matemático grego)

Algazarra, poema de Waly Salomão

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Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.

Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.

Waly Salomão

María Martha Argerich - Chopin - "Heroica"