Publiquei este poema no livrinho "O Tédio e Outros Poemas", em 2000, de pequena tiragem. Não tinha decidido, ainda, se o publicaria na internet, onde um público bem maior teria acesso ao mesmo. Nele, destilo preconceito, por isso tinha medo. Mas, pensei melhor, e vi que seria bom jogar nossos preconceitos para fora, para a galera, os amigos, que, com certeza, nos advertirão e com esse exercício pode ser que surja uma cura.
Com as recentes notícias da tentativa de sequestro do grande estadista Evo Morales, a mando do terrorista OBAMA, seus cachorrinhos, Portugal, Espanha, França e Itália, prontamente abanaram os rabos e, vergonhosamente, passaram a desrespeitar toda uma cultura democrática que, ainda, mesmo que tênue, nos faz por respeitar os povos e os seus representantes legais.
Puto da vida com o autoritarismo estadunidense e a subserviência de uma Europa refém dos grandes bancos mundiais, dedico esta postagem ao meu grande ídolo EVO MORALES e a todo povo irmão da Bolívia. (Itárcio Ferreira)
Conheci Erickson Luna no Chambaril do Júnior, no dia 30/11/04, sua voz
tronituante, seus livros, seus poemas, sua vontade de mudar o mundo, seu
socialismo alcoólico, seu amor aos amigos... Tornamo-nos amigos, inevitável!
Conhecia o Poeta de histórias contadas pelo primo Ítalo - que conviveu e
produziu músicas com ele quando eram jovens - que um dia, depois de morar 20
anos no Rio de Janeiro, perguntou-me: Erickson ainda é vivo?
Em “Do moço e do bêbado”:
"Bê-a-Bá"
“Bicados num beco de mim
aos
baques
bradam
Baco e Bakunin”
Espinhara
Era sério o Chico, reservado, sisudo, sempre de chapéu e o eterno amigo Bráulio
a tiracolo. Não dava trela, mesmo no Quitanda Vinil - que tive a honra de
batizar - eram sempre os dois. Olhávamos, questionávamos, pedíamos,
brincávamos, mas aquela amizade era intransponível, que o diga Camila, a musa.
De “Bacantes” escolho o canto IX das “Pluralidades”:
“Tudo
era muito fácil: não era uma questão de
um
abrir e fechar de olhos, mas de um abrir e
fechar
de pernas. Para ela era assim.
Alberto
Ainda na adolescência, conheci Alberto da Cunha Mello, nos livros, é claro.
Busquei alguns encontros, mas o cara era difícil. Fui músico, de péssima
qualidade, escrevi alguns poemas de caráter duvidosos, e assim a vida
prosseguiu. Apenas uma vez ele leu um poema meu em um concurso da Católica, Apocalipse
– em quatro cantos, e confessou – confessar é por minha conta – que o meu,
era o melhor poema do concurso. Quase não dormi.
Do “Noticiário”:
“Rute, a mundana do cais”
“Nem tudo e nem todos
Estão perdidos.
Só Rute e o Ocidente
estão perdidos.
Quando
o garçom
jogou-lhe uma cadeira
e expulsou-a da terra,
o Time silenciou
e “O Estado de São Paulo”
escolheu divulgar
as últimas olimpíadas.
Um dia
o sol explodirá
e os maus também desaparecerão.
Que consolo, hein, Rute?”
França
Fumamos maconha juntos, em Olinda alta – dizíamos bonconha – eu, o
poeta aleijado; França, Europa e Bahia, e o poeta Paper,
compositor, filósofo e amigo. Conhecemo-nos no bar de Carlinhos Granja, onde
fui levado por Erickson, para onde confluíam as boas almas e os loucos da
cidade. Quem vive ainda?
“À MORTE – por ser imortal,
Ergo um brinde, dizendo:
- À NOSSA VIDA!
e ela responde ofendida:
- NÃO ME ESCAPARÁS!”
Grande Final
Erickson partiu, tive a oportunidade de usufruir de sua cultura,
inteligência e amizade. Espinhara, conhecia apenas de vista, queria a
sua amizade, mas ele vivia um momento especial em sua depressão cotidiana. Alberto,
nunca tive a oportunidade de, no bar do Seu Hélio, tomarmos uma cervejinha ou
um uísque, as nove da manhã e conversarmos sobre poesia e a existência. França,
nunca vou esquecer do nosso baseado compartilhado e da sua maneira ímpar e doce
de reconhecer os amigos.
Já perdi tantos amigos, que tenho hoje um grande desejo, partir antes de vocês: