Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos
Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2022

DEPRESSÃO, por Itárcio Ferreira

 


Diálogo:

Após acordar I. vai ao banheiro fazer xixi, lavar o rosto, escovar os dentes e segue para a cozinha de seu apartamento para o café da manhã.

No caminho da cozinha, passa pela sala e encontra lá, sentadas no sofá, uma jovem mulher e uma criança.

- Bom dia. Quem são vocês?

A jovem com cara de aborrecimento, informa:

- Sou sua esposa I.

I. Ri e responde:

- Não pode ser, minha esposa é uma mulher mais velha, você deve ser minha filha, está zonando comigo. E essa garotinha linda? Vem cá para vovô.

A garotinha linda responde:

- Pai, eu sou sua filha.

A jovem mulher concorda com um movimento de cabeça.

I. sorri e observa:

- Agora sim, minha filha e minha neta zombando de mim. Pai não pode ter filhos com a própria filha, é incesto, é crime. Como é o nome de minha esposa, sua mãe°. A jovem mulher responde:

- N.

I. então começa a gritar:

- N., N., cadê você.

Sem nenhuma resposta fala:

- Ah! Já sei, foi na farmácia comprar remédios.

E segue para a cozinha.

Désolée, c'est la vie. (Sinto muito, é assim a vida).


domingo, 25 de setembro de 2016

Uma epidemia de depressão


Ale Kalko



Por André Biernath

Ela já atinge praticamente 10% da população mundial e a projeção aponta um triste crescimento. Entenda por que a doença é considerada o mal deste século.

Em 1911, o então almirante Winston Churchill escreveu para sua esposa: "Acho que um médico pode ser útil para mim se o cachorro negro voltar. Ele parece estar distante agora, o que é um alívio. Todas as cores voltam à vida". Estaria o futuro primeiro-ministro britânico falando em códigos sobre uma missão ultrassecreta? Não! Ele apenas popularizara o termo "cachorro negro" como uma metáfora para depressão, da qual sofria longas e duras crises. Aliás, Churchill é só um nome de uma longa lista de personalidades com um ponto comum em suas biografias: Vincent Van Gogh, Abraham Lincoln, Albert Einstein e Charles Darwin também penaram com esse transtorno em algum momento da vida.

Mas a depressão não é uma má companhia apenas para os gênios das artes, das ciências e da política: ela atinge pessoas de todas as cores, classes sociais e faixas etárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apostava que o problema seria responsável por 9,8% do total de anos saudáveis desperdiçados pela humanidade lá em 2030. Pois não é que essa estimativa foi alcançada já em 2010, duas décadas antes do previsto? Atualmente, 400 milhões de pessoas convivem com o distúrbio no planeta. Além de liderar a lista das doenças mais incapacitantes, a melancolia sem fim gera gastos na casa dos 800 bilhões de dólares por ano — o equivalente ao Produto Interno Bruto da Turquia.

A situação em nosso país é particularmente ruim: um levantamento realizado pela americana Universidade Harvard em 18 localidades mostra que a prevalência de depressão no Brasil é a maior entre as nações em desenvolvimento, com um total de 10,4% de indivíduos atingidos. E a taxa de mortes relacionada a episódios depressivos (incluindo suicídios) aumentou 705% por aqui nos últimos 16 anos, segundo pesquisa realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Convém deixar clara a diferença entre depressão e tristeza. A primeira é uma doença, marcada por sentimentos de prostração, perda de interesse e prazer, culpa, baixa autoestima, distúrbios de sono e na alimentação, cansaço e déficit de concentração. Embora os médicos não conheçam em detalhes os motivos do início de uma crise — tampouco o que acontece direito no cérebro deprimido —, o quadro tem diagnóstico e tratamento. Portanto, não dá para caracterizá-lo como falha de caráter ou falta do que se preocupar. "Ainda há muito estigma, e isso só prejudica a melhora do paciente", diz o psiquiatra Táki Cordás, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP).

Na contramão, a tristeza faz parte da natureza humana. "Ela é uma das formas como expressamos o colorido das emoções", define o psiquiatra Luis Felipe Costa, consultor da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O problema começa quando esse sentimento paralisa e impede que a vida siga em frente. Aí é preciso procurar ajuda. O escritor americano Andrew Solomon, autor de O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras), obra que faz um grande retrato do transtorno, resume bem esse conceito: "O contrário da depressão não é a alegria, mas, sim, a vitalidade".

Mas como explicar essa explosão de casos nas últimas décadas? Os especialistas entrevistados por SAÚDE foram unânimes em apontar o melhor diagnóstico da doença como fator principal. "Talvez ela atingisse muita gente no passado, mas, por falta de informação, ficava escondida", avalia o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais interesse sobre o tema e médicos preparados justificariam, então, boa parte da epidemia.

Outro ingrediente de peso é uma palavra que acompanha a rotina de quase todo cidadão: estresse. "Em estudos com ratos jovens, vemos que ele é um desencadeador de depressão na vida adulta", observa a biomédica Deborah Suchecki, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em humanos, a tensão e o nervosismo além da conta fazem o cortisol decolar. Quando esse hormônio se mantém alto por um longo tempo, provoca uma bagunça cerebral. Que tristeza!

Nesse sentido, o fato de boa parte da população viver em cidades assoladas por trânsito, filas, violência e risco de ataques terroristas e catástrofes naturais faz o tal do cortisol chegar à estratosfera. O individualismo e a sobrecarga de informações que bombardeiam a cachola teriam efeito similar. "O estresse afeta a saúde mental na mesma medida que o tabagismo é prejudicial ao coração", compara o psiquiatra Gerard Sanacora, da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Pegando um gancho na fala do médico, um terceiro personagem importante dessa história é o abuso em álcool, tabaco e outras drogas. Dados de um levantamento da Unifesp de 2013 apontam um crescimento de 20% no consumo frequente de bebidas no Brasil, tendência que se repete no planeta inteiro. "A dependência química é uma das principais promotoras do transtorno", afirma o psiquiatra André Astete, que hoje atua na Secretaria Municipal de Saúde de São José dos Pinhais, no Paraná.

Cabe esclarecer que a depressão depende de uma predisposição genética para se manifestar. Em outras palavras, nem estresse nem drinques a mais conseguem, sozinhos, acordar o cachorro negro. "Eles funcionam como gatilhos para o surgimento do distúrbio", diz o médico Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. O problema é que, na sociedade moderna, o número de fatores prontos para deflagrar uma crise parece só aumentar.

Assim como acontece na maioria das doenças, flagrar a melancolia em seus estágios iniciais está relacionado a um tratamento mais efetivo e menos penoso. Além disso, quanto mais o quadro se prolonga, piores são suas repercussões. "Nosso desafio é encontrar os casos leves, uma vez que os moderados e graves são fáceis de perceber", atesta Cordás. Por ora, o diagnóstico é feito no consultório, com o relato do paciente e seu histórico familiar — a ciência ainda não descobriu uma molécula no sangue que denuncia a condição com assertividade.

Nesse sentido, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), uma comissão de estudiosos que elabora as políticas de saúde pública para o governo dos Estados Unidos, alterou a sua recomendação sobre a forma de detectar a depressão. Desde o começo de 2016, eles passaram a sugerir que os médicos — independentemente da especialidade — realizem testes de rastreamento em todos os pacientes acima de 18 anos. "Nos baseamos nos estudos em que pessoas identificadas previamente e tratadas com antidepressivos e psicoterapia obtêm uma melhora significativa dos sintomas", justifica o epidemiologista Michael Pignone, membro do USPSTF e professor da Universidade da Carolina do Norte.

O exame é composto de um questionário simples, com poucas perguntas. As respostas dão um indicativo de como anda a saúde mental do indivíduo. "É importante salientar que o rastreamento é só o primeiro passo. Caso o resultado inicial seja positivo, um psiquiatra realizará uma avaliação criteriosa", completa Pignone. Infelizmente, o Brasil não possui programas do tipo e não há uma discussão sólida para que se estabeleça algo nesse mesmo modelo. "Nosso país conta com apenas 5 500 psiquiatras para um número gigantesco de queixas", lamenta o neurocientista José Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Só é necessário tomar cuidado para não enxergar um cachorro negro onde há apenas tristeza passageira. "Também precisamos fazer diagnósticos criteriosos e não confundir depressão com uma série de transtornos com características parecidas, como a bipolaridade", lembra o psiquiatra Pedro do Prado Lima, de Porto Alegre. Cada distúrbio pede uma tática diferente de combate — embaralhá-los, portanto, só atrapalha a recuperação.

Esqueça a história de que a depressão é uma doença exclusiva da mente. Pesquisas começam a comprovar que seus efeitos físicos vão muito além. Podem atingir, sem exageros, o corpo inteiro. O primeiro prejudicado é o próprio órgão do pensamento. "Conforme o quadro avança, ocorre uma diminuição em estruturas cerebrais importantes, como o hipocampo, relacionado à memória e às emoções", cita Sanacora. E essa é apenas uma de suas repercussões: o coração, as articulações e o sistema imunológico sofrem quando a melancolia se instaura de vez.

Pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, reuniram dados de 29 estudos com cerca de 3 900 pacientes para entender a fundo essas ligações perigosas. Após a análise, ficou claro que os sujeitos deprimidos carregam mais radicais livres no organismo — em excesso, esses elementos prejudicam o funcionamento das células saudáveis e abrem alas para uma coleção de encrencas. Por outro lado, substâncias antioxidantes, de efeito benéfico, se encontram em menor número. A notícia boa é que o tratamento correto traria de volta o equilíbrio a essa equação.

O drama para o corpo é que a depressão provoca um intenso estado inflamatório. Lembra da história do cortisol nas alturas? Pois ele volta a incomodar aqui. "Junto a uma série de fatores, altos níveis do hormônio baixam a imunidade e aumentam a propensão a artrite reumatoide, problemas cardiovasculares e até câncer", alerta Costa. O risco sobe nos casos em que o transtorno se desenvolve por anos a fio, sem nenhum contra-ataque adequado. Segundo Costa, médicos australianos testam inclusive o uso de anti-inflamatórios em parceria com os antidepressivos como uma forma de abreviar o tempo de resposta ao tratamento.

A relação entre melancolia e males cardiovasculares é particularmente forte. Uma investigação realizada pela Universidade de Bordeaux e sete outras instituições francesas acompanhou 7 313 indivíduos entre 1999 e 2001. Todos eles foram avaliados em quatro oportunidades distintas ao longo desse período. Aqueles que apresentavam altos índices de sintomas depressivos em todas as ocasiões tinham um risco 75% maior de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral, o AVC.

E olha que o caminho contrário também pode ocorrer: uma desordem qualquer pode ser o gatilho para um abalo psíquico. "Grupos com algum problema crônico se apresentam mais deprimidos que a população geral", afirma Astete. Foi o caso do escritor Andrew Solomon: após a morte de sua mãe e o fim de um relacionamento amoroso, uma crise de pedra nos rins foi a gota d'água para que o transtorno emergisse. "Senti o controle de minha própria vida escorregar das mãos. `Se essa dor não parar' disse para um amigo, `vou me matar'. Eu nunca tinha dito isso antes", escreveu.

Os tratamentos para depressão mudaram muito ao longo da história. Capacete de chumbo, couve-flor, gengibre, hidromel, mirra, banana-da-terra, masturbação e até um cano pingando água ao lado do doente já foram prescritos. É curioso notar também que os remédios surgiram há menos de 70 anos. Em geral, eles agem no cérebro e aumentam a presença de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar. "As classes medicamentosas prescritas atualmente partem do princípio de que há menos substâncias essenciais, como a serotonina, para o bom funcionamento dos neurônios", resume Deborah Suchecki.

A recuperação pode levar alguns meses ou até mesmo ser contínua. Nesses casos, o paciente toma uma dose de manutenção pelo resto da vida, para se certificar de que a depressão não voltará. "Quem teve uma primeira crise possui 50% de chance de sofrer outra no futuro", calcula Crippa. Caso o segundo episódio ocorra, a probabilidade de um terceiro sobe para 70%. Se o terceiro acontecer, o risco de um quarto chega a 90%. O sujeito que já passou por quatro momentos depressivos com certeza terá um quinto se nada for feito.

Isso só aumenta a importância de não abandonar a terapia pela metade. "Há um grande perigo de retorno, e com maior gravidade, se o paciente desistir no caminho", alerta o psiquiatra Fernando Fernandes, do Programa de Transtornos Afetivos do IPq-USP. Os comprimidos demoram três semanas para trazer melhoras. Porém, os pequenos ganhos iniciais não significam cura. É preciso seguir direitinho a orientação do especialista para não sofrer recaídas.

Nessas horas, é usual pedir apoio à psicoterapia, que se vale de técnicas de expressão dos sentimentos e orientações para trazer alívio. Nos casos leves, ela chega a dar conta do recado sozinha e até dispensa fármacos. "E, mesmo em situações avançadas, esse tipo de tratamento é um aliado primordial da terapia medicamentosa", ressalta Silva.

Em breve, novas opções reforçarão o arsenal terapêutico. É o caso do neuropeptídeo Y e da ocitocina, duas substâncias que mostraram eficácia no combate à depressão em testes iniciais. "A vantagem desses candidatos é uma ação rápida em relação às drogas disponíveis hoje, destaca Deborah. Nos estudos, elas foram administradas por meio de um spray nasal: a mucosa do nariz está cheia de terminações nervosas, o que faz a droga alcançar o cérebro com maior velocidade.

Contudo, de nada adianta apelar para novos medicamentos sem o suporte de familiares e amigos. "A certeza de apoio em um momento de extrema dificuldade é a chama de esperança para muita gente", reflete Nardi. Afinal, o tratamento não vai matar o cachorro negro. O objetivo é ensinar o paciente a lidar e conviver com ele diante das situações difíceis que aparecem pela frente. Amor e carinho são essenciais para que tudo dê certo. Com eles, o cão negro amansa e a vida se desvencilha da depressão para abraçar a vitalidade.

Via SAÚDE

Leia também: 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A depressão é uma bomba

Resultado de imagem para poeira cósmica

A depressão é uma bomba

Plantada na nossa alma

Pelo escroto programador.

Como eu amaria detoná-la

E me transformar em nada,

Absolutamente nada,

Nada absolutamente frio, inexistente,

Poeira cósmica.

Mas o cara é sádico

E não o permite

Colando em mim a covardia.

Ele não quer a morte

Mas o sofrimento pelo qual alimenta

A sua pérfida e assombrosa maldade.



Itárcio Ferreira

(Em crise depressiva, da braba, nem a vodka de Maiakoviski...)

terça-feira, 8 de abril de 2014

5 dicas de como curar depressão

Resultado de imagem para depressão

Por Gabriela Mateos
Curar depressão pode não ser a tarefa mais fácil do mundo, mas também está bem longe de ser impossível. Com a dose certa de motivação e força de vontade, o caminho que parece longo e totalmente fora de alcance começa a se construir aos poucos na sua frente. É como dizem: comece fazendo o necessário, depois o que é possível e, quando você menos esperar, estará fazendo o que antes considerava impraticável.
E o primeiro passo é saber que você não está sozinho.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas do mundo todo sofrem, em algum grau, de depressão. O transtorno mental, que é mais comum do que podemos imaginar, é caracterizado por tristeza, perda de interesse em toda e qualquer atividade, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima. Distúrbios do sono e no apetite também são bastante comuns. Ou seja: todas as áreas da vida são afetadas.
O pior de tudo isso é que parentes, amigos e outras pessoas próximas não compreendem totalmente a gravidade e profundidade dessa situação, e acabam sendo negligentes nos cuidados e atenção – o que pode até contribuir para piorar o quadro de depressão.
O vídeo abaixo vai ajudar a entender melhor qual é a realidade de uma pessoa com depressão:

Também segundo a OMS, a depressão pode ser longa duração ou recorrente. Mas qualquer que seja o caso, iniciar um tratamento é absolutamente necessário. E quanto mais cedo começar, melhores serão os resultados.
O interessante desse caso é ressaltar que o paciente é protagonista no processo de recuperação. Porque, para se curar, é preciso – acima de tudo – querer. Você tem todos os sintomas de que já falamos e se sente sem forças para lutar contra todos eles? A depressão também tem isso: ela faz com que você se sinta impotente. Mas você não é.
Há algumas (muitas) coisas que uma pessoa pode fazer por si mesma e dar passos largos na grande caminhada que é a cura de uma depressão. Por exemplo:

1. Estabeleça uma rotina

Se você está deprimido, precisa de uma rotina. É o que diz Ian Cook, psiquiatra e diretor do Programa de Pesquisa e Clínica de Depressão da UCLA (Universidade da Califórnia – EUA). A depressão pode fazer a estrutura da sua vida desmoronar, fazendo um dia se fundir com o outro e deixando você totalmente sem rumo. Definir uma agenda diária, com horários e atividades, pode ajudar a colocar as coisas de volta nos trilhos.

2. Pratique exercícios físicos regularmente

Nós já falamos aqui sobre várias situações em que um mínimo de exercícios físicos pode fazer uma grande diferença. Desde ter resultados mais satisfatórios em uma determinada prova à dormir melhor e entrar em forma. E esse é mais um contexto onde esse hábito só tem a colaborar com você.
A prática regular de exercícios aumenta a quantidade de endorfinas no corpo, que são responsáveis por uma sensação de bem-estar reconfortante. Também segundo Ian Cook, a longo prazo, a prática de exercícios físicos regulares parece encorajar o cérebro a se religar de maneira positiva. E não é preciso correr maratonas inteiras para se beneficiar com tudo isso. Caminhadas algumas vezes por semana já são suficientes!

3. Tenha uma alimentação saudável

Não há uma dieta milagrosa para curar depressão, mas ficar de olho no que você come pode ser uma boa ideia. Se a depressão tende a fazer você comer demais, ficar no controle da sua alimentação vai fazer você se sentir melhor e mais confiante automaticamente. Segundo o psiquiátrica americano Cook, há evidências de que alimentos com ômega-3, ácidos graxos – como salmão e atum – e ácido fólico – como espinafre e abacate – podem ajudar a aliviar a depressão.

4. Assuma responsabilidades

Quando você está deprimido, a única coisa que você sente vontade de fazer é se afastar da sua própria vida e abandonar todas as suas responsabilidades – tanto em casa quanto no trabalho. Se esforce para que isso não aconteça. Ficar envolvido com algum projeto e ter responsabilidades diárias ajudam, e muito, pois contribuem para um sentimento insubstituível de autorrealização. Se você não consegue trabalhar o dia inteiro, pense em meio período. Se essa ideia também parece intolerável, considere um trabalho voluntário.

5. Desafie pensamentos negativos

O trabalho mental é uma parte significativa e fundamental na luta contra a depressão. Por isso é preciso mudar o jeito que você pensa. Porque quando se está deprimido, seus pensamentos sempre são os piores possíveis, em relação a tudo. E isso é como um bola de neve. Você começa a se sentir péssimo em relação a você mesmo e a tudo que está a sua volta. Por isso, uma boa ideia é usar a lógica como tratamento natural para curar depressão. Você pode se sentir como se ninguém gostasse de você, mas existe alguma evidência real para achar isso? É preciso prática para pensar assim, mas com o tempo se torna algo natural, e você começa a domar pensamentos negativos antes que eles saiam de controle.
Todas essas dicas parecem ser exatamente aquele tipo de coisa que é fácil de falar, mas na prática são impossíveis de realizar, não? Se você sente isso, eu tenho uma dica extra para você: inspire-se nos outros. Nas pessoas que sofreram, ou sofrem, de depressão e mesmo assim conseguiram unir forças para sair desse buraco negro para o qual foram sugadas.
Esse pode ser o melhor começo. [Web MDExame]

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A depressão é doença e precisa ser tratada como tal




Depressão é uma doença terrível, angustiante e até fatal. Tive isso ano passado e por pouco não me suicidei. Muito pouco mesmo. A gente fica completamente dominado pela doença. 

É como se uma outra pessoa tomasse conta do seu cérebro e plantasse pensamentos alienígenas dentro dele que, depois que você se cura, custa a acreditar que foi possível pensar tais coisas.

O mais difícil quando se está com essa doença, é o fato de que a maioria das pessoas próximas não entende o que você está passando e, via de regra, fala besteiras como as mostradas na charge acima - sempre com a melhor das intenções, diga-se de passagem -, mas que só ajudam a piorar o quadro.

A depressão acaba também com a vida sexual da vítima. Quantos casamentos foram desfeitos por causa desse doença, sem que o casal soubesse disso?

Leiam com atenção o texto abaixo e repassem, pois vocês podem conhecer gente neste estado que necessita de cuidados médicos urgentes.



SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTO DA DEPRESSÃO

Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células.






A cultura popular associa depressão como um estado de humor da pessoa e que ela pode se curar sozinha. 

Isso faz com que as pessoas não encarem a depressão como uma doença e não procurem ajuda médica.

Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

É importante distinguir a tristeza patológica daquela transitória provocada por acontecimentos difíceis e desagradáveis, mas que são inerentes à vida de todas as pessoas, como a morte de um ente querido, a perda de emprego, os desencontros amorosos, os desentendimentos familiares, as dificuldades econômicas, etc. 

Diante das adversidades, as pessoas sem a doença sofrem, ficam tristes, mas encontram uma forma de superá-las. 

Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas, mesmo que não haja uma causa aparente.

O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias e dias seguidos, e desaparece o interesse pelas atividades, que antes davam satisfação e prazer.


A depressão é uma doença incapacitante que atinge por volta de 350 milhões de pessoas no mundo. 

Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.


Causas

Existem fatores genéticos envolvidos nos casos de depressão, doença que pode ser provocada por uma disfunção bioquímica do cérebro.

Entretanto, nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante de fatores que funcionam como gatilho para as crises: acontecimentos traumáticos na infância, estresse físico e psicológico, algumas doenças sistêmicas (ex: hipotireoidismo), consumo de drogas lícitas (ex: álcool) e ilícitas (ex: cocaína), certos tipos de medicamentos (ex: as anfetaminas).


Mulheres parecem ser mais vulneráveis aos estados depressivos em virtude da oscilação hormonal a que estão expostas principalmente no período fértil.


Sintomas

Além do estado deprimido (sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias) e da anedonia (interesse e prazer diminuídos para realizar a maioria das atividades) são sintomas da depressão:

1) alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional);
2) distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva  praticamente diárias);

3) problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias);

4) fadiga ou perda de energia constante;

5) culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade);

6) dificuldade de concentração (habilidade diminuída para pensar ou concentrar-se);

7) ideias suicidas (pensamentos recorrentes de suicídio ou morte);

8) baixa autoestima;

9) alteração da libido.

Muitas vezes, no início, os sinais da enfermidade podem não ser reconhecidos. 

No entanto, nunca devem ser desconsideradas possíveis referências a ideias suicidas ou de autodestruição.


Diagnóstico

O diagnóstico da depressão é clínico e toma como base os sintomas descritos e a história de vida do paciente. 

Além de espírito deprimido e da perda de interesse e prazer para realizar a maioria das atividades durante pelo menos duas semanas, a pessoa deve apresentar também de quatro a cinco dos sintomas supracitados.

Como o estado depressivo pode ser um sintoma secundário a várias doenças, sempre é importante estabelecer o diagnóstico diferencial.


Tratamento

Depressão é uma doença que exige acompanhamento médico sistemático. 

Quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterápico. 

Nos outros mais graves e com reflexo negativo sobre a vida afetiva, familiar e profissional e em sociedade, a indicação é o uso de antidepressivos com o objetivo de tirar a pessoa da crise.

Existem vários grupos desses medicamentos que não causam dependência. 

Apesar do tempo que levam para produzir efeito (por volta de duas a quatro semanas) e das desvantagens de alguns efeitos colaterais que podem ocorrer, a prescrição deve ser mantida, às vezes, por toda a vida, para evitar recaídas.

Há casos de depressão que exigem a associação de outras classes de medicamentos – os ansiolíticos e os antipsicóticos, por exemplo – para obter o efeito necessário.


Há evidências de que a atividade física associada aos tratamentos farmacológicos e psicoterápicos representa um recurso importante para reverter o quadro de depressão.


Recomendações

* Depressão é uma doença como qualquer outra. Não é sinal de loucura, nem de preguiça nem de irresponsabilidade. 

Se você anda desanimado, tristonho, e acha que a vida perdeu a graça, procure assistência médica. 

O diagnóstico precoce é o melhor caminho para colocar a vida nos eixos outra vez;

* Depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida: na infância, adolescência, maturidade e velhice. 

Os sintomas podem variar conforme o caso. 

Nas crianças, muitas vezes são erroneamente atribuídos a características da personalidade e nos idosos, ao desgaste próprio dos anos vividos;

* A família dos portadores de depressão precisa manter-se informada sobre a doença, suas características, sintomas e riscos. 

É importante que ela ofereça um ponto de referência para certos padrões, como a importância da alimentação equilibrada, da higiene pessoal e da necessidade e importância de interagir com outras pessoas. 

Afinal, trancafiar-se num quarto às escuras, sem fazer nada nem falar com ninguém, está longe de ser um bom caminho para superar a crise depressiva.


Mais informações neste link.