"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação." (Mário Quintana)
Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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sexta-feira, 16 de setembro de 2016
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
sábado, 13 de agosto de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
A era do drama fora de contexto, nascida com a internet, por Ubiratan Muarrek
Por Ubiratan
Muarrek
A Internet dos sonhos nasceu na década de 90, e
morreu em algum ponto próximo a 2007. Até meados dessa data, acreditava-se que
a world wide web revolucionaria,
para melhor, praticamente todos os aspectos da vida humana, da economia à
cultura, passando pela democracia, entendimento global e a qualidade das
relações pessoais.
Em 2016, revelada a ambição de Mark Zuckeberg de consolidar
o império do Facebook em meio a destroços — da economia,
cultura, democracia, entendimento global e relações pessoais — , reinterpretações do
verdadeiro caráter da rede começam a colocar as coisas em seu devido lugar.
Em 2007, quem imaginaria, por exemplo, que o
close de uma marmota para uma câmera, sob o suspense de uma trilha sonora
retirada do filme Jovem Frankenstein, equivaleria a um napalm cultural?
E que a mistura de drama e nonsense contaminaria
o fluxo de informações de tal maneira que inauguraria uma nova era na
comunicação digital?
Para cada novo estilo ou jeito de fazer as
coisas, os que saem na frente dão, via de regra, o tom do que virá depois. Na
comunicação instantânea, o vídeo Marmota Dramática é o representante mais
vistoso da inauguração de uma nova era.
A Era do Drama Fora de Contexto, nascida com a
Internet:
Dezenas de milhões de visualizações depois, fica
mais claro agora, com o fluxo de informações contínuo a que nos submetemos,
perceber que a Marmota Dramática não adicionava apenas seis segundos de humor e
estupidez no vasto repertório da comédia humana.
A marmota fornece o formato, uma espécie de receita de
como existir e ser notado — ou seja, como fazer comunicação — num contexto viral.
Considere alguns bilhões de pessoas, conectadas
por aplicativos de fácil acesso, dispostas — ávidas — a compartilhar o que lhes caia, literalmente, nas
mãos.
Encontre a sua marmota — considere as lutas
de classe, as polarizações de raça e gênero, as disputas econômicas, o esgoto
da política, a miséria produzida pelas redações, o
apreço pela desgraça alheia, as catástrofes naturais, os preconceitos
milenares, traições, CPIs — e o ressentimento, que inflama tudo isso e
prospera igualmente entre os 99% do lado de cá e os 1% de Wall Street.
Selecione cenas que reflitam parcialmente, ou que
em nada reflitam, o contexto natural das dissensões.
Adicione Tchaikovsky. Ou Iron Maiden. E aperte o
botão “enviar”.
A Internet cuidará do resto. Basta checar os views, likes, shares e retweets.
Vejamos o exemplo da marmota. É inacreditável o
fato de que os seis segundos que representam um abalo na cultura tenham sido
extirpados de uma ingênua apresentação de pets (ou seja lá sobre o que seja) num
programa vespertino da TV japonesa.
Veja com seus olhos (nossa marmota aparece aos
2´30"):
E é incrível como os seis segundos “originais”
foram editados e reeditados em centenas de versões — outro elemento do zeitgeist: editar e reeditar — por mentes
brilhantes e criativas das quais ninguém nunca ouviu, e provavelmente nem irá ouvir, falar (insight: sempre haverá alguém capaz de
descontextualizar algo melhor do que você).
E chegamos ao Marmota Remix:
Os efeitos dessa reviravolta na comunicação,
porém, talvez não sejam tão incrivelmente divertidos.
Podemos até rir com a marmota-Bin-Laden. A versão
Star Wars é particularmente engraçada!
Porém, o sex tape de uma filha adolescente, a
transcrição parcial da conversa telefônica de um funcionário público, ou um
trecho selecionado de um relatório de governo, “vazados na Internet”, podem ter
consequências devastadoras.
Atrás da expressão de “surpresa” da marmota,
escondia-se um elemento central, a partir da entrada da Internet na totalidade
da vida cotidiana: um cenário social e político de crise e disputa permanente
de significados e valores, que se renova e se reafirma a cada susto que tomamos
num alerta de WhatsApp.
A afirmação do poder pelo controle da imagem
remonta ao despertar dos séculos. Da monumentalidade das pirâmides do Egito,
aos desfiles pomposos dos monarcas europeus, havíamos chegado ao controle
minucioso e profissional das aparições de políticos e celebridades na
televisão.
Então, surgiu a Internet.
Com ela, o fluxo de informações se instala, as
mentes — incluindo as
insanas— se empoderam com as novas mídias, e a crescente ansiedade coletiva
chamada globalização se soma à dificuldade cada vez maior de lidar com a complexidade de um mundo em
transformação.
Como bem aprendeu o Estado Islâmico, que
recontextualiza rituais ancestrais de terror em vídeos de visibilidade— e
capacidade de intimidação — global, qual melhor maneira de tirar proveito
disso, que não sejam seis segundos de choque e pavor?
Bem-vindos à Era da Marmota. Tome um Lexotan e
siga o flow.
domingo, 3 de maio de 2015
Eis porque abandonei o facebook
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Por Gilmar Crestani, em seu blog
O feicebuque oportunizou a reaproximação com parentes e amigos que não via de longa data. Alguns parentes que sequer conhecia. Esse foi o lado bom.
Mas o feice também me deu a conhecer um lado do ser humano que julgava menos presente em nossa sociedade.
O preconceito social, a inveja, o despeito e o ódio de classe. Sucumbi à decepção, me deprimi e não pude continuar jogando semente em terreno inóspito. Jamais imaginava o quanto pessoas pretensamente inteligentes ou pelo menos bem informadas pudessem manifestar tanto desprezo pela humanidade. Humanidade no sentido humano da palavra.
Não tenho estômago para engolir pessoas com diploma de curso superior sejam a favor da ditadura. Ou que, ao mesmo tempo em que recebem uma infinidade de benefícios sociais dos cofres públicos sejam tão avessos que o Estado ajude a tirar da miséria seus cidadãos.
Se o Estado não serve para emancipar seus filhos para que servirá então?
Pessoas que recebem a título de auxílio alimentação, mensalmente, R$ 800 reais, mais auxílio creche, independentemente do filho frequentar creche, mais R$ 600 reais mensais, que podem deduzir do imposto de renda os recibos de despesas com instrução, com plano de saúde e despesas médicas odiarem que uma família pobre receba, com a condição que o filho frequente a escola, a esmola de R$ 73 reais. Pessoas que fotografavam refeições de duzentos, trezentos reais mas odiavam aquelas que recebiam o Salário Família. Seis anos de seminário franciscano não prepararam para tanta tolerância.
Não! O feicebuque me fez desprezar pessoas próximas e distantes, e amar mais meus cães e gatos. Por que até um cão tem mais coração que muita gata e cadela do feicebuque.
sábado, 24 de janeiro de 2015
Eu não tenho facebook
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Por Laíse Moura, em seu blog
Vez ou outra eu assumo algumas escolhas que as pessoas não conseguem entender. Uma dessas escolhas é não ter uma conta no facebook. O mais engraçado disso tudo é a indignação das pessoas ao saber desse detalhe sobre mim.
A verdade é que não faço isso para chamar atenção, ou para pagar de diferente. Eu não tenho facebook. Poderia listar aqui muitos motivos para essa decisão.
Não vou negar que muito se ganhou com o advento da internet, mas também muito se perdeu na vida. Coisas simples como por exemplo as brincadeiras de criança tomaram rumos que, analisando amplamente, somos culpados por ter extinguido a infância verdadeira. Privamos nossas crianças de banalidades que antes, todos nós passávamos.
Subir numa árvore, fazer seu próprio brinquedo, imaginar. Serão as crianças de hoje, adultos incapazes de passar meses, horas, longe da grande rede de computadores? Ontem foi no Orkut, hoje, no Facebook. A exposição a que estamos nos submetendo também é um dos fatores que mais me preocupam.
O que quero dizer é que não preciso expor todos os detalhes do meu dia para ser mais ou menos legal, e digo mais: o ser humano está ficando mais exibicionista. Queremos provar que a nossa grama é mais verde que a dos nossos vizinhos. E não é culpa do senhor Zuckerberg, isso só ficou pior ultimamente, mas sempre nos acompanhou.
Não preciso dar bom dia todos os dias para os meus amigos para que eles saibam que eu realmente desejo isso para eles. E mais: não preciso do facebook para isso também. Não preciso encher a página inicial dos meus amigos com as minhas atividades recentes (leia-se: bebedeiras, romances, viagens, objetos de desejo) para que meus amigos lembrem que eu existo!
Amigos de verdade sabem que às vezes é preciso sentir um pouco de saudade, dar um certo espaço para manter uma relação saudável. Acredito que, para piorar, ao expor todos os detalhes felizes da minha vida, eu posso também atrair vibrações negativas, porque, nem sempre as pessoas que nos adicionam nas redes sociais são amigos e querem o seu bem. A inveja é uma consequência do exibicionismo.
Além do mais, se meus amigos quiserem compartilhar comigo o que eles estão curtindo no momento, eles podem e vão vir naturalmente me dizer.
Não consigo citar nenhuma pessoa que eu acredite que tenha mais que 10 amigos de verdade. No entanto, posso citar muita gente que tem mais de 100 amigos no facebook. Na verdade, as pessoas com as quais convivemos podem até não nos querer mal, mas também não significa que isso as faz delas amigas.
São colegas, que, apesar de estarem presentes na nossa vida, não precisam saber de muita coisa para termos uma relação bacana. Deste modo, não preciso ter um número exorbitante de amigos. Basta que eu tenha um, e este seja amigo de verdade.
Outro motivo pelo qual não tenho facebook é o respeito à minha singularidade. Desde que me conheço por gente não preciso seguir tendências para me afirmar "igual" aos outros. Eu ainda não senti necessidade de estar no facebook, e essa é uma decisão só minha. Associar-me ao facebook por pura pressão social não me parece respeitoso comigo mesma. Compreende?
Aí é que entra o respeito. Não é minha intenção aqui, criticar quem possui um perfil no facebook. Graças a Deus temos liberdade de expressão e somos diferentes! Eu quero é justificar porque eu não tenho uma conta na rede. Desta forma, ao respeitar a escolha das pessoas de terem facebook, eu espero somente que respeitem a minha escolha de não ter.
Quando me perguntam por que eu não tenho facebook, eu procuro responder "eu não ainda não preciso dele, sempre que acontece algo realmente interessante lá, as pessoas vêm me contar!". E sinceramente? Acho isso ótimo! Assim não fico tão por fora do que acontece por lá, e atrevo-me a dizer que, com essa simples atitude, venho conversando com muitas pessoas que antes não conversava. Quer saber? Talvez essa seja a minha estratégia para socializar. Só que eu socializo pessoalmente, e as outras pessoas, virtualmente.
Aos amigos distantes, vocês sabem meu e-mail, celular e endereço. Sintam-se livres para entrar em contato!
Não vou dizer que nunca vou ter um perfil no facebook. Vou dizer apenas: ainda não.
Fiquem à vontade para comentar.
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