Aos Mestres, com carinho!

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Drummond, Vinícius, Bandeira, Quintana e Mendes Campos

sábado, 12 de março de 2016

SAUDAÇÃO AO IDIOTA, poema de Sérgio Saraiva

protesto coxa

Saudemos os idiotas.
Saudemos a ascensão do idiota
à condição de mestre do mundo.
Saudemos entre nós sua chegada,
após uma sempre presença ignorada.
Bem-vindos sejam à nossa morada.
Saudemos os idiotas.
O futuro não lhes pertence,
mas eles festejam pelas ruas
o passado de maldição.
Seu herói é seu algoz,
sua liberdade, obediência,
sua recompensa, servidão.
Mas eles lhe dão vivas
e salvas de canhão.
Saudemos os idiotas.
Eles não têm a luz,
pois festejam a escuridão.
Aguardam o raiar do sol
nascido da bolsa do mal ladrão.
Saudemos os idiotas,
felizes eles são,
na ignorância como benção,
louvam sua perdição.
Saudemos o idiota,
sua voz se ouve ao largo,
suas patrióticas canções,
suas rimas de toleirões
e seus versos de parvo.
Saudemos os idiotas,
eles festejam a diferença
sendo todos tão iguais.
Idiotas todos são,
mas não se saberão jamais.
Festejam-se como doutos,
como tolos, sonham-se
artífices da história.
Acordarão em glória,
herdeiros da vitória,
derrotados por si próprios,
enganados por si mesmos,
néscios e boçais.
Mas felizes, todavia,
felizes como tais.
Saudemos os idiotas.
Receberão como paga sua praga.
Mas não desejavam mais.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A evolução humana

SARAU DA BOA VISTA

 

Caros Amigos!

É com muito orgulho que convido a todos vocês a participarem desta grande festa literária musical em que celebraremos os 3 anos desta que é o maior evento independente do centro da cidade do Recife.

Homenageando no mês dedicado as mulheres a poeta Fatima Ferreira expressivo nome do Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco.

Dia 26 de Março de 2016, No Restaurante Maremoto - Rua do Hospício, 68 - Boa Vista - Recife.

Saudações Literárias 

Poeta Aldo Lins 

Visitem a página do Sarau da Boa Vista

Ilustrações bizarras da Idade Média (II)











terça-feira, 8 de março de 2016

MESA DE BAR, poema coletivo feito a dezesseis mãos

Mesa de bar retarda a morte
Desanima qualquer suicida
Recria novas viagens, reinventa a vida.
Acende novos olhares, perde-se o medo
Instala sem decreto a paz
E faz mais, cria paixões.
Ressuscita a longínqua infância
Traz ao olhar o primeiro beijo
Aquela velha e eterna canção.
Lugar de relatos de experiências,
convivências, carências e revelações
E outros retalhos de emoções.
As cadeiras lembram bancos de escolas
Alguém passa e pede esmolas
Lembra a vida, o acaso e a ocasião.
O álcool em colunas Romanas
Impede o avanço inimigo
Dos Bárbaros: suicídio ou depressão.
Aldo Lins, Itárcio Ferreira, Adriel Evangelista, Chico,
Rita, Araken, João e Chicão.

Celebram um poema de muitas mãos...

Poema realizado Sexta Feira, dia 04 de Marco de 2016, no Bar de Leleu Sulivan, no Mercado da Boa Vista
Visitem o face do Sarau da Boa Vista

segunda-feira, 7 de março de 2016

20 filmes perfeitos escondidos no Netflix

 


1. Os Excêntricos Tenenbaum
Quem conhece o trabalho de Wes Anderson, o diretor do filme, pode esperar por duas coisas: personagens encantadores e figurinos fabulosos. Em “Os Excêntricos Tenenbaum” não é diferente, e aí que reside toda a magia do longa, já que a história não é lá um poço de originalidade. Royal (Gene Hackman) é um vigarista e só causa problemas para sua família, até o dia que é expulso de casa. Anos depois, arrependido, inventa estar morrendo para se aproximar dos filhos, todos eles gênios, diga-se. Humor refinado e um monte de ator bacana, não perca essa joia!

2. Um Conto Chinês
O que acontece quando um imigrante chinês sem falar uma palavra sequer de espanhol acaba em Buenos Aires, na Argentina, e cruza o caminho de um mau humorado comerciante? O resultado dessa incomum amizade pode ser visto no delicado “Um Conto Chinês”! É cinema argentino da melhor qualidade e mais uma performance muito boa de Ricardo Darín!

3. Thelma & Louise
Clássico dos anos 1990, “Thelma & Louise” é um daqueles filmes que não tem como ficar indiferente, principalmente quando conhecemos o drama de Thelma (Geena Davis). Vítima de um relacionamento abusivo, ela topa fugir de seu opressor ao lado da amiga Louise (Susan Sarandon). O problema é que no meio do caminho elas acabam se envolvendo no meio de um assassinato e começa uma busca alucinante da polícia por essas duas. Uma história incrível sobre amizade que, veja só, traz como bônus o jovem Brad Pitt. Longa obrigatório para cinéfilos!

4. Kramer vs. Kramer
Joanna Kramer (Meryl Streep) não verbalizava, mas estava em depressão e exausta. Exausta de ser a esposa-troféu com uma existência baseada em cuidar do filho e esperar o marido voltar de seu emprego. Até que um dia ela cansa e, simplesmente, vai embora. E é aí que começa o filme, já que Ted (Dustin Hoffman) se vê obrigado a cuidar sozinho do pequeno Billy (Justin Henry), algo antes impensável. Ele vai ter que aprender a cozinhar, ajustar seus horários, enfim, tudo o que implica criar uma criança. Até o dia que Joanna volta – trabalhando e ganhando muito mais dinheiro do que ele – e entra na Justiça pela guarda do garotinho. Pelo papel, Meryl ganhou seu primeiro Oscar.

5. Sentidos do Amor
Como seria viver num mundo onde as pessoas perderam os sentidos? Tato, olfato, audição, visão… O fim dos tempos, parece, está próximo e essa curiosa – e terrível – doença não para de avançar e acometer mais e mais pessoas. No meio do furacão está o casal Susan (Eva Green) e Michael (Ewan McGregor), que tenta equilibrar a relação com a iminente (será?) destruição da raça humana.

6. Manhattan
Um dos melhores filmes de Woody Allen, “Manhattan” invoca os pontos fortes do diretor: diálogos maravilhosos, humor ácido, crítica da sociedade afiada e, claro, Nova York. Para quem quer se aprofundar no trabalho do diretor e entender o legado dele, o longa é fundamental.

7. Loucamente Apaixonados
O título em português é muito ruim, mas vai pela gente: o filme é ótimo. E bem fácil de se relacionar. Anna (Felicity Jones), uma inglesa em intercâmbio nos Estados Unidos, conhece Jacob (Anton Yelchin) e logo se apaixona, ela fica tão “louca de amor” que ignora a validade do seu visto e é deportada do país. Longe do amado, ela tenta fazer durar essa relação à distância. J. Law está no elenco também.

8. Paris, Texas
Dirigido pelo aclamado diretor alemão Win Wenders, “Paris, Texas”, a gente já avisa, é um filme lento, muito lento! Mas nem por isso deixa de ser genial. Aliás, é essa lentidão o seu charme. Parece que o longa consegue captar toda a melancolia e culpa do protagonista, Travis (Harry Dean Stanton), que, quatro anos após abandonar esposa e filho, é encontrado sem memória num hospital. Apenas assistam essa joia!

9. Oranges and Sunshine
Baseado em fatos reais, “Oranges and Sunshine” emociona demais. E só de ler a sinopse dá para entender! Margaret Humphreys (Emily Watson) é uma assistente social e descobre um dos maiores escândalos do Reino Unido, o tráfico de crianças pobres para trabalhar em países como a Austrália. Prepare o lencinho, tá?

10. Perdidos na Noite
O grande vencedor do Oscar de 1970 (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado), “Perdidos na Noite” é tudo isso aí mesmo. O jovem Joe Buck (John Voight) vai embora do Texas para tentar a vida na cidade grande. Em Nova York, vestido como cowboy, ele começa a ganhar dinheiro como garoto de programa. Já desiludido, encontra “nos braços” de Ratso (Dustin Hoffman), um “mendigo” coxo e mau humorado, alguém para lhe fazer companhia na big apple. E, bem, a relação criada pelos dois é nada menos do que apaixonante. Reflexo da sociedade da época, o longa é bastante competente em captar o espírito de seu tempo e, principalmente, abrir espaço em hollywood para temas mais polêmicos.

11. O Abrigo
Eles eram uma família feliz e tranquila até Curtis (Michael Shannon), o patriarca, começar a ter perturbadores pesadelos com uma tempestade apocalíptica. Obssessivo, o cara constrói um abrigo dentro de casa e o espectador não sabe se ele está falando a verdade ou, se devido seu histórico familiar, está sofrendo de esquizofrenia. E essa a graça do filme, tentar desvendar esse “mistério”, já que o final é, digamos, controverso. Jessica Chastain está no elenco também.

12. Uma Boa Mentira
Choque cultural é o que define esse longa! Emocionante, conta a história dos três sudaneses Mamere (Arnold Oceng), Jeremiah (Ger Duany) e Paul (Emmanuel Jal) que, após sofrer horrores em seu país de origem, conseguem a oportunidade de ter uma vida melhor nos Estados Unidos. E é quando conhecem Carrie (Reese Witherspoon), uma assistente social, que eles se deparam com um novo universo.

13. Deus da Carnificina
Baseado na peça homônima da francesa Yasmina Reza, “Deus da Carnificina” é um filme baseado em diálogos. Por isso, não espere grandes efeitos especiais ou reviravoltas malucas. Agora, espere por excelentes atuações de Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly.

14. White Elephant
Quando dois padres resolvem comprar briga para ajudar os mais pobres na periferia de Buenos Aires. Se à primeira vista a história do longa pode parecer clichê, não se engane: o olhar do diretor Pablo Trapero faz toda a diferença. Ah, e Ricardo Darín, como sempre, dá um show.

15. Depois de Lúcia
“Depois de Lucia”, dirigido pelo mexicano Michel Franco, é violento, muito violento. Acompanha a vida de Roberto(Gonzalo Vega Jr.) que, após a morte da esposa, ao lado de sua filha Alejandra (Tessa Ia), decide mudar para a Cidade do México. E é lá onde toda a ação do filme acontece. Espere para sentir muito ódio por todas situações de abusos físicos e emocionais pelos quais a garota irá sofrer em seu colégio. Um filme contundente, crítico e de extrema importância.

16. Ginger & Rosa
São os anos 1960, a revolução sexual está aí, assim como a ameaça de uma bomba nuclear. E é nesse cenário, de uma efervescente Londres, que o espectador é convidado a conhecer a fascinante amizade de Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert), duas garotas muito espertas que desejam ardentemente não “acabar” como as mães. Mas, né, sempre tem uma pedra no caminho e a relação das duas vai passar por uma grande prova. Talvez ela acabe…

17. Um Santo Vizinho
Vincent (Bill Murray) não é exemplo para ninguém. Fumante, alcoolatra, viciado em corridas de cavalo e sem dinheiro, ele é o retrato de uma pessoa decadente. Mas, né, o destino, esse danado que adora aparecer pelos lados de Hollywood, resolve colocar Maggie (Melissa McCarthy), acompanhada de seu filho Oliver (Jaeden Lieberher), em seu caminho. O resultado é uma incomum amizade e um festival de lágrimas. É clichê, mas não tem como não se emocionar.

18 – Cães de Aluguel
No filme de estreia de Quentin Tarantino, o fracasso de um roubo expõe a existência de um informante na gangue. Aqui o diretor apresenta ao mundo duas marcas registradas de suas obras: diálogos longos e magnéticos e baldes de sangue jorrando na câmera.

19 – Desconstruindo Harry
Um romancista alienado (Woody Allen) se complica ao publicar histórias verídicas de conhecidos, ofendendo, irritando e afastando todos à sua volta. O diretor ainda assina outros títulos clássicos do catálogo, como: Celebridades, Simplesmente Alice e Tiros na Broadway.

20 – Platoon
A perspectiva de um ingênuo soldado (Charlie Sheen) na Guerra do Vietnã começa a mudar quando ele vê seus compatriotas cometendo assassinatos e estupros. Esse clássico de guerra rendeu quatros Oscar para a equipe dirigida por Oliver Stone.

domingo, 6 de março de 2016

Convidou o amigo poeta, poema de Carlos Maia

Poeta Carlos Maia

A meu amigo Itárcio Ferreira

Convidou o amigo poeta, músico e funcionário
público a dar uma desculpa qualquer
no trabalho e irem para a praia de Calhetas
com o outro amigo poeta
e canalha,
ao bar de Sarico
com aquela vista dupla fantástica!

De um lado Gaibu
e do outro Nazaré
com aquela casa do faroleiro
em ruínas,
maravilhosa.

Convidou o amigo generoso
a viver,
naquela quinta-feira cinzenta
opaca e vazia

Ou não sei se o vazio estava
em mim

O vazio que nada
preenchia

O vazio dessa existência canalha
neste planeta de expiação!

Não sei sinceramente
porque me mandaram para cá.

Eu só consigo encarar
essa miséria muito chapado!

Confortavelmente anestesiado!




Visitem o blog do poeta Carlos Maia, meu amigo e irmão: Memória das Pedras 

sexta-feira, 4 de março de 2016

MINHA INFÂNCIA, poema de Itárcio Ferreira

Foto: Ilustração / Reprodução da Internet

Meus sonhos eram povoados
por lobos maus e padres
que comiam criancinhas,
mas minha mãe de criação, Lia,
contava estórias para eu, minino, dormir.
Coçava minhas costas e dizia:
dorme! Lobo mau não vem aqui!
Padre está rezando missa!

Minha avó Lídia penteava meus cabelos,
assim que, minino, saia do banho.
Mamãe me achava tão lindo, um rei.
Meu pai me sonhava
juiz ou médico, autoridade.
O mundo era enorme,
minha casa imensa,
a rua sem fim:
transbordavam-me os sonhos!


Vistem o blog do poeta: Itárcio Ferreira, poemas

quinta-feira, 3 de março de 2016

ABISSAL, poema de Joca de Oliveira


Não sou peixe de superfície, de águas claras.
Peixes brilhantes, quase à luz do sol.
Peixes de escamas, de luz espalhada,
de cor espelhada, como óculos modernos.
Não sou peixe que pula à tona, à toa,
soltando gritinhos pros barcos que passam,
pros transatlânticos imunes.
Sou peixe que mergulha fundo,
pros territórios abissais,
pro escuro da pressão deformante.
Sou peixe feio, sozinho,
nas lacunas dos infernos marítimos,
de subvoadores.
Sou peixe amorfo, nu,
sem cor definida, vago,
na profunda imensidão do mar,
onde me perco: eterno infinito.
Rochas e sombras.
Algas obtusas, cavalos daninhos,
ostras crocantes
e tubarões de olhos grandes e assassinos.
Sou peixe enterrado nas esferas do habitat maior,
onde a sobrevivência causa pânico,
até aos pescadores.
Sou peixe magro, de barriga grande
e de visão presa, dura, no perigo.
Sou peixe inquilino da vida,
do grande sonho de viver.

Joca de Oliveira

A arte de Mrzyk e Moriceau (II)












quarta-feira, 2 de março de 2016

OS ARAUTOS NEGROS, poema de César Vallejo

 

Há golpes na vida tão fortes... Eu nem sei!
Golpes como do ódio de Deus; como se ante eles
a ressaca de quanto foi sofrido
se empoçara na alma... Eu nem sei!

São poucos, porém são... Abrem sulcos escuros
no rosto mais fero e no lombo mais forte.
Serão talvez os potros de bárbaros átilas;
ou os arautos negros que nos manda a Morte.

São as caídas fundas dos Cristos da alma,
de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que na porta do forno se queima.

E o homem... Pobre... pobre! Volve os olhos, como
quando por sobre os ombros nos chama uma palmada;
volve os olhos loucos, e todo o vivido
se empoça, como charco de culpa, na mirada.

Há golpes na vida tão fortes... Eu nem sei!


Tradução de Fernando Mendes Vianna

terça-feira, 1 de março de 2016

Foram-se os anéis. Ficaram-me os dedos, por Clara Baccarin




Foram-se os anéis. Ficaram-me os dedos
De uma vontade de amar faminta
Pousando em pedras hermeticamente preciosas
Quebrei meus olhos de ilusão e vidro
Fiquei eu desencasulada, recolorida, nova
A estranhar minhas próprias asas
Ensejando e fazendo pacto de vida
Com a imensidão dos dias
Dos pousos apressados em busca de chão
Me libertei de minha própria escravidão
Na coragem de flutuar no desconhecido
Solta num vento que não ouso nomear Deus
Sou massa mole, aberta porém cuidadosa
Agora quero me deixar ser esculpida
pelo tato rudimentar da vida

Água água, poema de Olga Savary


Menina sublunar, afogada,
que voz de prata te embala
toda desfolhada?
Tendo como um só adorno
o anel de seus vestidos,
ela própria é quem se encanta
numa canção de acalanto
presa ainda na garganta