Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

domingo, 12 de maio de 2013

POÉTICA ACIDENTADA






                       Para Leonildo França




Busco meu poema num mergulho,

no mais fundo do meu ser,

e morro afogado...


(Itárcio Ferreira)


quinta-feira, 9 de maio de 2013

O LADO "B"



Itárcio Ferreira 

Por Fernanda Menezes, para o jornal eletrônico AconTCE

Conviver bem em dois mundos distintos. 

Esta é a realidade do auditor/poeta/contista Itárcio Ferreira, que se divide entre a aridez dos números e o seu Lado B, das letras. 

Entre o real e o imaginário, o concreto e o abstrato (ou não) da literatura. 

Poesia e prosa são seu Lado B. 

Acrescente-se, aí, seu interesse pelo canto, resultando num CD de música popular, lançado em 2002, com apresentações em bares do Recife, juntamente com Roque Braz, também do TCE.

Itárcio publicou dois livros de poesias – Se não Canto Pelo Menos Grito e Apocalipse e Outros Poemas – e um de contos – A Construção e Outros Contos.


Ele escreve desde os 17 anos (hoje tem 50) e sempre gostou de artes em geral.

Por isso estudou música e canto. 

Itárcio mostra que seu Lado B o complementa. 

Sua vida vai além do mundo do funcionalismo público, citando a frase de um poeta: “Pra que serve a poesia? A gente não sabe. Não se pode vender, nem comprar". 

A gente escreve sem saber por que”.

Para ele, escrever é uma audição. 


“É uma necessidade. 

Não se identifica, mas a vontade existe”, afirma. 

E sempre escreveu, estimulado pelo polo artístico que é Pernambuco: “O Estado sempre esteve em ebulição cultural. 

Na literatura e nas artes em geral, Pernambuco é um polo de destaque. 

Sempre foi. 

Mas a poesia é a que menos se destaca, por falta de espaço na mídia. 

Se ruim é editar, mais difícil é distribuir os livros”, reclama.

Por conta deste panorama, que não é dos melhores, Itárcio Ferreira dá um freio na publicação de livros. 


Mesmo assim, não para de escrever e tem inúmeros poemas guardados. 

“Não estou ansioso pela publicação. Por isso, não tenho ideia de lançar novo livro. É um projeto ainda sem data.”
 

Aqui, um poema de Itárcio Ferreira, do livro Narcisitude e Outros Poemas, ainda não publicado.


ABRO-ME AO MUNDO
Abro-me ao mundo!
Venham sobre mim
todas as dores e desejos:
besta quem pensar que posso suportá-los,
não tenho os ombros de Drummond.

 

quarta-feira, 9 de março de 2011

MULTIDÕES




                             

Quem calará a boca do mundo?

Quem, no meio dessa multidão, vai parar?

Quantas pernas não mais se cruzarão?

De que olhos sairão lágrimas
o bastante para nos lavar?

Que faca ou lâmina, que marginal
cortará as amarras de nossas mãos?

Brotem asas às minhas costas
como brotam as flores,
o trigo, a vinha.

Quero acima das cabeças voar
e me cegar, e ficar surdo,
e não mais falar.

Quero dormir
e não mais acordar.


(Itárcio Ferreira)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CANTO A UM HERÓI GUERREIRO




                                  
                                  Para José Maria Menezes Ferreira





Meu pai é de carne, osso e espírito,

mais espírito que tudo.



Sempre foi um guerreiro, sempre lutou,

sempre foi meu herói.



De mãos vazias lutou.

Lutou jovem, sofreu jovem,

jovem amou, jovem venceu.



Trazia nos pulmões o ar de Carpina,

que é muito bom.



Enfrentou monstros de trinta pernas,

vinte olhos e cem mãos.



Enfrentou sobretudo os homens,

a ganância, os generais da política,

e venceu todas as batalhas.



Que espécie de guerreiro é meu pai

que não sabe caçar?

Fazer guerra não sabe.



Será guerreiro expulso de alguma tribo

ou um ser de outro planeta?



Uma flor que virou homem

ou talvez um louco fugido de um hospício?



Um poeta?



Chamem a polícia,

os bombeiros, o oficial de justiça,

o dono da venda, o carteiro, o padre, o prefeito, o ladrão.



Que espécie de guerreiro é meu pai?

Quem o saberá?


(Itárcio Ferreira)