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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Homenagem póstuma a Erickson Luna


O evento aconteceu em 17 de dezembro de 2010, no Mercado da Boa Vista.
Erickson faleceu em 19 de abril de 2007. 

Claros Desígnios, poema de Erickson Luna



Os vícios tragam-me depressa
à parte a rebeldia que me torna em jovem

Claros são os meus desígnios
é-me incontida a busca dos momentos
ao passo que me são estranhas
as vocações que emergem desses tempos

Diuturnos rituais à impotência
as existências curvam-se às idades
e se acrescenta à ancestral obediência
a iminência de também ser ancestral

A tal sorte a mim me cabe lamentar o pouco-a-pouco
a morte tarda dos longevos
sorrir da vida e a que ela se presta
tão mais intenso quanto perto o fim

Os vícios tragam-me depressa
à parte a rebeldia que me torna em jovem.


Erickson Luna

sábado, 14 de dezembro de 2013

Homenagen a Erickson Luna - Poema de Carlos Maia



Erickson, Erickson...
Como eu poderei chegar agora
No mercado da Boa Vista
E não haver mais a possibilidade
Da tua presença lá...
Ou na segunda sem lei
No Burburinho
Ou nas ruas de Recife
Nas noitadas intermináveis...
Escuto o canto do Capibaribe,
Um canto
Triste e silente,
Não ouvirei mais
A tua lucidez, amigo,
Embriagado; pela vida!
A única coisa que eu
Desejo agora
É a morte
Para poder aplacar
A minha dor
Mas,
Não tenho pressa...


Carlos Maia, no blog Memória das Pedras
07/08/07


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

5 POEMAS DE ERICKSON LUNA, O ÚLTIMO BEATNIK

tributo erickson luna
(Foto AQUI)

3 X NÃO
Não creia em mim
Não há futuro
Não me deixo pra depois


SEM TIC-TAC
Mesmo um relógio parado
consta certo as horas
duas vezes ao dia


UMA PRESENÇA
Vez por outra uma presença
me confunde a solidão
menos espero
e muito mais me vejo só
Não ter do que ter saudade
me deprime e reanima
se me constrange
também não me tira a calma
Além da dor que me embriaga
a lucidez
resiste ao dia, a esta cidade
e a vocês

MARIPOSA
Pra eu poder
e só
andar nas ruas
fez-se em volta uma cidade
Para se dar
mais colorido à noite
pôs-se acima um luminoso
E pra que eu
me sinta bem enfim
nesta cidade
há-se em mim um cidadão
Portanto livre
como o que é em noite
e que enche as ruas
perseguindo luzes
acordando
ainda que em sonhos
íntegro
ainda que meio-homem
plenamente meio
mariposa

CANTO DE AMOR E LAMA I
Choveu
e há lama em Santo Amaro
nas ruas
nas casas
vós contornais
eu não
a mim a lama não suja
em mim há lama não suja
eu sou a lama das chuvas
que caem em Santo Amaro
Vosso Scotch
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama
das chuvas que caem
em Santo Amaro das Salinas

Erickson Luna, poeta recifense, falecido em 2007, foi um dos destacados Poetas Marginais, conhecido por seu romantismo marginal e palavras sábias. Teve alguns poemas publicados na Coletânea poética I – marginal Recife (2002) e em fanzines. Em 2004 lançou o livro ‘Do moço e do bêbado’ (2004).