Aos Mestres, com carinho!

Aos Mestres, com carinho!
Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

5 POEMAS DE SOLANO TRINDADE, O POETA NEGRO

(Liberto, filho de Solano Trindade e Gal Martins)


CANTO DOS PALMARES (trechos)
“Ainda sou poeta
meu poema
levanta os meus irmãos.
Minhas amadas
se preparam para a luta,
os tambores
não são mais pacíficos
até as palmeiras
têm amor à liberdade”.





POEMA AUTOBIOGRÁFICO
“Quando eu nasci,
Meu pai batia sola,
Minha mana pisava milho no pilão,
Para o angu das manhãs…
Portanto eu venho da massa,
Eu sou um trabalhador…

Ouvi o ritmo das máquinas,
E o borbulhar das caldeiras…
Obedeci ao chamado das sirenes…
Morei num mucambo do “”Bode”",
E hoje moro num barraco na Saúde…

Não mudei nada…”



OLORUM ÈKE **
“Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu sou poeta do povo
Olorum Ekê

A minha bandeira
É de cor de sangue
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Da cor da revolução
Olorum Ekê

Meus avós foram escravos
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu ainda escravo sou
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Os meus filhos não serão
Olorum Ekê
Olorum Ekê”

** Olorum Ekê: “povo do Santo forte”, termo Iorubá.



NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA **
“Nem só de poesia vive o poeta
há o “fim do mês”
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
policialescamente
De vez em quando
um pouco de poesia
uma conta atrasada
um cobrador exigente
um trabalho mal pago
uma fome
um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas.”

** poema inédito até 2008, quando foi revelado por sua filha Raquel.



GRAVATA COLORIDA
“Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada…”



Via ..eu passarin..


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PAULO LEMINSKI




"Eu ontem tive a impressão que Deus quis falar comigo, não lhe dei ouvidos. Quem sou eu para falar com Deus? Ele que cuide dos seus assuntos, eu cuido dos meus."

(Paulo Leminski)


sábado, 7 de setembro de 2013

FAMÍLIA



No tempo de minha infância,
os poetas eram todos mortos
e os poemas, seus fantasmas,
que só poderiam ser encontrados
em antigos castelos.

Mas, como os livros
têm pernas e desejos,
um dia acabei topando com um,
como uma pedra no meu caminho.

E hoje a poesia me é tão íntima
como um homem e suas memórias.

Às vezes, como quaisquer amantes,
nos desentendemos
e ela me bate na cara,
abandona-me durante várias
noites e dias,
entre a insônia e a febre do álcool,
mas eu não ligo.

Às vezes, como costumam fazer
os amantes,
nos enroscamos
e sobre o papel
de meus velhos cadernos
surgem rebentos,
pequenos poemas,

fadados, sei, a não grandes coisas.

Itárcio Ferreira

terça-feira, 3 de setembro de 2013

DESCULPA, MAS COMO NÃO TE AMAR?



                 
Desculpa, mas como não te amar?


Tua voz é canção,

às vezes erótica, às vezes de ninar.



Teu olhar,

confundo-o sempre com o teu sorriso,

brilhantes.



Teu corpo... Ah o corpo!

O que faz teu corpo ser belo?

As formas?

Preciso ler mais Adorno!

O calor? Teus desejos secretos?



Desculpa, mas como não te adorar?


(Itárcio Ferreira)

sábado, 31 de agosto de 2013

ALMEJO O NADA



 Almejo o nada.



O poema abstrato:

sem forma, sem sentimentos,

sem cor.



Almejo a morte!



O que sou?

Uma marionete em mãos divinas?



Qual a essência do mal?

Se vim do bem: Deus?



Quem és, Senhor?

Quem sou?

És um sádico? Um alquimista?



E eu apenas um verme

Ingrato ao meu criador?



Almejo o nada: sem dor!



O que seria a vida, sem dor,

senão o paraíso?



Almejo o quanto antes

O último poema!

O infarto libertador! 


(Itárcio Ferreira)

                                           

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A ATRIZ, poema de Itárcio Ferreira



Para Maria Clara Spinelli 

Ao olhar o branco de tuas faces e sorrisos,
Transmuto-me em nuvens carregadas de elementos:
O ar, a água e a energia, filha da perfeita respiração,
Além da beleza, aos olhos sempre apreciada.

Ao descer dos montes, à terra, a terra vira poesia.
Mas bem que a visão, sempre influenciada por crenças, medos e fantasias,
Não é o melhor dos sentidos, 
Que a nós foram oferecidos pela natureza,
Para te perceber em profusão.

Andarilho, poeta, marginal, saltimbanco sem talento,
Busco achar uma janela aberta em teu flanco desguarnecido,
Saltá-la, para, tu desprevenidas, assaltar teus sentimentos.

Os segredos e tesouros mais valiosos,
Não precisam ser escondidos em cofres de ferro, que derretem,
Em baús de madeira, que apodrecem,
Em tumbas com maldições e venenos, mesmo assim sempre violadas,
Devem apenas ser deixados de lado, ao relento, e num sorriso disfarçados,
Por que a ganância, cega os olhos e a mente, do pior dos bandidos amaldiçoados.
Tua graça e beleza, sem parâmetros,
Estão guardadas no invisível mundo etéreo das essências
Onde mora tua alma, numa imensidão de desconhecidas e prazerosas emoções.

Entre alegorias esvoaçantes, amores, sonhos secretos e quereres, nem sempre percebidos,
Juntam-se alegremente pequenos t(r)emores, ao palco, à atriz, a fala, ao êxtase sempre procurado:
Criar o personagem perfeito, assim como do barro moldou, Deus, a Lilith e de uma de suas costelas, a Adão, o seu amado.


sábado, 24 de agosto de 2013

BELITA





Tenho saudades da tua risada;
Dos teus beijos;
Do teu corpinho branco, nu;
Do teu biquinho quando gozas...



(Itárcio Ferreira)