"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação." (Mário Quintana)
Aos Mestres, com carinho!

Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Autorretrato, por Mariana Alves
Desconfigurada
como
cacos aglomerados
Calendoscópica!
apenas
aos giros podes me ver
e
nunca terás certeza
se
é meu rosto
ou
tua tontura
que
não permite
reconhecimento.
Mariana Alves
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Garça Triste, poema de Castro Alves
Eu sou como a garça triste
Que mora à beira do rio,
As orvalhadas da noite
Me fazem tremer de frio.
Me fazem tremer de frio
Como os juncos da lagoa;
Feliz da araponga errante
Que é livre, que livre voa.
Que é livre, que livre voa
Para as bandas do seu ninho,
E nas braúnas à tarde
Canta longe do caminho.
Canta longe do caminho.
Por onde o vaqueiro trilha,
Se quer descansar as asas
Tem a palmeira, a baunilha.
Tem a palmeira, a baunilha,
Tem o brejo, a lavadeira,
Tem as campinas, as flores,
Tem a relva, a trepadeira,
Tem a relva, a trepadeira,
Todas têm os seus amores,
Eu não tenho mãe nem filhos,
Nem irmão, nem lar, nem flores.
Castro Alves
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Autorretrato, por Itárcio Ferreira
Não
pedi para estar aqui. Não pedi para ter consciência de que existo.
Acho que esta é a pior tortura que possa sofrer um humano. Após os
50 anos, o que é o meu caso, tudo é excesso. Excesso de vida, amor,
tristezas e derrotas. Sou um derrotista campeão. Sempre fico do lado
perdedor. Histórias não faltam.
Para não
estourar, de repente, em um suicídio fracassado, sempre busquei as
artes e o álcool. Eles têm um quê de alívio que a tudo supera. As
demais tentativas de fuga, fora desta dupla, se mostraram falhas.
Primeiro
casei, aos dezoito anos – antes disto, em lembranças que não
possuo, tive pólio com um ano de idade – tive filhos, precisei
trabalhar cedo, abandonei a música, ainda em aprendizado incipiente
– mas, hoje tenho a consciência da falta de talento, o que diminui
minhas dores.
A bebida
é uma fuga espetacular, mas o corpo físico não nos compreende.
Talvez por isso aprendi a amar – na verdade não sei o que é o
amor – os livros, os poemas, os romances. Sou, em resumo, um
fugitivo, e enquanto os excessos de anos dão-me vida, diminuo os
sofrimentos através dos livros, pois, covarde para cair fora por
conta própria.
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