Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
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sábado, 6 de abril de 2019

Para refletir (107)


Nenhum escritor, artista, poeta tolera a realidade”.


(Friedrich Nietzsche, filósofo alemão) 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Grandes escritores & maconha (7)

(Nietzsche: óleo sobre tela de Edvard Munch, 1906)

“Quando a gente quer se livrar de uma pressão insuportável o haxixe é necessário.”

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Para refletir (80)

Friedrich Nietzsche

“A verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. (…) Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.” 

(Friedrich Nietzsche, filósofo alemão)

domingo, 13 de novembro de 2016

EINSTEIN E ESPINOSA – “POEIRA DAS ESTRELAS”

Resultado de imagem para EINSTEIN

Por Rafael Trindade

Via Razão Inadequada
Acredito no Deus de Espinosa, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens. Todos podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico” – Albert Einstein



- Troche
– Troche

Sabemos que Einstein foi religioso a seu modo, à maneira de Espinosa, mas muitas vezes perdemos a dimensão do que isto quer dizer. Assim como também já ouvimos a frase “Somos poeira das estrelas” de Carl Sagan, mas perdemos a profundidade e o peso destas palavras. Os físicos e filósofos podem ser pessoas extremamente apaixonadas pela existência e suas mais diferentes manifestações. Mas eles rezam? Podemos até mesmo dizer que sim, mas de um jeito diferente do que estamos acostumados.
A realidade é mágica, como diz Richard Dawkins, mas não no sentido do sobrenatural. Dizemos que a realidade tem sua magia porque ela é extraordinária, inacreditável, poderosa, majestosa, impressionante. E quanto mais aprendemos das coisas mais confirmamos esta afirmação. A realidade tem um toque de divino, e dizemos isso sem vontade alguma de cair em uma servidão, numa dependência para com estes Deuses criados à nossa imagem e semelhança.
Ora, os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por esta religiosidade ante o cosmos. Ela não tem dogmas nem Deus concebido à imagem do homem, portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica. Temos também a impressão de que hereges de todos os tempos da história humana se nutriam com esta forma superior de religião. Contudo, seus contemporâneos muitas vezes os tinham por suspeitos de ateísmo, e às vezes, também, de santidade. Considerados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinosa se assemelham profundamente” – Albert Einstein
Falamos aqui do Deus de Espinosa, partimos dele para chegar em nós. Não falamos de uma entidade separada do mundo, muito menos de um ser com características parecidas com as nossas (capaz de odiar, se vingar e julgar). O Deus de Espinosa é a realidade, é a potência de criação constantemente renovada (veja aqui). Deus é o mundo; Deus e a natureza, as duas são palavras para uma única e mesma coisa. E como Deus é infinito, nada pode existir fora dele. Tudo que existe está em Deus, as estrelas, os planetas, nós, os mares, as montanhas, cada molécula, cada átomo que existe faz parte da criação divina que cria a si mesma.



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– Troche

Ou seja, os filósofos, os físicos, os químicos e os astrofísicos são profundamente religiosos, eles abrem o livro do mundo para entender a criação e o criador ao mesmo tempo. Porque Deus não se afasta de sua criação, ele é sua criação, criador e criatura são a mesma coisa, eis a imanência pura.
A bíblia ensina como ir para o céu, mas como é o céu” – Galileu
Ao olharmos por um telescópio, estamos olhando o passado de Deus; ao olhar uma estrela em seu equilíbrio delicado, transformando hidrogênio em hélio, estamos entendendo como a natureza divina se comunica com suas partes, e mesmo ao focarmos um microscópio para melhor observar as menores porções de realidade, ainda estamos olhando para Deus. Procuramos as medidas, as maneiras pelas quais Deus é, os modos pelos quais a criação de afirma.
Nós, seres limitados por natureza, exprimimos parte da potência infinita de Deus (veja aqui). Sim, somos parte desta potência que se manifesta de maneira limitada no tempo e no espaço, mas nossa essência eterna está em Deus. Vemos o mundo como contingente e imprevisível porque somos pequenos demais, mas nós sabemos e nos sentimos parte da eternidade. Isto porque nós e o universo estamos intimamente conectados, sim, nós somos feitos de Universo, ele está literalmente em nós!
A natureza é nossa casa e na natureza estamos em casa. Este mundo estranho, diversificado e assombroso que exploramos, onde o espaço se debulha, o tempo não existe e as coisas podem não estar em lugar algum, não é algo que nos afasta de nós: é somente aquilo que nossa natural curiosidade nos mostra da nossa casa. Da trama da qual somos feitos nós mesmos. Somos feitos da mesma poeira de estrelas de que são feitas as coisas, e quer quando estamos imersos na dor, quer quando rimos e a alegria resplandece, não fazemos mais do que ser aquilo que não podemos deixar de ser: uma parte do nosso mundo” – Carlo Rovelli, Sete Breves Lições de Física



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– Troche

Em nossa árvore genealógica está a explosão de uma estrela. Os elementos em nosso corpo são estrelas mortas; isso não é uma metáfora, é literal! Sim, todos os elementos que temos na Terra foram feitos no núcleo das estrelas e espalhados pelo universo através de explosões magníficas chamadas de supernovas.
O ciclo de vida do Cosmos acontece passando por explosões de estrelas que espalham elementos mais pesados no universo. As sementes semeadas no espaço são a fonte de nossa vida. Primeiro porque nós precisamos de seus elementos para existir; e segundo porque o hidrogênio restante forma novas estrelas que nos alimentam com sua energia.
Que grande beleza é descobrir que esta magnífica realidade não está apenas lá longe, no céu, nas galáxias, mas também à nossa volta, nós também somos parte dele. Somos feitos dos mesmos materiais que constituem o universo! Se Deus é isso, somos partes de Deus! Tudo isso, vale a pena repetir, não é metaforicamente falando, é literal! Não precisamos de Bíblias, nem Torás, nem Alcorões com histórias, lendas e alegorias. Podemos olhar para o livro do mundo. Nós somos feitos de matéria estelar, somos poeira das estrelas se alimentando de luz das estrelas. Estamos mergulhados e implicados inextrincalvelmente na existência.
Por isso Espinosa dizia que o conhecimento é o mais potente dos afetos. Saber é algo que nos trás muitas vantagens, muita potência, muita alegria! E mais, o saber que nos liga a este mundo e a esta vida nos torna profundamente religiosos, ao modo de Einstein, Sagan, Espinosa e outros. O fato mais impressionante é o conhecimento que nos liga à existência.
Estrelas entraram em colapso e explodiram, nós não passamos de estrelas mortas olhando de volta para o céu; isso significa que uma supernova continua existindo através de nós, “é preciso dar lugar a uma estrela brilhante” (Nietzsche, Assim falou Zaratustra), e quando olhamos para o céu à noite nos sentimos profundamente conectados com o todo.



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– Troche

Se um Deus Criador existe, Ele ou Ela, qualquer que seja o pronome adequado, vai preferir um bronco que adore sem nada entender? Ou vai preferir que Seus devotos admirem o universo verdadeiro em toda a sua complexidade? Sugiro que a ciência é, pelo menos em parte, adoração informada. Minha crença profunda é que, se existe um deus do tipo tradicional, nossa curiosidade e nossa inteligência nos são dadas por esse mesmo deus. Não estaríamos fazendo jus a esses dons se suprimíssemos nossa paixão por explorar o universo e nós mesmos” – Carl Sagan, Variedades da Experiência Científica
Estamos no universo, somos parte do universo, mas o mais impressionante é que o universo está em nós. Este sentimento pode nos tornar profundamente religiosos. Isso nos mergulha de tal forma na existência que nos sentimos eternos! (veja aqui) Sim, somos poeira das estrelas, olhando e nos alimentando de sua energia, a eternidade do universo se afirma em nós. Os átomos que hoje constituem nosso corpo já pertenceram a outros seres vivos, e nos alimentamos deles, de sua energia acumulada. Cientistas como Einstein e Sagan fazem esta ligação entre nós e o Universo: religião, religare, “unir, atar firmemente“, “Laço entre o humano e o divino“. E faz de nossa vida, como disse Alberto Caeiro, uma oração.



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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O Martelo de Nietzsche



Não, não é montagem a foto acima, para quem não conhece são fotos raras e pouco conhecidas: o triangulo amoroso formado por Nietzsche, (a direita) com Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, peladões em 1882.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Minha Felicidade

Autor?


Depois de estar cansado de procurar 
Aprendi a encontrar. 
Depois de um vento me ter feito frente 
Navego com todos os ventos. 

Friedrich Nietzsche
in "A Gaia Ciência" 

sábado, 11 de abril de 2015

Ed Motta e o perfeito erudito idiota

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Ed Motta representa perfeitamente aqueles que Nietzsche chama de eruditos. Seu grande problema é colocar a técnica musical e a racionalidade num altar e esquecer-se de todo resto, inclusive de como se relacionar com as pessoas.
O cantor afirma que seu show não é para “pedreiros brasileiros” e pede encarecidamente que essa “turma mais simplória” não vá a suas apresentações “beber cerveja barata e começar a gritar nomes de times”.
“Não gaste seu dinheiro, e nem a paciência alheia atrapalhando um trabalho que é realizado com seriedade cirúrgica”
Ed Motta tem a seriedade cirúrgica clássica do erudito. É tarefa árdua encontrar uma entrevista em que não tenha destilado ignorância e erudição, provavelmente a disfarçar um profundo complexo de inferioridade.
Talvez por ser brasileiro, negro, gordo ou sobrinho de Tim Maia.
Sua busca pela perfeição técnica seria assim uma maneira de compensar a falta do amor que não recebe por ser tão desagradável.
E, de fato, é bastante técnico, sem dúvida um bom instrumentista, virtuoso em improvisações e truques vocais diversos, apaixonado por timbres, escalas pentatônicas, ornamentações… um artista que dedica sua vida à música, que tem uma coleção enorme de discos e pouquíssimos fãs.
Orgulha-se de não ser popular, pois para um erudito de raiz ser compreendido pela massa é sinal de decadência. Como um advogado que se orgulha de escrever em um juridiquês intragável e de usar expressões que ninguém conhece.
Ed Motta, assim como muitos advogados, músicos, médicos, magistrados, engenheiros, economistas, sociólogos, jornalistas, psicólogos… são vítimas de um processo longo e contínuo de supremacia da técnica e da especialização sobre o pensamento profundo, aquele capaz de meditar.
Esses eruditos e especialistas passam assim pela vida, nas palavras de Nietzsche, “decompondo a grandeza da existência em simples manchas, do mesmo modo como, na ópera, se usa um binóculo para ver a cena e examinar um rosto ou um detalhe, nada inteiro”.
Quem aprecia o virtuosismo de Ed Motta, deve talvez por isso perdoá-lo mais facilmente por sua boçalidade fora dos palcos, como os fãs de futebol perdoam Pelé. Não que Ed Motta seja um Pelé da música, longe disso. Talvez no máximo um sobrinho do Pelé.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Friedrich Nietzsche por Clóvis de Barros Filho



A algum tempo já vinha pensando em postar por aqui a maravilhosa explanação da filosofia de Nietzsche proferida pelo professor Clóvis de Barros Filho na Escola de Comunicações e Artes da USP. 

Explanação que considero até hoje a melhor que já vi sobre o filósofo, o professor vai diretamente de encontro ao pensamento de Nietzsche e o desmistifica em uma linguagem claríssima e acessível a todos que avança passo por passo, etapa por etapa pelo universo nietzscheano. 

O curso é uma verdadeira obra de arte realizada por Clóvis com uma abordagem e uma didática excepcionais sobre um filósofo que pela profundidade e magnanimidade que alcançou infelizmente não é raro a mistificação que recebe até hoje.     

São três aulas divididas em três vídeos totalizando cerca de quatro horas e trinta minutos de curso. Coloquei em ordem os endereços do site Vimeo onde estão os vídeos pois não consegui postá-los diretamente aqui.

Bom, sirva aquele vinho agradável, aconchegue-se bem em sua poltrona e desejo uma excelentíssima viagem adentro do universo de Nietzsche!

Primeira aula "O Martelo de Nietzsche":

http://vimeo.com/79903670

Segunda aula "Negar a Fórmula, Viver a Vida":

http://vimeo.com/80376748

Terceira aula "Eterno Retorno, o Amor à Vida":

http://vimeo.com/80514735