Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Café da Manhã, por Caio Fernando Abreu


"E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente."

(Carta ao Zézim, 22 de dezembro de 1979)

Meu sonho de consumo

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Malditos pixadores!

O azul é assim mesmo..., poema de Jan Oliveira

 

O azul é assim mesmo...
as vezes se veste de lamento
as vezes com o vento
vem nos corrigir...
O azul é nosso cais
e sempre nos espera...
Se hoje, cinza é o tempo,
amanhã nosso barco
vai chegar...
lento...
e devagar..

A ESPERANÇA, poema de Vladimir Maiakovski



Injeta sangue no meu coração, enche-me até o bordo das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra
não vivi o meu bocado de amor. Eu era gigante de porte, mas para que este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada.
Com um toco de pena, eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.
Posso, se vos agradar, servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastante porteiros?
Eu era um tipo alegre,
mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem não é senão para vos morder ou dilacerar. O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesar...
Chamai-me! Um sujeito engraçado pode ser útil. Eu vos proporei charadas, hipérboles e alegorias, malabares dar-vos-ei em versos. Eu amei... mas é melhor não mexer nisso. Te sentes mal?

Elis Regina - "Deus lhe Pague"

sábado, 20 de agosto de 2016

Para refletir (24)

Wilhelm Reich

"O prazer de estar vivo e o prazer do orgasmo são idênticos... Deus é o processo de vida, que em nenhum lugar se expressa tão claramente como na descarga orgástica."

(Wilhelm Reich, médico e psicanalista ucraniano)

Consciência de Classe

Humildade, poema de Mauro Mota


Resultado de imagem para mauro mota

Que a voz do poeta nunca se levante
para ter ressonâncias nas alturas.
Que o canto, das contidas amarguras,
somente seja a gota transbordante.
Que ele, através das solidões escuras
do ser, deslize no preciso instante.
Saia da avena do pastor errante,
sem aplausos buscar de outras criaturas.

Que o canto simples, natural, rebente,
água da fonte límpida, do fundo
da alma, de amor e de humildade cheio.

Que o canto glorificará somente
a origem, quando mais ninguém no mundo
saiba ele de quem foi ou de onde veio.


Mauro Mota

Marcos Assumpção - "Deus lhe pague"

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Tradutor de chuvas, poema de Mia Couto


Um lenço branco
apaga o céu.

A fala da asa
vai traduzindo chuvas:
Não há adeus
no idioma das aves.

O mundo voa
e apenas o poeta
faz companhia ao chão.

Mia Couto

Para refletir (23)

Thorstein Veblen

"Em nenhuma fase cultural conhecida os dons de bondade e compaixão favorecem a vida do indivíduo. Pode-se dizer que a falta de escrúpulos, de comiseração e de honestidade contribui para aumentar o êxito do indivíduo na cultura pecuniária. As pessoas que tiveram maior êxito em todas as épocas têm sido desse tipo."

(Thorstein Veblen, economista e sociólogo estadunidense)

Quinteto Violado - "Pra não dizer que não falei das flores"

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Prova de amor

02 poemas de Carlos Maia

Resultado de imagem para POETA CARLOS MAIA


O homem com as suas
Máquinas possantes
Distancia-se
A cada dia mais
Do próprio homem
E anda perdido em whatsapp’s,
facebook's, e-mail's e internet
E não vê mais o amigo
Face a face!

*****

A seriedade
Dos homens de plástico
Que leem jornais
E não veem
Os Ipês roxos
Floridos
Da Agamenon Magalhães
Esmaga
Todo o cotidiano!

Luisa Maita - "É Com Esse Que Eu Vou" (Cantoras do Brasil)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Por que estudamos história?

CONQUISTA, poema de Itárcio Ferreira

 

Primeiro espreito-a, de longe,
folha branca sobre a mesa,
feito neve,
pele macia de mulher.

Depois,
a caneta deixada ao seu lado,
como quem não quer nada,
displicentemente.

Em outro momento,
a caneta já à mão,
o olhar sobre a folha em branco
se aprofunda, impaciente, ansioso.

Inquietante,
a mente busca decifrar
em sua brancura
as formas do poema.

Aos poucos o poema nasce:
primeiro a idéia, depois as palavras,
as frases, as estrofes.

E o poema alegra a folha
e a vida do poeta,
da mesma maneira que um filho
alegra a família
ou a morte a alma prisioneira.


Visitem o blog do poeta: Itárcio Ferreira, poemas