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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Tenda dos Milagres", o grito de Amado contra o preconceito


Por Carlos Motta, via Crônicas do Motta

Por uma falha imperdoável em minha educação literária, somente agora li o maravilhoso "Tenda dos Milagres", do imortal - esse sim - Jorge Amado.

É impressionante a sua atualidade. 


O preconceito racial - e social - da Bahia e de sua capital no início e meados do século 20, quando lá viveu o protagonista do romance, o mulato Pedro Archanjo, se mostra ainda vivo nos dias de hoje, conforme se vê a todo instante neste nas redes sociais e no dia a dia de qualquer cidade. 


O triste é notar que a luta de Archanjo para botar por terra as teorias racistas que inspiraram o nazismo não terminou.


Dezenas de milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial para derrotar a máquina de destruição nazista.


Mas parece que esse sacrifício todo, o genocídio a que foram submetidos judeus, ciganos e várias outras etnias, foi em vão.


A chaga do preconceito persiste na mente dos homens. 

O Brasil está praticamente todo miscigenado, como Archanjo sonhava, mas, da mesma forma que no seu tempo, ainda há muitas "autoridades" por aqui como os odiosos delegado Pedrito Gordo e professor Nilo Argolo, aquele que dizia que Hitler era o "salvador" da humanidade e que este mundo só seria habitável se todos os negros e mulatos fossem exterminados.


"Tenda dos Milagres" foi escrito em 1969.


Mas quem o lê tem a impressão de que Jorge Amado o concluiu hoje - e que, com toda a sua genialidade, apenas deu outros nomes a personagens e situações reais e até mesmo corriqueiras.


O que é, de certa forma, muito triste, pois nos faz sentir que apesar de todo o progresso material vivido no século passado e neste, o mundo, por causa da inesgotável imbecilidade humana, pouco mudou.