Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MANUAL DO HOMEM COMUM



Falar baixinho,
Sempre,
Pois é tão agradável aos ouvidos e a percepção.
Sorrir que é mostrar a alma ao próximo.
Dar bom dia,
O que tem a força de mil vulcões.
Olhar nos olhos e se ver no outro:
O outro vendo-se em você.
Ceder a vez,
Sempre que necessário:
A presa é inimiga da pressão.
Não ter certezas,
Pois são tantas as dúvidas
E é tão grande o ego.
Ser tolerante, uma utopia?
Sejamos teimosos,
Tentemos ao menos.
Respeitar os idosos,
Que são mais sábios que nós
E o nosso reflexo daqui a instantes.
Indignar-se com a injustiça,
Pois a ganância de poucos a alimentam.
Odiar as bombas que nada constroem.
Amar as flores que enfeitam nossos olhos.
Acariciar o cão
Com a mesma intensidade com que eles nos acariciam.
Emocionar-se com uma velha canção
Regressando ao passado
E tornando o presente dançante.
Compartilhar os livros,
Pois fechados os mesmos apodrecem
Qual o alimento não consumido.
Escutar, ouvir,
Que são sinônimos de sabedoria.
Se preciso, opinar, sem pressas, sem vaidade.
Não reter conhecimentos qual um muquirana.
Amar, até as últimas consequências, a paz,
Que tudo constrói.
Evitar,
Até a morte,
A guerra,
Que é sinônimos de mortes.
Plantar e dividir o fruto com o próximo.
Regar comunitariamente.
Colher junto com outras mãos
E assim formar uma corrente que liberta.
Soltar os pássaros das gaiolas
E vê-los bailar sob a liberdade.
Libertar os animais dos circos e zoológicos,
Que como nós odeiam as prisões.
Respeitar as diferenças:
Sempre, sempre e sempre.
Ser uno, mas divisível.
Ser paradoxal mas convergente.
Ouvir Beethoven e Spock.
Amar os gay e os não gays.
Ser feminista
Indo ao encontro afável de nossa metade mulher.
Ser negro, índio, amarelo
E buscar na miscigenação o orgulho de sermos iguais.
Ser deficiente
E na medida do possível cooperar com a sociedade.
Um pedido pessoal:
Abrir a porta dos banheiros aos cadeirantes:
Dos bares, dos hotéis, dos motéis,
Afinal também somos boêmios, viajantes e amantes.
Ler que é viajar com o pensamento.
Inventar,
Sempre buscando a excelência do servir
A quanto mais gente melhor.
Viver,
Pois não temos outra saída
E as vezes é bem gozoso.
Dar as costas as culpas e os pagamentos,
Excluindo as cobranças das religiões e dos banqueiros.
Não temer a morte
Que é o caminho reto da vida.
Não temer,
Principalmente,
A plenitude da vida em acolhimento.

(Itárcio Ferreira)